Diário da Região

23/11/2017 - 22h36min

Editorial

A certeza da impunidade

Em determinadas circunstâncias, aliás, nem seria preciso conhecer muita coisa para saber o que pode e o que não pode, o que deve e o que não deve fazer

Veterano na Câmara de Rio Preto, o vereador Paulo Pauléra (PP) não é do tipo que se pode considerar um desconhecedor das regras do Legislativo e dos direitos e deveres de um parlamentar. Em determinadas circunstâncias, aliás, nem seria preciso conhecer muita coisa para saber o que pode e o que não pode, o que deve e o que não deve fazer. Pauléra sabe muito bem, por exemplo, que não está, nunca esteve e nunca estará autorizado a usar estrutura e recursos públicos para promoção pessoal.

Foi o que aconteceu no caso publicado ontem pelo Diário. Reportagem do jornalista Rodrigo Lima revelou que o referido vereador colocou seus assessores para produzir cerca de 600 cartinhas e enviar aos munícipes informando sobre seu grande feito: a aprovação de uma lei que concede 50% de desconto no IPTU a proprietários de imóveis localizados em quarteirões onde funcionam as feiras livres. Mais: além de usar seus apadrinhados para fazer um trabalho de interesse pessoal, usou também papel e máquina de fotocópias da Câmara para a elaboração do material.

No entendimento do vereador, está tudo na mais absoluta normalidade, porque a quantidade de papel está "dentro da cota". Ele disse que o comunicado foi feito com o objetivo de divulgar uma lei de interesse da população, embora esse tipo de orientação já conste no portal da própria Prefeitura. Mas o distinto parlamentar achou que seria de grande interesse público mandar as cartinhas com essas informações, devidamente acompanhadas de mensagens de fim de ano e, claro, uma foto sua, bem destacada, em que ele aparece fantasiado de Papai Noel.

Vai ser interessante observar como reagem os colegas de Pauléra diante de mais esse abuso na Câmara de Rio Preto. Sim, porque nessas situações o costume é vereador ficar fazendo cara de paisagem. Como fizeram, a propósito, na sessão de terça, quando não se ouviu um piu a respeito de Celso Peixão (PSB), que desafiou a Prefeitura e resolveu gerenciar, do seu jeito, o velório da Vila Toninho, onde uma funcionária, antes de autorizar o uso, orienta os interessados a pedir as bênçãos do vereador.

Se o que Pauléra fez não é promoção pessoal com recursos públicos e não é o bastante para ser considerado ato de improbidade, e se o caso de Peixão terminar em pizza, então não vai dar mesmo para se alimentar expectativa por dias melhores na política e pelo resgate da imagem desgastada de políticos que insistem em fazer deboche com a população. Felizmente, a esperança não se esgota no corporativismo dos parlamentares. Permanece em instituições como o Ministério Público. E na poderosa arma do cidadão: o voto.

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