Diário da Região

09/11/2017 - 23h00min

EDITORIAL

De dar dó

A segunda melhor cidade do Brasil para se viver não pode tratar a questão da limpeza urbana como artigo secundário

Obra que devorou R$ 35 milhões dos cofres públicos e foi finalizada há cerca de cinco anos, o conjunto de intervenções urbanas no entorno do alargamento do canal do rio Preto chegou a se transformar num belo cartão de visitas da cidade, e revitalizou e valorizou todo o setor, a exemplo do que ocorreu em outras regiões do município, que receberam investimentos similares. A falta de manutenção, entretanto, vai expondo aos poucos as consequências decorrentes do estado de abandono e de inércia da administração municipal.

Os milhares de rio-pretenses que passam pelo local diariamente não precisam de muito esforço para constatar a nova paisagem que ganha espaço e ameaça desbancar o protagonismo da ainda bela visão do Parque do Rio Preto. A expectativa, aliás, é de piora em razão do início da temporada de chuvas. Assoreamento, lixo, entulho, latinhas de alumínio, garrafas plásticas e mato, muito mato, dão o tom em quase toda a extensão do rio, na avenida Philadelpho. No mesmo ritmo vão as pistas de caminhada e de ciclistas ao longo da via.

O governo parece ter problema com os setores responsáveis pelos serviços de manutenção da cidade, pois essa realidade se repete em outros setores, como nos casos dos terrenos debaixo das linhas de transmissão de energia elétrica. Parte, é verdade, deve ser creditada ao desleixo de pessoas que não têm o hábito de descartar sujeira e materiais inservíveis nos locais adequados, embora o município disponha de vários pontos de apoio, destinados a receber entulhos de construção civil, madeiras, vidros, plásticos e pneus velhos.

O avanço do matagal em locais como calhas de rios e córregos, avenidas e terrenos públicos, entretanto, é de inteira responsabilidade do governo municipal, que gasta fortunas para bancar esse tipo de serviço. Ao falhar na manutenção, cria inclusive efeitos colaterais. Contribui, por exemplo, para a proliferação de criadouros de larvas do mosquito Aegypti, transmissor de dengue, zika vírus e chicungunya, entre outras doenças. Com isso, lá na frente pode criar demandas para outros setores, como o da saúde.

Limpeza não é luxo, é necessidade básica. A segunda melhor cidade do Brasil para se viver, segundo o Índice Firjan (levantamento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) não pode tratar a questão da limpeza urbana como artigo secundário.

 

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