Diário da Região

30/11/2017 - 23h08min

Editorial

Providências, dom Tomé

Se sabe que estão ocorrendo essas barbaridades financeiras no âmbito da Diocese que comanda em Rio Preto e outras cidades da região, faz muito bem dom Tomé em denunciar

O bispo da Diocese de Rio Preto, dom Tomé Ferreira da Silva, fez afirmações gravíssimas em áudio que publicou na internet e que precisam ser esclarecidas. Após citar trecho bíblico que destaca a expressão "antro de ladrões", o religioso foi contundente: "Me assusta quanto roubo, isso mesmo, roubo, feito dentro das nossas igrejas e capelas. Leigos que mantêm dinheiro da igreja em nome próprio. Conselhos que não prestam conta adequadamente da administração. Conselhos que não levam em conta as orientações da Diocese para a administração e a contabilidade. Dinheiros escondidos em caixa dois. É triste, mas é verdade".

Se sabe que estão ocorrendo essas barbaridades financeiras no âmbito da Diocese que comanda em Rio Preto e outras cidades da região, faz muito bem dom Tomé em denunciar. Fará melhor ainda agora se completar o serviço iniciado, detalhando o montante e os responsáveis pelas falcatruas. Não é apenas de uma questão de honra, mas de transparência e de justiça - no caso, justiça dos homens mesmo. Como optou pela denúncia pública, manda a coerência que esse complemento seja igualmente tornado público, pelos mesmos meios, já que o bispo, no seu direito, é avesso a entrevistas.

De antemão é importante destacar que não se trata simplesmente de uma discussão de cunho religioso. Não é a religião nem a crença das pessoas. As afirmações dizem respeito especificamente às finanças do Bispado. À medida que envolve a participação de toda a comunidade e, de forma especial, os dizimistas, passa a ser um tema de amplo interesse público. Influencia, a propósito, no andamento de obras sociais. Segundo o que o bispo denuncia, existe uma configuração a sinalizar para a prática de crime. Nas palavras de dom Tomé, é "isso mesmo, roubo", que precisa ser investigado, com a devida identificação e punição dos responsáveis. Até para que as suspeitas não permaneçam generalizadas sobre padres, colaboradores da administração, leigos e fiéis em geral.

Em circunstâncias normais, obviamente é de se acreditar nas melhores intenções de dom Tomé. Desde que não estacione na denúncia vazia. Desde que busque, de preferência, inspiração no papa Francisco, que teve a coragem de mexer num grande vespeiro da Igreja Católica, promovendo uma revolucionária limpeza no Instituto para as Obras de Religião, o IOR, ou simplesmente "Banco do Vaticano", marcado por escândalos financeiros e ligações com políticos corruptos. O mesmo Francisco que também já advertiu: o diabo entra pelos bolsos, sempre. Depois, segue a vaidade, e, depois, o orgulho, a soberba, e assim termina.

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