Diário da Região

29/11/2017 - 22h54min

Editorial

Crueldade sem limites

Enquanto o governo burocrático se omite, dona Rossana socorre seus colegas doentes com o remédio que precisa para viver

Transplantada de um rim, a aposentada Rossana Dias, de 62 anos, toma oito comprimidos diários de micofenolato de sódio e tacrolimo para evitar a rejeição do órgão. A entrega desse tipo de medicamento, que deve ser feita pelo Estado, está irregular e ela corre o risco de não conseguir manter o tratamento. Pois dona Rossana levou a solidariedade ao extremo ao ver reportagem do Diário com a notícia sobre a agonia de Narcizo José Filho e Luiz Tavares Melo, que ficaram sem o remédio: ela simplesmente decidiu doar duas de suas cartelas a esses dois senhores que, assim, ganharam mais alguns dias de alívio.

Enquanto o chamado poder público falha miseravelmente e só na região de Rio Preto põe em risco cerca de 800 pessoas (13,6 mil em todo o Estado), que poderão ficar sem os remédios adquiridos e enviados aos Estados pelo Ministério da Saúde, os próprios pacientes tentam contornar a situação de uma maneira igualmente arriscada. Compartilhar medicamentos que precisam usar para sobreviver é o jeito que ainda encontram para compensar a omissão do Estado burocrático, incapaz e omisso. "A gente vai socorrendo uns aos outros, fazendo essa troca entre todos os estados. A solidariedade é o que está mantendo todo mundo vivo", diz dona Rossana.

Na reportagem da jornalista Millena Grigoleti, publicada ontem, o médico Geovanne Furtado Souza, presidente do Conselho Municipal de Saúde, lembra muito bem que não se trata de uma situação imprevisível, pois o governo sabe de antemão a quantidade de pacientes que precisam desse tipo de remédio. Se tivesse interesse, poderia evitar falhas de logística e até aprimorar seu planejamento orçamentário. "Paciente às vezes fica no hospital esperando com condições de alta porque não tem remédio", diz ele, acrescentando. "Não são medicações caras, não é nada novo, é tudo padronizado."

Entretanto, o que não falta é desculpa recheada de desfaçatez, com direito a transferência de responsabilidade. O Estado alega necessitar da pontualidade do repasse por parte da União. O Ministério da Saúde diz enfrentar os interesses do mercado farmacêutico e até se gaba por fazer uma suposta gestão austera, buscando melhor eficiência para o gasto público, o que teria levado a uma economia de R$ 176 milhões nas duas últimas aquisições de imunossupressores. Então é assim: enquanto o governo economiza seus milhões, dona Rossana continua socorrendo os colegas doentes, doando seus próprios medicamentos que tanto precisa para viver. Mais cruel e escandaloso impossível.

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