Diário da Região

27/11/2017 - 23h15min

ENFIM, UM ACORDO

Por unidade, Alckmin deverá presidir o PSDB

Desfecho representa solução para o impasse que quase implodiu sigla

Mara Sousa 30/1/2017 Alckmin, que vai defender reforma da Previdência na convenção tucana
Alckmin, que vai defender reforma da Previdência na convenção tucana

O senador Tasso Jereissati (CE) e o governador de Goiás, Marconi Perillo, desistiram nesta segunda-feira, 27, de disputar a presidência do PSDB na convenção nacional do partido, marcada para o próximo dia 9, em Brasília. Com o gesto, eles abriram caminho para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assumir o comando da legenda, buscar a unificação da sigla e fortalecer seu nome como candidato para a Presidência em 2018.

"Nunca me coloquei como pré-candidato, mas, se for para ajudar a unir o partido, vamos avaliar", disse Alckmin ao participar nesta segunda pela manhã de um fórum realizado pela revista "Veja". O desfecho representa uma solução para o impasse que quase levou o PSDB à implosão após o presidente licenciado, Aécio Neves (MG), destituir Tasso - crítico do governo Michel Temer - do comando interino e substituí-lo por Alberto Goldman.

Entre os tucanos, uma aliança com o PMDB não está descartada, mas uma eventual defesa do governo na campanha é uma questão que ainda divide o partido. O Palácio do Planalto, contudo, com a articulação no PSDB, já vê uma brecha para possível composição eleitoral no próximo ano. Assim como ocorreu com o senador Aécio Neves em 2014, Alckmin poderá disputar o Planalto em 2018 na condição de presidente do partido. No PSDB, as desistências de Tasso e Perillo foram encaradas como um gesto de unidade que vai fortalecer o nome do governador paulista como opção de "centro" para a eleição.

Temer articula uma frente de centro-direita para defender sua gestão e tentar isolar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A aliança seria formada pelo PMDB e mais seis partidos, incluindo o PSDB - mas caso Alckmin se consolide mesmo como o candidato ele precisaria se reaproximar do partido do presidente. Nas duas votações no plenário da Câmara dos Deputados das denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Temer, Alckmin não mobilizou os deputados paulistas para defendê-lo, o que irritou peemedebistas. Ele também disse reiteradas vezes que o PSDB não precisa ter cargos no governo para defender as reformas.

A articulação para evitar a disputa interna entre a ala dos "cabeças pretas" - representada por Tasso e crítica a Temer - e a dos "cabeças brancas" - de Perillo, que defende o peemedebista - foi coordenada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Perillo já havia sinalizado que aceitaria essa solução e bateu o martelo no domingo, 26, em um encontro em São Paulo com Alckmin. Tasso esteve com o governador no Palácio dos Bandeirantes na quinta-feira. "Vou abrir mão, se necessário, para preservar a unidade do partido", disse Perillo. O governador goiano afirmou também que "não vê problema" de o partido defender o "legado de coisas que estão sendo bem feitas" no governo Temer.

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