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OLHAR ESPECIAL

Projeto coloca alunos para fazerem releituras das obras de artista

Projeto Recriando Bispo do Rosário, desenvolvido na Apae de Mirassol


    • São José do Rio Preto
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A arte é uma forma de expressão que não dita regras e que não condena. É um caminho para o aprendizado e para a expansão do conhecimento. Una isso a um artista de personalidade profunda e complexa como Arthur Bispo do Rosário e as portas se abrem para um novo mundo. Essa é a proposta do projeto Recriando Bispo do Rosário, em que alunos da Apae de Mirassol produzem releituras das obras do artista e se aprofundam no seu trabalho visitando a exposição Arthur Bispo do Rosário: A Alguns Centímetros do Chão, no Sesi de Rio Preto, afim de promover a inclusão social.

"Desenvolvemos esse projeto de arte em que escolhemos um artista para fazermos um estudo com o objetivo de oferecer a esses alunos contato com um mundo e atividades que normalmente não chegariam a eles, afinal, a maioria vem de famílias humildes. Somos a ponte que dá acesso e abre essas portas para a expansão do conhecimento", afirma Susan Meire Carvalho Júnior, diretora da Apae de Mirassol.

A ideia de trabalhar com Bispo do Rosário veio de Felipe Rocio, professor de artes na Apae de Mirassol, e de Gabrielle Pagliuso, mediadora da exposição sobre o artista no Sesi de Rio Preto. "Tudo começou quando eu e a Grabrielle trabalhávamos como educadores na exposição Itinerância da 32ª Bienal de São Paulo - Incerteza Viva, no Sesc Rio Preto. Levei os alunos para visitar a exposição, onde a Gabrielle realizou a mediação entre as obras e os alunos. Nesse contexto, discutimos sobre a criação de um projeto de releitura de obras de um artista que seria pertinente a realidade dos alunos", conta Felipe.

Alguns meses depois, por coincidência, o Sesi Rio Preto recebeu a exposição sobre Bispo do Rosário, o que motivou a dupla a colocar o projeto em prática. O trabalho com os alunos começou em outubro e vai até o início de dezembro. São 92 alunos da área da educação que produzirão, no total, oito obras de releitura, uma para cada sala de aula.

Essas obras são todas feitas com material reciclado ou que seria descartado, tudo pensado para seguir o estilo do artista inspirador, como explica Felipe. "Realizamos uma pesquisa sobre a biografia, as obras, suas simbologias e os materiais utilizados pelo artista e analisamos o que seria possível encontrar ao nosso redor e quais linguagens artísticas trabalharíamos com cada sala. Em encontros semanais elaboramos as aulas, separando os materiais e preparando os suportes para os alunos se expressarem."

E a possibilidade de expressão é o mais importante, afirma Susan. "Queremos despertar neles a criatividade e o senso crítico, senso de percepção, visualização e coordenação, além, claro, da inclusão social. E a arte é uma excelente forma de se fazer isso. É uma forma de expressão que liberta, permite que eles coloquem para fora seus sentimentos sem que ninguém julgue."

Por isso, também, a escolha de Bispo do Rosário foi tão importante para o projeto. Segundo Felipe, devido ao transtorno mental do artista, ele era considerado incapaz e sofria preconceitos pela sociedade.

"Sua trajetória e suas obras quebram paradigmas sociais ao se tornar referência internacional como artista contemporâneo. Desta forma, é possível criar uma relação com a realidade do deficiente intelectual que, muitas vezes, é visto erroneamente como incapaz, tornando necessária a conscientização da sociedade diante de seu potencial. Além disso, em suas obras, utiliza objetos descartados do cotidiano, o que cria uma aproximação da realidade dos alunos com a arte. Trabalhar com este artista possibilita de forma lúdica a contextualização de seu universo particular, através do desenvolvimento de atividades educativas."

A história do artista ainda permite que o aluno reflita sobre suas próprias capacidades, potenciais e anseios diante de suas próprias vidas, garante Felipe. "Através das obras, o aluno pode recriar sua realidade, usando a imaginação e a sensibilidade, para compreender o mundo e se expressar nele."

Com o apoio da coordenadora pedagógica Bia Poli e da presidente da entidade, Dulce Orsi Amendola, Felipe e Gabrielle realização uma exposição pedagógica das oito peças própria Apae para alunos, professores, funcionários e pais. "Após isso, pretendemos realizar uma itinerância da exposição Recriando Bispo do Rosário: Um Olhar Especial que possa ser aberta ao público", diz Felipe.