Diário da Região

16/11/2017 - 23h00min

FARSA

Polícia Civil investiga falso psiquiatra

Investigação aponta que ele emitia atestado e receitava até remédio contra depressão

Divulgação Receita e cartela de cloridrato de fluoxetina, indicado contra depressão, apreendidos na casa do suspeito
Receita e cartela de cloridrato de fluoxetina, indicado contra depressão, apreendidos na casa do suspeito

A Polícia Civil investiga o caso de um web designer que atuava como falso médico psiquiatra em Rio Preto. Guilherme Siqueira Borges, 23 anos, teria realizado consultas on-line, emitido atestados médicos falsos e até receitado medicamentos de uso controlado.

Na casa dele, no bairro Vila Toninho, foram apreendidos um jaleco branco, um estetoscópio, uma caixa com seringas para aplicação de insulina, além de vários papéis, entre eles uma receita de cloridrato de fluoxetina, indicado para o tratamento de depressão, que teria sido enviada a um paciente pelo aplicativo WhatsApp.

Os policiais também encontraram no computador dele um formulário do Ambulatório Médico de Especialidades do Hospital de Base em branco, um termo de responsabilidade do prescritor para uso do medicamento contendo a substância sibutramina e um e-mail com o título "Receituário Dr. Guilherme Provisório".

De acordo com a investigação, Guilherme Siqueira Borges usava o número do CRM de Antonio Guilherme Borges Neto, neurologista em Campinas. Portanto, passou a assinar apenas Guilherme Borges.

Uma das vítimas do falsário foi uma médica de 45 anos. Ela relatou à polícia que Guilherme a adicionou no Facebook há um ano e desde então conversavam sobre a carreira. A médica alegou que Guilherme tinha vários amigos médicos em comum na rede social, por isso ela aceitou a solicitação de amizade. Segundo ela, Guilherme alegou que tinha 32 anos e havia feito medicina na Universidade de Brasília (UNB). A vítima disse ainda que ele informou que havia trabalhado com um neurologista, mas que havia se desvinculado para poder trabalhar na área de psiquiatria.

O falso médico inclusive teria emitido um atestado médico para a vítima usando um receituário falso. A polícia investiga quantas pessoas teriam sido vítimas dele e para quantas pessoas ele emitiu atestado ou receituário falsos.

Para emitir os atestados, o falso médico usava a logo de uma clínica médica de Rio Preto, mas o número de telefone e endereço da antiga residência dele. "Vamos investigar como era atuação dele. Pedimos para quem foi vítima dele para que procurem o 3º Distrito Policial de Rio Preto", afirmou o delegado Renato Pupo, responsável pelo caso.

A denúncia contra Guilherme foi feita na segunda-feira, dia 6. O mandado de busca foi cumprido na casa dele na quarta-feira, dia 8, mas ele não estava em casa. O investigado se apresentou à polícia no mesmo dia.

"Inicialmente ele negou as acusações. Depois confessou e disse que se apresentava como médico para fazer amigos e que havia atendido apenas amigos, sem cobrar nada", disse.

Em depoimento, o acusado informou que ganhou o receituário da clínica de Rio Preto de uma outra pessoa e que o jaleco ganhou de um dentista. Ele teria dito que se apresentou como médico para conseguir antecipar consultas médicas para seus avós. O rapaz nega também que tenha atuado como médico em algum posto de saúde. Com relação à receita médica, o acusado alega que conseguiu o documento por um programa encontrado na internet que permite preencher o receituário com qualquer letra.

Guilherme foi ouvido e liberado porque não houve flagrante. Ele vai responder por exercício ilegal de medicina e falsificação de documento. A reportagem procurou o advogado Luiz Fernando Zambrano, que defende Guilherme, mas ele não foi encontrado em seu escritório. A vítima também foi procurada, porém não atendeu às ligações da reportagem feitas em seu telefone celular.

Como ele atuava

  • Rapaz teria usado o CRM de um neurologista de Campinas com nome parecido com o seu
  • Ele alegava ter cursado medicina na Universidade de Brasília (UNB) e teria realizado consultas on-line, emitido atestados médicos falsos e até receitado medicamentos de uso controlado
  • No Facebook, adicionava médicos - uma médica diz ter sido vítima do falso psiquiatra. Ele teria emitido um atestado médico pra ela
  • Nos atestados, ele usava a logo de uma clínica de Rio Preto com o número de telefone e o endereço dele
  • Após denúncia, a polícia cumpriu mandado de busca e apreensão na casa dele, na Vila Toninho, e encontrou um jaleco branco, um estetoscópio, uma caixa com seringas para aplicação de insulina, além de vários papéis, entre eles uma receita de cloridrato de fluoxetina, indicado para o tratamento de depressão
  • O suspeito não foi localizado pela polícia, mas apresentou-se. Vai responder em liberdade por exercício ilegal de medicina e falsificação de documentos. Segundo a polícia, ele disse ter feito atendimentos apenas a amigos

Delegado faz novo pedido de prisão

O delegado Roberval Macedo, de Ibirá, fez novo pedido ao Tribunal de Justiça de São Paulo para a prisão temporária de Kelly Regiane Queiroz, de 41 anos, acusada atuar com médica na Santa Casa de Ibirá, e em outras cinco cidades, mesmo sem ter diploma. A mulher chegou a ser presa em outubro, mas conseguiu habeas corpus e responde ao processo em liberdade.

Kelly Regiane é acusada de ter usado o CRM da médica Kelly Queiroz Cardoso, de São Paulo. Além disto, é suspeita de ter cometido fraude em financeira no valor de R$ 120 mil.

O pedido do delegado é baseado nas evidências de exercício ilegal da profissão, como três atestados de óbito assinado por ela, quando trabalhava na Santa Casa. A acusada chegou a prestar depoimento, mas se negou a responder a maioria das perguntas feitas pelo delegado. Como defesa, alegou ter cursado medicina na Bolívia.

O marido da falsa médica, o bombeiro Clodoaldo Antonio da Silva, também está sendo alvo de apuração interna da Polícia Militar. O objetivo da investigação é saber se ele tinha conhecimento que a mulher prestava irregularmente o serviço de médica. Caso fico constatado seu envolvimento, ele poderá sofrer punições da corporação.

Falsa dentista

Na semana passada o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) abriu processo administrativo para apurar a conduta dos responsáveis por um consultório onde trabalhava uma falsa cirurgiã-dentista. O procedimento vai analisar se os proprietários do local acobertavam a fraude.

(Marco Antonio dos Santos)

 

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