Diário da Região

30/10/2017 - 22h30min

Editorial

O combate ao bullying

Se a escola replica a selvageria das ruas, seu nobre propósito cidadão se evapora

A frase da estudante rio-pretense, aluna da rede pública, choca pela contundência da dor moral: “Se eu pudesse eu seria invisível, não seria uma pessoa. Penso que se tivesse aulas em casa não ia ter que sofrer isso. Sempre foi assim, as pessoas me excluindo, eu apanhava na creche. Não fazem trabalho comigo, nunca me chamam para jogar nem para fazer nada, aí eu fico sentada quieta pensando, fazendo uma coisa sozinha”.

Além do enorme desafio de transmitir conhecimento, a escola se depara cada vez mais com a árdua tarefa de combater o bullying, prática antiga nos corredores dos colégios que, não raro, deságua em tragédias como a de Goiânia no último dia 20 de outubro, quando um estudante de 14 anos armado com revólver matou dois colegas e feriu outros quatro dentro da sala de aula - uma adolescente ficou paraplégica. À polícia, o atirador disse estar sendo vítima de bullying.

A tragédia de Goiânia só escancarou um problema silencioso e dramático, que afeta todo o ambiente escolar e também causa estragos profundos no desenvolvimento psicológico dos jovens, tanto entre quem pratica quanto quem sofre o bullying. Por isso são tão importantes as iniciativas de escolas públicas e particulares de Rio Preto para combater essa chaga.

Na Roberto Jorge, da rede municipal de ensino, que fica no Distrito Industrial, além de palestras, todos os alunos terão até o fim do ano para ler o livro “Extraordinário”, que trata do bullying. Na Pio X, estadual, um adolescente de 15 anos chegou arredio ao colégio, depois de ter sofrido perseguição em outra escola. Quatro colegas de sala perceberam e, em vez de reiterar as mesmas práticas cruéis, resolveram acolher o adolescente da melhor maneira possível. “Fomos conversando, descobrimos que ele tinha se mutilado. Passamos a conversar com ele, mostrar um lado diferente, que ele pode ter amigos.” Hoje o jovem superou os traumas do passado e agradece os novos amigos. “Vou levar esse gesto comigo para o resto da vida”, disse.

Iniciativas assim podem e devem ser implementadas em toda a rede de ensino, pública ou particular. Afinal, muito além da função puramente pedagógica, o ambiente escolar tem uma missão profundamente ética, a fim de que se formem cidadãos, e o bullying é um sério entrave a essa tarefa. Não bastam apenas ações pontuais, mas um comprometimento de todo o corpo escolar desde a direção até os alunos. Afinal, se a escola replica a selvageria das ruas, todo o seu nobre propósito cidadão se evapora.

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