Diário da Região

05/10/2017 - 23h20min

Editorial

Condenação comemorada

Marcondes achou a decisão tão boa que resolveu elogiar o juiz que o condenou

Alguma coisa está fora da ordem quando um político é condenado e sai comemorando, com direito a elogios ao juiz, ainda mais se for uma segunda condenação pelo mesmo crime. Acusado pelo Ministério Público de distribuir cestas básicas, materiais de construção, carne, dinheiro e outras dádivas na campanha eleitoral de 2016, por intermédio do seu cabo eleitoral Rogério Martins, o vereador Fábio Marcondes (PR) ficou muito satisfeito ao conhecer a sentença de ação criminal por compra de votos – um ano e 11 meses de prisão em regime aberto, pena convertida em multa de dez salários mínimos e prestação de serviço à comunidade.

Condenado à perda de mandato na esfera cível pelo mesmo juiz em outra ação eleitoral, e com direito a se manter no cargo enquanto recorre, desta vez Marcondes – reeleito com 8.095 votos – reagiu aliviado, já que o promotor havia pedido 4,8 anos de prisão em regime aberto: “Não foi 100% como esperávamos, mas sabemos que se trata de um juiz sério”, disse ao Diário. “Depois de muito tempo é que começa a aparecer a realidade”, afirmou. Ele acrescentou que “na realidade não é tudo isso”, ao celebrar a absolvição sobre parte da denúncia em que foi acusado de omitir gastos de campanha.

Quando afirma que não era “tudo isso”, ao mesmo tempo Marcondes admite que pelo menos alguma coisa houve de errado com sua campanha. Como se fosse possível e natural aos cidadãos de bem aceitar que existe um limite de tolerância para malfeitos, na política ou em qualquer setor da sociedade. Ainda mais em tempos de Operação Lava Jato e de efervescente anseio nacional pela moralização da classe política brasileira, mesmo uma sentença “leve” para fato tão grave seria motivo de vergonha, jamais de comemoração. Para Marcondes, “não é tudo isso”, mas para o bem da população seria preferível o “nada disso”.

Por ironia do tal destino, a pena de prestação de serviços à comunidade imposta a Marcondes condena o vereador a desenvolver uma atividade para a qual ele foi eleito: servir à comunidade, obviamente por vias legais. Engana-se, porém, quem acha que ele ficou plenamente satisfeito, apesar do jeito efusivo com que recebeu a sentença: “A gente quer absolvição; vamos continuar lutando”, disse o parlamentar, que, pela porta dos fundos, entrou para a história como o vereador mais votado de Rio Preto e apenas uma semana depois da eleição entrou no alvo das investigações da Polícia Federal.

Que o desfecho do seu caso e a sua comemoração pelo menos não sirvam de incentivo a outros políticos, muito menos para transmitir a mensagem de que o crime compensa.

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