Diário da Região

05/10/2017 - 21h38min

A polêmica cura gay

Psicologia e Homossexualidade

O tema sempre ressurge em nossa sociedade e alguns incautos confundem convicções pessoais com evidencias científicas

Todos profissionais de psicologia deveriam saber a diferença entre suas convicções pessoais e evidências com base em estudos, entre o que é opinião e o que é ciência. Muitos estudos foram feitos sobre a homossexualidade como desvio de conduta, eu mesma tenho guardado, livros que abordavam este assunto como uma patologia, e que foram escritos à menos de 50 anos atrás.

Mas eis que o tema sempre ressurge em nossa sociedade e alguns incautos decidem que, além de suas habilidades como legislador, médico ou juiz, eles deveriam tratar - e decidir como tratar, questões sobre a sexualidade humana. Literalmente, invadem minha praia.

NÃO HÁ como intervir para “mudar” a orientação sexual das pessoas - só é possível trabalhar as questões emocionais que envolvem essas questões - sofrimentos e preconceitos. Entre outras atrocidades cometidas contra o bom senso e contra as evidências científicas (a definição de orientação sexual distônica é uma fofura), consomem muito tempo e latim para defender o indefensável.

Para melhorar o esclarecimento das pessoas a respeito do assunto, reafirmo as palavras de minha colega Ana Arantes, da Universidade Federal de São Carlos: “Em nenhum momento o Conselho Federal de Psicologia proíbe o psicólogo de intervir clinicamente se um cliente o procura porque não aceita ser gay, ou porque está em crise ou em sofrimento por algum motivo ligado à sua orientação sexual. O que o Conselho proíbe é que se dê status de doença e de transtorno mental a uma condição sexual normal do ser humano."

Há vários outros pontos que poderiam ser debatidos, mas dá preguiça. Se você prefere se aprofundar neste assunto, busque maiores informações científicas por que o senso comum só mostra como temos nos encaminhado para uma sociopatia coletiva sem precedentes e sem indicações para tratamento.

Primeiro, não é o Conselho de psicologia que se posiciona contra a patologização da homossexualidade, é a Organização Mundial de Saúde. O Conselho segue a OMS, assim como todo o sistema de saúde pública do país. E mais:

Embora o Conselho não tenha como impedir que alguém seja ignorante ou imbecil - se o indivíduo quiser ir a Igreja fazer palestra sobre como os gays vão queimar no inferno, ele pode (infelizmente, no Brasil homofobia não é crime tipificado). O que ele NÃO pode fazer é usar o título de psicólogo para avalizar essas asneiras.

 

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