Diário da Região

05/10/2017 - 22h02min

É a Vida

Terezinha ganha novo fôlego para a vida

Após transplante de pulmão e 34 dias no hospital, a mulher de 55 anos pode voltar para casa e para o abraço dos netos, que querem brincar de pega-pega com a avó

Mara Sousa Teresinha de despede do hospital e agradece a todos que a ajudaram durante o processo, cheia de planos para o futuro
Teresinha de despede do hospital e agradece a todos que a ajudaram durante o processo, cheia de planos para o futuro

Um abraço grande e caloroso, maior do que o tamanho de quem o está doando. Um sorriso que não está cabendo no rosto, riso fácil, daqueles que vêm quando não dá para imaginar felicidade maior. Assim é a celebração da vida de Terezinha, 55 anos, moradora de Marinópolis, a 186 quilômetros de Rio Preto. Nesta quarta-feira, 27, ela teve alta após passar por transplante de pulmão.

No documento, é Maria Terezinha Peres Lisboa de Souza, que trabalhou na roça de gado e café com o marido Nivaldo, 56 anos, apaixonado e braço direito da mulher. Eles completaram 33 anos de casados no último dia 8, com uma festa celebrada no hospital. Agora, o casal quer passear. Com os filhos criados - são pais de Adriano, 30, e Jéssica, 26 -, e avós, vão parar primeiro em Aparecida do Norte para que a católica Terezinha possa agradecer as bênçãos que recebeu.

Há três anos, ela descobriu um enfisema pulmonar. Isso foi seis meses depois de largar o cigarro que a acompanhava desde a adolescência. Fez tratamento em Jales e depois foi transferida para o Hospital de Base, onde em 22 de dezembro de 2016 entrou na fila de espera por um transplante.

Foram oito meses de espera. Exatamente. Em uma noite de terça-feira de agosto, o telefone tocou após o jantar anunciando vida nova: o pulmão de Terezinha havia chegado. A dor inevitável da família de uma mulher de 49 anos, moradora de Tanabi, se transformou em boa ação e amor ao próximo.

A cirurgia começou de madrugada. Terezinha acordou de pulmão novo. Ficou 34 dias no hospital acompanhada por um time de cuidadores que se revezaram: a tia Nair, a cunhada Marli, a filha e o marido.

Como o tempo está seco e no sítio tem muita poeira, Terezinha vai curtir um pouco do colo da mãe, em Palmeira D'Oeste. “Casa da mãe também é gostosa, para a mãe cuidar. Ela Chama Maria, tem 80 anos, tem uma saúde que bens a Deus. Sempre cuidou de mim”, derrete-se. Quando a chuva vier, vai para casa, da qual sente saudades.

Dois pares de braços pequeninos a aguardam – dos netos Esther, 6, e Heitor, 3, que agora querem brincar de pega-pega com a avó. “Estou muito feliz”, afirma ela que é pura gratidão. “Agradecer primeiramente a Deus por essa oportunidade que está me dando, à família da doadora, que foi um gesto muito bonito. Está salvando muita vida”, diz. “A equipe (do hospital) se tornou uma família para mim, não tem palavra para agradecer. Os funcionários tratam a gente com tanto amor, carinho. É importante para a recuperação da gente”, fala, emocionada.

Os planos agora são fazer tudo que não podia. “Trabalhar, passear, me divertir”, enumera. Terezinha quer deixar um pouco de lado os afazeres domésticos, incentivada pelo marido e braço direito Nivaldo, de 56 anos. “Já trabalhei bastante, já lutei bastante. Meus filhos já estão casados, vivendo a vida deles. É só eu e o marido vivermos a vida da gente. Era só de casa aqui (hospital), daqui para casa. Tem tanto lugar que quero ir. E rezar, agradecer por tanta coisa boa que aconteceu.”

Terezinha utilizava todos os dias um aparelho de oxigênio. O recipiente em que era transportado era chamado por ela e Nivaldo de cachorrinho. Na manhã desta quarta-feira, 27, fazia três dias e três noites que ele ficava em um canto porque a lavradora não precisava mais. Em seu lugar, chegou a cor rosada no rosto, substituindo a palidez que não conseguia apagar sua beleza. E garante que não vai sentir saudades. “Não vou falar que estou 100%. Ainda cansa caminhar, tomar banho, mas do jeito que estava.”

Atualmente o Hospital de Base tem seis pacientes na fila esperando por um transplante de pulmão. Até o momento foram feitas quatro cirurgias do tipo. O primeiro paciente, Antonio Pelaio Dias, 54 anos, está bem. O segundo e o terceiro, Jose Carlos Ambrósio, 41, e Antonio Benedito de Lima, 59, morreram.

Para Terezinha e para a equipe, seu caso é uma vitória. “A equipe teve algumas dificuldades ao longo do ano e um bom caso como o dela faz que a gente renove as esperanças que está fazendo um bom trabalho. A gente espera conseguir manter esse bom trabalho para os próximos pacientes”, fala Henrique Nietmann, chefe do serviço de transplante de pulmão.

A história dela foi contada pelo Diário no primeiro dia de 2017. A matéria "Conheça histórias de gente que enfrenta a dura rotina de esperar" trazia relato de Terezinha colhido no dia em que ela entrou na fila pelo transplante.

Dizia: "Que 2017 seja cheio de realizações e de esperas lindas. Elas podem trazer angústia, mas o sorriso que todos sonham em ver nesses e em todos os rostos devem compensar todo o tique-taque arrastado do relógio. Que neste novo ano que começa neste domingo, o Diário possa noticiar que os personagens desta reportagem encontraram tudo que esperavam."

Essa espera acabou. Em um ano tão turbulento, em que se fez necessário dar tantas notícias tristes (mortes, perdas na saúde, desvios de recursos), que bom poder contar uma vitória. Que Terezinha pode continuar distribuindo seus abraços calorosos e encantando todo mundo ao seu redor com sua energia positiva.

Agora, o que ela mais quer é viver muitos anos, manter distância do setor de internação e voltar para perto do marido e da família. “Vivendo e agradecendo a cada dia. Estou muito feliz, deu tudo certo, glória a Deus. Estou com saudade de casa e dos netos. Estão me esperando.”

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