Diário da Região

05/10/2017 - 22h00min

Solidariedade

Davi ganha gerador que vai ajudá-lo a respirar

Em poucas horas após publicação da notícia e chegada do jornal às bancas, a família recebeu ligações de pessoas querendo ajudar

Johnny Torres Davi, de três anos e meio, rodeado pela mãe Jaciane e pelo irmão Thiago
Davi, de três anos e meio, rodeado pela mãe Jaciane e pelo irmão Thiago

O pequeno Davi Mota Schlemmer, de três anos e meio, conseguiu na manhã desta sexta-feira, 1º, o gerador que precisava para continuar respirando em casos de queda de energia. A doação aconteceu na mesma manhã em que o Diário mostrou sua história na edição impressa e também pela internet. Um casal se comprometeu a comprar o equipamento e um técnico em geradores também vai ajudar.

Davi tem um câncer no cérebro e precisa de aparelhos para respirar. No último dia 13, uma queda de energia de cerca de meia hora deixou em pânico a mãe dele, Jaciane Vida Mota, dona de casa de 38 anos. Ela teve que aspirar com uma seringa as secreções das vias respiratórias do pequeno. Além desse problema, ele também ficou assustado com o escuro.

O convênio médico disponibiliza todos os equipamentos que o menino precisa e também um nobreak para quando falta a energia, mas a bateria não consegue sustentar o aspirador. Os outros aparelhos continuam funcionando por até três horas, mas o que suga as secreções de Davi desliga e ele pode sufocar.

Um casal resolveu doar o equipamento, mas a história contada pelo Diário comoveu outras pessoas. Um homem de 36 anos que trabalha com geradores vai dividir o custo do equipamento com o casal. Os três vão comprar também um painel automático, para que o aparelho ligue sozinho em caso de falta de energia e a família não se preocupe com isso. Ele e um eletricista foram até a casa de Davi verificar a voltagem de todos os equipamentos que ele utiliza para comprar o gerador adequado, que já foi encomendado à fábrica. "Até quarta ou quinta-feira está chegando para a gente fazer os testes para poder instalar", diz o homem.

Jaciane diz que está feliz. “Uma sensação de alívio, paz. Todas as noites eu orava para não faltar energia. Não vou mais precisar sair correndo toda vez que faltar. Meu filho vai estar em segurança. Isso é maravilhoso”, comemora a mãe.

O tumor de Davi foi diagnosticado quando ele tinha um ano e oito meses de vida. A criança perdia o equilíbrio com facilidade, tinha dores de cabeça e vomitava. Foi levado a médicos que diziam que o pequeno tinha virose ou refluxo. Quando ele levou um tombo e não conseguiu mais levantar, foi atendido no Hospital da criança e Maternidade (HCM), onde o tumor foi constatado.

Desde então, foram nove cirurgias. O tumor chegou a ir embora, mas voltou maior que antes. Na última operação, não foi possível remover todo o câncer pois está em uma área de difícil acesso no cérebro. Porque parte da massa encefálica foi afetada pela cirurgia, Davi ficou com sequelas. Ele não anda, não fala por causa de uma traqueostomia e ficou vesgo dos dois olhinhos – está se recuperando deste problema.

Todos os dias, faz tratamento quimioterápico para evitar que o tumor se desenvolva mais. A cada três semanas, vai ao HCM para acompanhamento. Os cabelos estão ralos, mas o sorriso não. Davi entende o que as pessoas falam, é inteligente, gosta de jogar no seu tablet e de brincar de massinha enquanto assiste à televisão.

A família mora no Maria Lúcia. O pai, Waldir Schlemmer, 45 anos, é motorista de caminhão.Thiago, de dez anos, é o irmão mais velho e muito carinhoso por quem Davi é apaixonado. Todos vivem com o salário de Waldir, de R$ 2,5 mil por mês, mais a renda extra que Jaciane consegue vendendo bolos e doces no hospital. Davi precisa de fraldas de um alimento especial para a sonda – segundo a mãe, cada lata em Rio Preto custa a partir de R$ 60 e ele consome 16 a cada mês. Por esses fatores, não era possível comprar o gerador.

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