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Cinquenta anos, dezoito mil jovens e contando...

Em meio século de existência, esse é o saldo de adolescentes preparados e encaminhados para o mercado de trabalho pela Associação Rio-pretense de Promoção do Menor (Arprom). Atualmente, são atendidos 400


    • São José do Rio Preto
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Em 50 anos, já passaram pela Associação Rio-pretense de Promoção do Menor (Arprom) 18 mil adolescentes. Atualmente, 400 deles têm ou buscam a oportunidade de ter o primeiro vínculo empregatício formal. Fundada em 24 de outubro de 1967, a instituição tem o objetivo de preparar e encaminhar os jovens para o mercado de trabalho.

Caso de Emily Isabely, de 15 anos. Há um mês, ela frequenta a convivência, como é chamado o período de três meses em que os menores fazem cursos de auxiliar de administração ou reposição de estoque. Em julho, ela descobriu um linfoma, tipo de câncer, no joelho, e passa por quimioterapia a cada 21 dias. As atividades têm ajudado durante o tratamento.

“Estava me sentindo sozinha porque estava em casa sem fazer nada. Me acolheram muito bem, não fizeram nenhuma brincadeira de mau gosto. Vir para a Arprom foi uma coisa maravilhosa. Aqui eu converso, aprendo coisas novas”, descreve a aluna do nono ano do ensino fundamental.

A partir da esquerda, os estudantes Raquel, Edson, Emily e Samuel  (Foto: Mara Sousa)

Emily diz que qualquer oportunidade de trabalho será bem-vinda no momento, mas seu sonho é ser pedagoga. “Levava minha irmã na escola e via aquelas professoras cuidando de um monte de criança. Fui me apaixonando”, lembra.

Samuel Pedro de Morais Carvalho, 17 anos, trabalha há oito meses como separador em uma loja de autopeças e está gostando da primeira experiência de trabalho. Com o pagamento de um salário mínimo, ele consegue comprar o que deseja e ajudar a família nas contas de casa. “Ensina bastante coisa, não só para o mercado, mas para a vida. A empresa vê que você está aprendendo”, diz. Seus planos para o futuro são cursar faculdade de educação física.

História

A Arprom foi fundada atendendo 50 meninos de 12 a 14 anos selecionados entre os que frequentavam as praças centrais da cidade, trabalhando principalmente como engraxates. Por meio de uma parceria com a Polícia Militar, eles passaram a atuar como auxiliares de trânsito, surgindo daí o apelido de “guardinhas”. Em 1980, já havia 450 menores no efetivo. Na década seguinte, eram 750. Atualmente, mantém parceria com a Prefeitura de Rio Preto para manutenção das atividades.

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Aícro Júnior/Editor de Arte)

A Arprom atende também meninas. O foco principal são os alunos que estejam em situação de vulnerabilidade social. É preciso ter 14 anos completos e frequentar a escola. A fila de espera para quem estuda durante o dia é de 300 pessoas. Já as inscrições para quem frequenta a escola no período noturno estão abertas.

Além do curso direcionado para cada área, os adolescentes também contam com reforço escolar, matemática, português e inglês, além de visitas a locais históricos, como a biblioteca, e atividades culturais e educativas.

Ao todo atuam 21 profissionais, inclusive psicopedagoga, psicólogo e educadores sociais. Depois do curso, o menor é encaminhado para o mercado - dependendo da demanda das empresas, isso pode ocorrer antes dos três meses. O contrato com a firma tem duração de dois anos. Segundo a coordenadora Maria Luiza Bueno, 80% dos jovens são definitivamente incorporados ao quadro de funcionários da empresa quando termina o período de aprendizagem.

“Para o jovem essa oportunidade de trabalho é importante porque eles têm o pontapé inicial. É muito difícil uma empresa dar oportunidade”, fala ela. A coordenadora diz que não há sonho difícil demais de ser realizado. “A partir do momento que estão aqui dentro têm a possibilidade dos sonhos. A gente abre esse leque. Ele consegue e ele pode.”

Determinação

Em 2016, o Ministério Público do Trabalho (MPT) apontou que a Arprom não estava cumprindo o que determina a lei do menor aprendiz de oferecer o curso profissionalizante em conjunto com o trabalho do adolescente. Segundo a assessoria do órgão, a entidade assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), apresentou documentos e nova auditoria foi feita no último mês. Nada de irregular foi constatado e o MPT continuará acompanhando o caso.

Cláudio Santos de Moraes  (Foto: Guilherme Baffi)

ANÁLISE 

Cláudio Santos de Moraes, promotor de Justiça, que foi aluno da Arprom

‘Contribuiu na minha juventude’

Eu acho que a Arprom é uma instituição de muita importância para São José do Rio Preto. Sua durabilidade, ou seja, o tempo que ela existe na cidade demonstra a sua importância.

Ela contribuiu muito na minha juventude, na minha adolescência. Quando entrei tinha de 12 para 13 anos, e lá eu aprendi coisas boas, conhecer a cidade, desenvolver trabalho. Acho muito importante essa experiência. E uma das coisas que acho importante da Arprom é que pega o adolescente com a condição dele permanecer estudando.

Não foi o meu primeiro emprego porque sempre trabalhei quando criança. Quando entrei na associação, era engraxate na praça Ruy Barbosa, no Centro de Rio Preto. Depois, fui office boy de algumas empresas por meio da associação. Foi bem no início da Arprom, tanto que meu tempo de serviço contado é 50 anos.

A Arprom praticamente se responsabiliza ao colocar o adolescente numa empresa. Orienta, prepara o jovem e é responsável pelo vínculo de trabalho.

Seria importante que a Arprom tivesse condições de atender uma demanda ainda maior, pois sua participação na sociedade tem um reflexo muito grande na cidade. É uma forma de retirar o menino da rua e dar ocupação para ele.