Diário da Região

25/10/2017 - 20h33min

A SAGA DE ALICE

Depois de quatro meses, Alice tem alta médica e chega em casa

A menina ficou quatro meses internada no Hospital Sepaco, em São Paulo, onde passou por cirurgias para correção de malformação congênita na coluna

Alexandre Souza/Folha da Região - 25/10/2017 Alice chega com o pai ao aeroporto de Araçatuba e é recepcionada pela mãe e a avó
Alice chega com o pai ao aeroporto de Araçatuba e é recepcionada pela mãe e a avó

O dia 24 de outubro foi de muita emoção para Agnaldo Escalambra, de 40 anos, e Sabrina Aparecida Gomes, 24. Isso porque a pequena Alice, que completará um ano no próximo dia 31, recebeu alta médica e, finalmente, voltou para casa, em Penápolis. A menina ficou quatro meses internada no Hospital Sepaco, em São Paulo.

Na unidade, ela passou por cirurgias para correção de malformação congênita na coluna chamada mielomeningocele - quando as meninges, a medula e as raízes nervosas ficam expostas. A medula sofre esta exposição, geralmente, na região lombar e fica revestida apenas pela camada de pele, formando uma espécie de 'bolha' no local.

A volta para casa ocorreu no final da tarde de ontem, por volta das 18h, quando um avião equipado com recursos de alta complexidade decolou do aeroporto de Congonhas. Por volta das 19h20, o avião pousou no aeroporto Dr. Ramalho Franco, em Penápolis, para alegria dos familiares. Uma ambulância com UTI Móvel fez o transporte da pequena até a residência dos avós maternos, no bairro Cidade Jardim.

"Trazer minha filha de volta para Penápolis é o melhor presente", disse Sabrina. "Ver que a cada dia minha filha está se recuperando é a maior recompensa que podemos ter", acrescentou Agnaldo.

CIRURGIAS

Em 14 de julho, a menina passou pela cirurgia da mielomeningocele. Três dias depois, os médicos tiveram de fazer outro procedimento, pois houve vazamento de um líquido nas costas da menina. A equipe tentou fazer a correção, entretanto, a menina teve uma parada cardiorrespiratória e a cirurgia precisou ser adiada.

No dia seguinte, com quadro estável, Alice foi levada novamente ao centro cirúrgico. Além de estancar o vazamento, foi preciso retirar alguns músculos do próprio corpo da bebê para fazer um enxerto na coluna. Após isso, em 16 de setembro, Alice fez a cirurgia para correção de fenda palatina.

transferência

A bebê foi transferida do Hospital e Maternidade Sepaco para o Beneficência Portuguesa, para fazer o procedimento. Além da fenda palatina, a equipe médica fez a liberação de um músculo da língua que estava preso na garganta, problema que só foi descoberto durante a cirurgia.

CASO

Desde seu nascimento, a menina lutava contra a malformação. A cirurgia, único meio de correção, deveria ter sido feita na menina logo após seu nascimento, mas outros problemas apresentados por Alice acabaram adiando o tratamento. Além da mielomeningocele, a bebê tinha fenda palatina. Alice nasceu prematura de sete meses, com o intestino aberto. Por isso, passou por cirurgia para corrigir o problema.

Meses depois, desenvolveu hidrocefalia e foi submetida a novo procedimento cirúrgico, onde foi implantada uma válvula no cérebro para drenar o líquido. Aos quatro meses, os médicos observaram que ela estava com problema respiratório e foi feita uma traqueostomia. Depois, a menina teve uma pneumonia bacteriana e uma trombose no corpo do seio esquerdo do coração.

Em junho, a Folha publicou reportagem relatando o drama da família. Na época, a Delegacia de Araçatuba do Conselho Regional de Medicina de São Paulo informou que analisou o prontuário e verificou que todo atendimento prestado "tinha sido adequado ao caso". "A cirurgia para a correção da miolomeningoceli não foi realizada até o momento devido ao fato de a criança não ter condições clínicas, em função da complexidade do caso e não pela falta de profissionais especializados ou recursos tecnológicos", afirmaram.

VENDA

A busca em conseguir dinheiro para a filha fazer a cirurgia chegou ao ponto do casal colocar a residência onde moravam à venda. O dinheiro do bem, no entanto, não era suficiente para custear a cirurgia, já que faltavam R$ 90 mil para quitar o financiamento.

Agnaldo encontrou o deputado estadual Roque Barbiere (PTB) no Hospital Unimed Araçatuba e pediu ajuda dele para que a criança fosse encaminhada para a capital paulista, na esperança de passar pela cirurgia.

Imediatamente, o parlamentar, que estava visitando um familiar na unidade, entrou em contato com o médico anestesista e diretor-superintendente da Unimed Birigui, Cleudson Garcia Montali, que conversou com a equipe médica de Araçatuba para buscar o encaminhamento da bebê para outro hospital. A transferência da menina para o Hospital Sepaco foi feita em 26 de junho.

Justiça manda Unimed custear transporte aéreo e home care

Além de custear a remoção da pequena Alice para Penápolis por meio de transporte aéreo, a Justiça determinou que a Unimed Seguros S/A providenciasse, em três dias, home care para o imóvel onde a pequena Alice residirá. Em caso de descumprimento, a seguradora pagaria multa diária de R$ 1 mil. A liminar, do juiz Heber Gualberto Mendonça, foi publicada no último dia 19. Cabe recurso.

Na decisão, o magistrado citou que, o home care deve constar os atendimentos com profissionais de fisioterapia para que a menina receba fisioterapia respiratória e motora duas vezes ao dia com aspiração da traqueostomia; atendimento de fonoaudióloga para o completo desmame da traqueostomia e acompanhamento quinzenal com pediatra e com nutricionista.

Ainda conforme a liminar, os custos para a autora com a remoção aérea - já incluídos os equipamentos e equipe médica - seria de aproximadamente R$ 30 mil e o atendimento domiciliar, de aproximadamente R$ 35 mil mensais.

AUTORIZADO

Em nota, a Unimed Seguros S/A informou que "todos os recursos e procedimentos solicitados para o tratamento da paciente, em âmbito hospitalar, foram autorizados pelo plano de saúde".

A seguradora acrescentou que "todos os custos da remoção foram cobertos pelo plano contratado e que a criança continuará o tratamento em sua residência, que já está com todos os recursos necessários ao seu atendimento instalados e cobertos pelo plano contratado".

Drama da família mobilizou campanhas

O drama vivido pela família de Alice gerou diversas mobilizações na busca de recursos para a família. Uma campanha virtual, idealizada por um internauta de Birigui com consentimento dos pais da menina, foi desenvolvida para ajudar na arrecadação dos R$ 90 mil para a cirurgia. Criada em 23 de junho e encerrada em 21 de setembro em um site de financiamento coletivo, até ontem havia sido arrecadado R$ 2.455,00.

Em São José do Rio Preto, foi realizado o "Show da Vida", em 25 de julho, no The Club JK, que arrecadou mais de R$ 50 mil. A renda foi destinada para a menina.

A história da família chamou a atenção de artistas, produtores e empresários do setor musical que, por um grupo no Whatsapp, compartilharam a reportagem.

O evento contou com a participação das duplas Zé Neto & Cristiano, Juan Marcos & Vinícius, Victor & Garcez, Pedro Henrique & Rafael, Marquinho Guerra, Amanda Victória, Grupo Loka e DJ Einstein. Cerca de 1,2 mil pessoas prestigiaram o evento que contou, além das apresentações, de um leilão com algumas peças, como uma jaqueta do Cristiano, que forma dupla com Zé Neto, um violão autografado pelos dois, uma champagne da marca perrier jouet e uma fivela da dupla Fiduma & Jeca.

Uma conta bancária foi aberta para angariar recursos, que foram usados pelos pais durante o período que estiveram em São Paulo, acompanhando o tratamento da filha.

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