Diário da Região

30/09/2017 - 17h26min

NO CAMINHO DO BEM

Rio-pretenses descobrem novos valores no Caminho de Santiago

Movidos pela fé e pela experiência única de atravessar uma região a pé ou de bicicleta, diversas pessoas já saíram da cidade e foram até a região espanhola

Arquivo pessoal O ortodontista Roberto Lima Filho n o Caminho de Santiago: Refleti sobre a simplicidade 
e a busca do essencial como formula de felicidade
O ortodontista Roberto Lima Filho n o Caminho de Santiago: Refleti sobre a simplicidade e a busca do essencial como formula de felicidade

Combinar caminhadas ou pedaladas com fé e gratidão tem sido cada vez mais comum entre os brasileiros. Segundo dados da Catedral de Compostela, o Brasil ocupa a 11ª posição no ranking de nações que mais enviam peregrinos para a rota milenar que cruza o norte da Espanha.

Em Rio Preto, diversas pessoas já saíram da cidade e foram até a região espanhola para percorrer 800 quilômetros, e, a cada ano que passa, o trecho ganha mais amigos brasileiros. Em 2016, por exemplo, o aumento foi de 98% em relação aos últimos cinco anos.

Para o autor do livro O Guia do Viajante do Caminho de Santiago, Daniel Agrela, a expedição não é uma viagem, mas, sim, um projeto de vida. “Ao longo de 30 dias, o peregrino tem a oportunidade de buscar a si mesmo. É a forma com que muitas pessoas recorrem para virar a página e encontrar novos significados para suas vidas”, diz o escritor, que aconselha ao viajante, em média, 30 dias para percorrer todas as etapas do trajeto.

O ortodontista rio-pretense Roberto Lima Filho havia planejado começar o Caminho no dia de seu aniversário em 2009. “Seria uma maneira de celebrar a benção de estar vivo em mais um 8 de abril”, diz. No entanto, a baixa temperatura na região nessa época do ano fez o dentista esperar mais um mês. E, assim, no dia 12 de maio de 2009, ele iniciou, sozinho, a sua caminhada.

“O contato com as pessoas que fizeram o percurso que me fez tomar a iniciativa. Voltaire disse: ‘O ouvido é o caminho do coração’”, conta o ortodontista, que durante o trecho notou o mesmo sentimento em todos os relatos. “Foi uma experiência muito rica, cheia de significados, uma viagem diferente do que comumente a gente faz”, destaca.

Roberto optou pelo ‘Caminho Francês’, que é a rota mais popular e com maior estrutura para receber os peregrinos. Ele iniciou a caminhada em Saint-Jean- Pied-de-Port (França) e, após 32 dias, percorreu 800 quilômetros e ate chegar à cidade galega de Santiago de Compostela.

Durante o trajeto, as maiores dificuldades foram os trechos de montanha, terrenos irregulares, subidas e descidas. “Tive também a experiência do mínimo: passar 32 dias com apenas uma mochila, dormir em albergues, algumas bolhas e cansaço que não representaram desânimo nem me pareceram dificuldades”, disse.

Para Roberto, o ganho da vivência interior e do autoconhecimento fizeram com que tudo isso ficasse pequeno. “Conheci peregrinos espetaculares nos abrigos, que eram simples e encantadores. Estávamos todos na mesma condição e, certamente, com os mesmos objetivos. Eram pessoas com histórias incríveis de vida. Sozinhos, casais, filhos e pais, acompanhados com cães, de bicicleta repetindo o Caminho ou voluntários que, por amor e solidariedade, ajudam aos peregrinos”, conta o viajante, que disse que ao mesmo tempo que se sentia sozinho, também estava acompanhado e envolvidos por boas energias.

Ao chegar em seu destino, o ortodontista relatou ter um sentimento maravilhoso. “Deus foi bom comigo, senti sua presença durante todo o Caminho. Aqueles cinco quilômetros foram mágicos, a todo instante me emocionava ao imaginar a proximidade da Catedral e lembrar os passos que me levaram até ali. Momentos de felicidade que não gostaria que acabassem tão cedo, que desejaria para a eternidade. Refleti sobre a simplicidade e a busca do essencial como formula de felicidade”, explica Roberto, que aguarda uma nova oportunidade para repetir a experiência. (Colaborou Arthur Avila)

O trajeto sobre duas rodas

Além de percorrer a tradicional rota a pé, peregrinos de todo o mundo também recorrem à bicicleta para fazer o Caminho de Santiago. É o caso do cirurgião plástico rio-pretense Ítalo Bozzola Filho, que fez o trajeto sobre duas rodas, em 2009, acompanhado da mulher e mais dois casais.

O médico ficou sabendo do Caminho por meio de um amigo. “Como eu andava de mountain bike, surgiu a ideia de fazer o trajeto de bicicleta, que é uma das possibilidades, assim como a cavalo”, conta Ítalo.

“Quando você entra no ritmo, a questão da fé fica muito forte, aflora porque você convive com os peregrinos, com as igrejas”, explica.

O grupo percorreu a rota francesa e passou por diversas cidades e povoados num período de 14 dias, percorrendo um total de 875 quilômetros. Para a preparação, calcularam o material que carregariam e as roupas apropriadas para o pedal, a fim de evitar o sobrepeso.

“Outra coisa importante foi ter preparado a logística do Caminho, que foi programar uma rota e destino diariamente e cumprir a meta do dia para terminar todo o trajeto no prazo estipulado”, diz o rio-pretense.

“Havíamos pensado em 15 dias, porque íamos parar o dia todo em León para descansar. Mas estávamos empolgados e, então, resolvemos seguir o Caminho”, conta.

Durante o trajeto, o cirurgião plástico contou que é possível avistar pessoas do mundo todo fazendo o Caminho. “Foi lindo observar as diferentes vestes, roupas, uma experiência incrível”, diz Ítalo, que não teve nenhum imprevisto com seu grupo.

“Aconteceram apenas algumas coisas como aro quebrado, pneu furado, mas você tem assistência mecânica e reparo em qualquer povoado pelo trajeto. Além disso, você percebe que tem muita gente que vive do Caminho, donos de restaurantes, pousadas, hotéis, albergues”, conta.

Ao final, o choro e a emoção tomaram conta dos rio-pretenses. “Foi uma das emoções mais fortes que já tive, sensação de plenitude, de desafio cumprido. Uma satisfação enorme em chegar à Catedral de Santiago de Compostela”, relata o médico.

Agora, Ítalo e o grupo que viajou para Santiago estão se preparando para refazer o Caminho em 2019, em comemoração aos 10 anos da rota.

Fé e cultura

O Caminho de Santiago começou a fazer história quando, há 12 séculos, foram encontrados os restos mortais do apóstolo Tiago – que hoje estão na igreja da cidade de Santiago de Compostela.

Em 1987, esse trajeto foi declarado Primeiro Itinerário Cultural Europeu e, mais tarde, Patrimônio da Humanidade. Hoje, deixou de ser um roteiro percorrido apenas por religiosos e passou a fazer parte do destino de pessoas que têm como foco o autoconhecimento.

No Facebook, uma comunidade reúne mais de 55 mil pessoas a fim de compartilhar experiências e curiosidades do trajeto: www.facebook.com/OCaminhodeSantiago.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso