Diário da Região

30/09/2017 - 17h29min

Painel de Ideias

A pergunta sem resposta

Alguém lhe perguntou certa vez o que é que, afinal, ele fazia todo sábado no calçadão: - Encontro as pessoas, elas me perguntam se está tudo bem e eu pergunto a mesma coisa para elas

Pense em quantas pessoas já lhe fizeram, hoje, a pergunta clássica:

– Olá, tudo bem?

E tente lembrar-se a quantas delas você, em vez de responder, retribuiu com a mesma pergunta:

– Tudo bem com você?

A mais prosaica e corriqueira das modernas saudações informais que as pessoas trocam entre si não significa nada. Não é uma pergunta, porque não requer resposta. Não é a expressão de um desejo positivo porque não provoca sequer um mísero ‘muito obrigado’...

Na correria dos dias, quando as pessoas se cruzam na rua, dentro do elevador ou no corredor de um ambiente de trabalho, esse é o comportamento padrão. Aqueles que se atrevem a navegar pela lógica e resolvem responder a um ‘tudo bem?’ são os anormais, os chatos.

– Puts, aquele cara é tão chato que você pergunta se está tudo bem, ele para e explica!!! – costumava-se consolidar no exemplo a gênese dos inconvenientes.

O publicitário aposentado Paulo Saraiva manteve, durante anos, o hábito de comparecer ao calçadão nos sábados de manhã, onde se encontrava com amigos, jogava conversa fora e exercitava uma notável habilidade de comprovar a insensata inocuidade das saudações casuais. Alguém lhe perguntou certa vez o que é que, afinal, ele fazia todo sábado no calçadão:

– Encontro as pessoas, elas me perguntam se está tudo bem e eu pergunto a mesma coisa para elas.

Uma vez, Saraiva decidiu aproveitar a troca estéril de ‘tudo bens’ para uma experiência antropológica, sei lá. Ficou esperando que cruzassem o seu caminho e fizessem a indagação esperada:

– Tudo bem?

– Não!!!

No mais das vezes, a resposta inusitada não provocava mais do que um olhar esquisito do interlocutor, que se limitava a um rápido sorriso e seguia o seu caminho.

Mas, convenhamos, é melhor mandar um ‘tudo bem’ sem resposta do que aquela clássica reação de uma outra categoria de chatos – os irremediavelmente mal humorados.

– Bom dia!

– Bom dia, por quê?

Mais criativa era a resposta do gerente geral da Coca Cola em Rio Preto entre 1973 e 1990, José Carlos Vieira. Seu contemporâneo na fábrica, Paulo Pini, de quem era um amigo pessoal além de companheiro de trabalho, contava que bastava alguém se aproximar e disparar a pergunta para Vieira sair-se com a frase que se tornou uma das marcas de seu imperturbável e sarcástico bom humor:

– Bom dia, dr. Vieira, tudo bem?

– Olha, eu acho que está tudo bem, sim. Mas vou logo avisando que eu sou muito mal informado...

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