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Editorial


Omissões que gritam
Quarta, 20/09/17, às 22:34, por
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Depoimentos importantes colhidos esta semana pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os milionários contratos de coleta de lixo doméstico, faxina urbana e recolhimento de resíduos da saúde em Rio Preto relevaram um cenário de extrema gravidade. A concessionária Constroeste, que entre 2009 e 2016 recebeu R$ 262 milhões repassados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, passou os dois mandatos inteiros do governo Valdomiro Lopes fazendo de conta que era fiscalizada, enquanto a Prefeitura se encarregava de fazer de conta que fiscalizava.

“A fiscalização sempre existiu e existe. Agora, comparando Rio Preto com outras cidades, provavelmente tem limitações de recursos, de gente, de veículos, que precisa ser melhorado”, disse o diretor da Constroeste, Denner Fernandes Beato. “Temos o controle de tudo que foi feito pela empresa”, garantiu aos vereadores para, em seguida, dizer que “não dá nem para saber quantas bocas de lobo tem na cidade”. Questionado sobre a quantidade de caminhões usados na faxina urbana, disse que era maior que os 24 previstos em contrato, mas não soube informar quantos nem forneceu documentos.

Mais interessante ainda foi o depoimento do ex-secretário de Meio ambiente, Clinger Gagliardi. Segundo ele, os fiscais “viam” os caminhões nas ruas. Simples assim. O ex-secretário reconheceu que a administração “pecou” na fiscalização “em termos de quantidade de fiscais”. Sobre o aterro sanitário, confessou: “Eu realmente não tinha fiscal fixo lá em Onda Verde, não fui autorizado, não tinha como fazer para deixar alguém lá dentro. Mas a fiscalização existia”. E se entregou ao simplismo e escancarou o amadorismo do controle da Prefeitura ao afirmar que acreditava “na boa-fé” da empresa.

Com um singelo desenho numa folha, Gagliardi acabou se enrolando ainda mais ao tentar explicar como um caminhão da empresa conseguia, em apenas seis minutos, carregar lixo em Rio Preto e descarregar a 30 quilômetros de distância. Situações assim foram registradas 40 vezes no ano de 2014. Ele alegou que nesses incríveis seis minutos as carretas eram carregadas bem ao lado do aterro, em uma área de transbordo improvisado para depósito de uma espécie de “sobra” do mês. Uma atitude que, segundo a CPI, caracteriza mais uma ilegalidade, uma “pedalada” no contrato do lixo.

O ex-secretário fez uma revelação no mínimo sinistra: a Prefeitura escondeu o recolhimento de uma anta morta no bosque. “Na época, não podia divulgar, estava com doença contagiosa. Colocaram no saco e levaram embora”. E para finalizar, o ex-prefeito Valdomiro Lopes passou o tempo todo ontem dizendo na CPI que não sabia de nada e fazendo de conta que o problema nunca foi com ele. Como se vê, mistério é o que não falta nesse contrato. Que a CPI tenha força e lucidez para sacudir esse tapete. Para o bem de Rio Preto.

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