Diário da Região

30/09/2017 - 19h49min

É A VIDA

O macramê do senhor Fausto

Lavrador aposentado de Bálsamo aprendeu com a mulher a fazer tipo de tecelagem que embeleza toalhas de banho e outras peças; ofício garante saúde física e emocional para o idoso de 88 anos

Millena Grigoleti 16/9/2017 Fausto Galbiati em seu ambiente de trabalho, na cozinha de casa, na área central de Bálsamo: passatempo garante saúde
Fausto Galbiati em seu ambiente de trabalho, na cozinha de casa, na área central de Bálsamo: passatempo garante saúde

Fausto Galbiati, 88 anos, ocupa o corpo e a mente transformando novelos de linha de crochê em obras de arte. Durante mais de sete horas por dia, ele se dedica ao macramê, tipo de tecelagem manual em que desenhos formam-se por meio de cruzamento dos fios, que ficam presos com nós. São feitos caminhos de mesa, toalhas e enfeites.

A técnica foi ensinada há cerca de uma década pela esposa Palmira, com quem compartilhou a vida por 69 anos, até a morte dela há quatro por causa de complicações de problemas renais. "Ela pegava encomenda, e eu, como não tinha nada que fazer, comecei a ajudar e aprendi."

No Dia do Idoso, comemorado neste domingo, 1º de outubro, ele tem vários motivos para celebrar. Cumpre os afazeres domésticos, como cozinhar e arrumar a cama, tem boa memória e é cercado pela família. Vive em uma casa no Centro de Bálsamo. A única restrição é não andar muito. Há cerca de 20 anos, ele sofreu um acidente em uma rodovia e machucou o joelho, por isso muito esforço representa risco de infecção e dor.

Fausto começa a tecer por volta das 07h30, depois de tomar seu café da manhã. Três horas depois, interrompe para fazer o almoço, come e vai descansar. Entre 13h30 e 14h, lá está ele sentado à mesa novamente, onde permanece até as 16h30, quando vai tomar banho e jantar. Por volta das 19h30, retorna o trabalho por mais duas horas. "É com isso que tenho saúde e passo o tempo."

Entre uma peça e outra, o aposentado lava a própria roupa, coloca para secar no varal, arruma a cama, dirige e assiste “Chiquititas”, a única novela de que gosta. Ele utiliza óculos e garante que consegue enxergar bem com eles, inclusive à noite.

Nada é desperdiçado no trabalho. Se sobra um pedaço de linha, Fausto utiliza em outros produtos, formando assim, por exemplo, toalhas multicoloridas.

Ele criou os quatro filhos, que hoje se revezam para cuidar dele, com a roça. Na zona rural de Estrela d'Oeste, plantava milho, arroz, café. Depois do acidente de trânsito do qual saiu ferido, vendeu as propriedades rurais. Ele e a mulher moravam na cidade em Palmeira d'Oeste, e ele viajava para trabalhar. Quando Palmira morreu, ficou morando sozinho na cidade, tendo chegado em Bálsamo há dois anos, após insistência dos filhos, que queriam cuidar melhor do pai. Lá, ele tem assistência diária de uma das filhas e recebe sempre a visita dos outros. Foi uma delas, Maria Izabel, que contou ao Diário sobre o pai. A reportagem foi recebida por ela, seu marido e a irmã Kátia.

O aposentado confecciona diversos itens em macramê, como toalhas de banho, rosto e decorativas. Na casa dos familiares, há várias peças feitas por ele. Fausto é pai de uma família composta por quatro filhos, 12 netos e onze bisnetos. Atualmente, ele está tecendo o enxoval de uma neta.

Em sua própria casa, itens feitos por ele e por dona Palmira, que chegou a dar aulas de artesanato, estão por todos os cantos. Ela fazia macramê antes de saber o que era isso. Quando foi montar seu enxoval, era usual fazer peças de mesa para a casa usando os sacos de açúcar. "Ela desfiava e amarrava para ficar bonito. Era o macramê. Depois começou a vir as revistas, ela falou 'isso eu amarrava quando era solteira'", lembra Fausto.

A inspiração para os traçados que hoje ele desenvolve vem de revistas específicas sobre a tecelagem. Ele só pega encomendas e não tem produtos a pronta entrega. Quem escolhe o desenho é o cliente, que fornece o material.

Se uma toalha ocupa dois dias de Fausto, o caminho de mesa, com mais de um metro, leva dois meses para ficar pronto – o tempo de fazer dois jogos de toalha. Este, o mais difícil de se fazer, não existe nas revistas e é o aposentado que inventa o traçado. Ele começa pelo meio e depois faz as beiradas da peça.

Na mesa da cozinha, além da linha e da agulha utilizada para corrigir eventuais erros, há um pedaço de madeira e uma garrafa de refrigerante cheia d'água, que coloca para apoiar a peça que está tecendo. "Se não for firme atrapalha", explica.

O idoso é perfeccionista. Quando a reportagem o visitou, ele buscou os materiais e começou a tecer o macramê. Durante a entrevista, viu que passou uma linha de forma errada. Enquanto conversava, encontrou a vilã de seu desenho e pôde refazer o traçado. Durante o bate-papo, os olhos constantemente se voltavam para o trabalho.

Se não tem encomenda, seu Fausto não se importa. "Faço para mim. Às vezes elas (filhas) me compram toalha, trazem sempre. Sobra linha, eu faço. Se ficar parado, fico doente. Não fico sem o macramê."

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