Diário da Região

18/09/2017 - 23h52min

CPI do Lixo

Ex-secretário admite falta de fiscal em aterro

Em depoimento de quatro horas na CPI do Lixo da Câmara de Rio Preto, Clinger Gagliardi admite que "administração pecou" na fiscalização de serviços prestados pela Constroeste

Mara Sousa O ex-secretário de Meio Ambiente Clinger Gagliardi em depoimento à CPI do Lixo nesta segunda, 18
O ex-secretário de Meio Ambiente Clinger Gagliardi em depoimento à CPI do Lixo nesta segunda, 18

O ex-secretário de Meio Ambiente de Rio Preto Clinger Gagliardi admitiu em depoimento na CPI do Lixo nesta segunda-feira, 18, na Câmara, que a Prefeitura não tinha fiscal no aterro da Constroeste, em Onda Verde, para controle de entrada e saída do lixo coletado em contrato da faxina urbana, em vigor desde 2013 com a empresa.

Clingler falou por quatro horas sobre contratos de lixo na gestão do ex-prefeito Valdomiro Lopes (2009/2016), período em que a Constroeste recebeu R$ 262,8 milhões de variados contratos relacionados ao lixo. O ex-secretário foi sabatinado pelo relator da CPI, Pedro Roberto (PRP) e pelo presidente da comissão, Marco Rillo (PT). Clinger foi secretário entre 2013 e 2016.

Apesar de afirmar que não havia fiscal da Prefeitura no aterro, dentro do contrato da faxina urbana, ele disse que o serviço era, sim, fiscalizado. O contrato previa 24 caminhões em ação e pagamento estimado de cinco mil toneladas de lixo recolhido por mês. “Eu realmente não tinha fiscal fixo lá em Onda Verde. Não fui autorizado, não tinha como fazer para deixar alguém lá direto, mas a fiscalização existia”, afirmou.

Contestado por Rillo sobre a contradição, o ex-secretário chegou a dizer que iria “parar” o depoimento. Ao ser questionado sobre como o município fiscaliza a utilização dos caminhões da faxina urbana, Clinger afirmou que a Secretaria emitia ordem de serviço sobre quais bairros deveriam ser limpos. Afirmou que os fiscais “viam” os caminhões nas ruas. Com base em documentos apresentados à CPI pela própria Constroeste, a comissão aponta que no máximo 14 veículos eram usados pela empresa, dez a menos que o previsto.

O secretário reconheceu que a “administração pecou” em relação à fiscalização. “A administração pecou um pouco em termos de quantidade de fiscais”, afirmou. O ex-secretário afirmou ainda que acreditava na “boa-fé” das informações sobre coleta de lixo repassadas pela Constroeste. A empresa afirma que tinha à disposição da Prefeitura até mais de 24 caminhões. Segundo Clinger, o contrato em questão ajudou a reduzir os casos de dengue na cidade.

Sobre contrato de lixo doméstico, o ex-secretário afirmou que o serviço previsto no primeiro mandato de Valdomiro era “impraticável” com relação à limpeza de bocas de lobo. O contrato determinava que a empresa limpasse os bueiros e ainda pintasse os locais. “A fiscalização existia não a contento”, afirmou.

De novo, repetiu que o serviço era fiscalizado, mas não citou quantos fiscais a secretaria tinha. Disse que cerca de 10 fiscais de posturas o auxiliavam nas verificações. Segundo ele, a exigência de pintura em boca de lobo foi alterada em novo contrato, em vigor desde 2016.

Segundo a CPI, a Prefeitura não tem equipe para avaliar se animais mortos estão ou não contaminados. A Prefeitura paga mais pela recolha de animais contaminados. Ao falar sobre tema, Clinger disse que uma anta morreu no bosque em 2014 o caso não foi revelado. “Na época não podia divulgar. Estava com doença contagiosa. Colocaram no saco e levaram embora”, afirmou Clinger.

“Pretensões particulares”

O ex-secretário disse ainda que trabalhava com equipe reduzida na pasta por teria afastado do setor funcionários que tinham “pretensões particulares”. Questionado pela CPI para dar detalhes sobre o que havia falado, mas uma vez Clinger se recusou a falar.

Clinger desenha para explicar ‘flash’

O ex-secretário de Meio Ambiente de Rio Preto Clinger Gagliardi fez desenho em uma folha de papel sulfite para tentar explicar à CPI as viagens “the flash” de caminhões da Constroeste ao aterro em Onda Verde. Em julho, o Diário revelou que documentos da empresa registravam horários de caminhões cheio de lixo que saiam e voltavam do aterro em apenas seis minutos. A CPI apontou a discrepância de tempo como indício de descumprimento do contrato.

Clinger fez um desenho do aterro para dizer que o lixo tinha sido depositado ao lado do aterro como espécie de “sobra” do mês. Assim, caminhões pegariam o lixo de fora, eram pesados, e voltavam para uma nova rodada de coleta. “Acho que é possível fazer neste tempo sim”, afirmou. A área de transbordo foi autorizada, segundo o ex-secretário, porque no final de casa mês a cota de pesagem prevista no contrato - cinco mil toneladas mensais - já teria sido atingida. Assim, o lixo depositado ao lado seria pago só no mês seguinte, argumentou.

Casos assim aconteceram cerca de 40 vezes em três meses de 2014, segundo os registros. Para o presidente da CPI, a Prefeitura fez “pedalada” com o contrato de lixo. “Permitir transbordo para pagar outro mês. É uma pedadala”, disse o vereador Marco Rillo (PT). O relator Pedro Roberto (PRP) também fez críticas. “Ele disse que fiscais ‘viam’ os caminhões. Houve falha na fiscalização”, afirmou. Nesta terça, 19, funcionário da Constroeste será ouvido. Na quarta, é a vez de Valdomiro.

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