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Diário da Região

02/10/2017 - 21h02min / Atualizado 18/09/2017 - 19h30min

Mulheres na jogada

Reporte e fotógrafo lançam livro-reportagem sobre mulheres no País do futebol

Meninas, o sonho de bola, projeto que reúne livro-reportagem e uma exposição de fotos, retrata com sensibilidade a trajetória e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no País do futebol

Johnny Torres 18/9/2017 Guilherme Baffi e Carlos Petrocilo seguram o livro, que propõe contextualizar o futebol feminino no Brasil
Guilherme Baffi e Carlos Petrocilo seguram o livro, que propõe contextualizar o futebol feminino no Brasil

Você sabia que a atacante Marta, maior jogadora da história do Brasil e eleita cinco vezes, pela Fifa, a melhor do mundo, já jogou em Rio Preto? A craque alagoana, que hoje defende o Orlando Pride, dos Estados Unidos, e recebe anualmente cerca de US$ 400 mil, na época, em 2003, foi contratada para jogar no Juventude e recebia um salário de R$ 300, além de moradia e alimentação. Com apenas 17 anos, a jogadora franzina morou sete meses em Rio Preto.

Esta é uma das histórias que podem ser lidas no livro-reportagem Meninas, o sonho de bola, escrito pelo jornalista Carlos Petrocilo e ilustrado com imagens do fotojornalista Guilherme Baffi, ambos da equipe do Diário da Região. O lançamento da publicação, pela editora Serifa, será realizado nesta terça-feira, 19, às 19h30, no Riopreto Shopping. Cerca de 150 livros serão distribuídos gratuitamente. A noite de autógrafos marca ainda a abertura de uma exposição de 30 fotografias de Baffi.

Apesar de o Brasil ser conhecido como o país do futebol, o esporte na modalidade feminina não faz o mesmo sucesso comparado a categoria masculina. Pensando em debater o assunto e retratar a trajetória das mulheres no País do futebol, Petrocilo escreveu a obra. O jornalista vai contra os filões do mercado editorial, que em maioria traz crônicas e relatos apaixonados por um único clube ou pelos jogadores, ou sobre técnicas e táticas, e sim fala sobre o futebol feminino e seus dilemas, que inclui preconceito, invisibilidade e falta de apoio e perspectivas profissional.

A obra, que conta com 120 páginas e está dividida em quatro capítulos, tem prefácio assinado pelo jornalista Edwellington Villa, que já atuou como editor do cadernos de esporte do Diário. Segundo Villa, o livro registra momentos essenciais na vida de milhares de pessoas e desperta a importância que o futebol feminino pode ter no desenvolvimento econômico e sociocultural de Rio Preto e região. “Trata-se de uma grandiosa obra, provando através do passado que podemos deslumbrar um futuro promissor”, diz um trecho.

Hoje modalidade olímpica, o futebol feminino, segundo Petrocilo, já foi proibido por lei no Brasil durante o governo de Getúlio Vargas e a ditadura militar. Entendiam e defendiam que as mulheres eram educadas para ser mães. Até os anos 1980, a prática era subversiva, marginal. A deliberação foi revogada em 1979. A primeira convocação de uma seleção brasileira ocorreu só em 1989. “As jogadoras têm um trabalho muito legal, mas nunca tiveram apoio. O preconceito e a falta de incentivo permanecem até hoje, mesmo com toda responsabilidade no processo histórico do esporte no país.”

O futebol masculino moderno, segundo Petrocilo, está atrelado à força, a estratégias. Já o feminino oferece outro ritmo e lembra até o masculino em décadas anteriores, por causa do toque de bola e do trabalho em equipe. “O público é muito menor, porém há uma demanda reprimida e que precisa ser trabalhada, principalmente quando você vê a imagem de um ídolo como Marta pouco explorada”, explica.

Para Petrocilo, a luta e a persistência das garotas merecem ser documentadas em um livro porque elas fazem a diferença mesmo com poucos recursos. “Elas jogam por prazer e amor a camisa. Ao contrário do futebol masculino, que é muito comercial e mecanizado.”

Além de Marta, o livro tem um espaço dedicado para falar de Darlene, uma das filhas do casal Doroteia Souza e Chicão Reguera, que começou em Rio Preto e já atuou em times na Itália, Coréia do Sul, Áustria, China e foi convocada para a Seleção Brasileira. Segundo o jornalista, Darlene, em sua infância humilde, em um bairro periférico de Rio Preto, só queria jogar futebol e arrumou brigas para conseguir jogar entre os meninos. Uma imagem, na página 77, mostra a intimidade da jogadora com a bola.

Outro ponto abordado é o abismo entre os gêneros. Salários e estrutura das equipes femininas não se comparam ao meio masculino. Enquanto o futebol masculino movimenta milhões e produz ídolos, a modalidade feminina pede pelo básico: salário e reconhecimento. Um jogador com menos de 18 anos recebe acima de R$ 10 mil, enquanto as jogadoras do Rio Preto, campeã paulista e brasileira, sobrevivem com auxílio entre R$ 700 e R$ 1,1 mil.

Petrocilo conta que acompanha a trajetória das jogadoras desde 2004, quando começou a trabalhar em jornal. Mas foi em 2016 que ele decidiu apanhar as matérias produzidas por ele e pelo colega de trabalho Ozair Júnior no Diário da Região, e um vasto material de pesquisa para produzir o livro. A obra foi viabilizada pelo Proac/ICMS, o Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, e conta com o patrocínio das empresas Poty, Natural Life e Kodilar.

Cidades da região recebem o projeto

Além do texto, o livro-reportagem Meninas, o sonho de bola conta com 20 páginas exclusivas com fotos sobre o universo do futebol feminino. E quem for até o Riopreto Shopping poderá ver 30 imagens expostas em totens com breves legendas. O fotojornalista Guilherme Baffi conta que as imagens foram produzidas nos últimos cinco anos, que inclui cliques de jogos, treinamentos e rotina em geral das jogadoras. Algumas imagens foram publicadas nas páginas do Diário da Região e outras são inéditas.

O público poderá ver imagem da torcida de Rio Preto, que amargurada com o desempenho das equipes de futebol masculino, pôde comemorar o título do Paulistão de 2016. Outra imagem mostra a determinada jogadora Jéssica, que driblou preconceitos, ergueu taças e hoje orienta as adolescentes que sonham em jogar profissionalmente.

Além de Rio Preto, o projeto, que inclui o livro e a exposição, ganhará itinerância e desembarcará em Bálsamo, Mirassol e Votuporanga. Em todas cidades, serão realizadas exposições que poderão se visitadas pelo público durante 15 dias, noite de autógrafos e workshops sobre o projeto e sobre fotografia ministrados por Baffi. Haverá ainda a doação dos livros. Ao todo, 1,1 mil publicações serão distribuídas gratuitamente.

De acordo com o fotojornalista, o projeto de uma maneira geral vai jogar um holofotes sobre a importância da igualdade de gênero e ainda desmistificar todos os rótulos que rondam as jogadoras.

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