Diário da Região

20/09/2017 - 22h24min

AS SOBREVIVENTES

Rio Preto não é exemplo de arborização, mas tem exemplares históricos

São árvores que resistem ao tempo e ao cimento que avança, fazendo sombra e ajudando a amenizar o calor e a secura

Mara Sousa 20/9/2017 Palmeira da rua Regente Feijó, na Vila Ercília, também resiste ao tempo
Palmeira da rua Regente Feijó, na Vila Ercília, também resiste ao tempo

Já dizia Olavo Bilac que as árvores são mais belas quanto mais antigas, vencedoras da idade e das tempestades. Nesta quinta-feira, 21, é celebrado o dia delas. Rio Preto não é uma cidade tão arborizada quanto o preconizado pelo Programa Município Verde Azul, tendo 17,7% de projeção de sombra de árvores, conforme o último levantamento da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, quando o ideal seriam 20%. Tem, no entanto, alguns exemplares “idosos”, que resistem ao tempo, como o guapuruvu de cerca de 80 anos que habita a Vila Imperial, tombado como patrimônio histórico.

As árvores não vêm com certidão de nascimento, portanto não é possível precisar quando foram plantadas. Algumas, no entanto, de acordo com o professor Arif Cais, do Departamento de Zoologia do Ibilce, possuem traços da idade avançada, como a falsa seringueira (ficus) que fica na Vila Santa Cruz, perto do Senac, e a palmeira da rua Regente Feijó, na Vila Ercília. No Zoológico Municipal, uma alta copaíba também avança pelo tempo.

As árvores estão secas nesta época do ano, fim do inverno. Há um mês não chove em Rio Preto, o que segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) não deve acontecer até o dia 3 de outubro, pelo menos. Os dias devem ficar mais floridos com a chegada da primavera nesta sexta-feira, 22.

De acordo com Otton Arruda, engenheiro agrônomo chefe do Viveiro Municipal de Rio Preto, a idade a que uma planta pode chegar varia conforme a espécie. A sequoias americanas, por exemplo, podem alcançar a casa dos milhares de anos. No Brasil, uma espécie considerada longeva é o jequitibá, mas devido à sua madeira ele está em processo de extinção.

“Quanto mais bem cuidada maior a probabilidade dessa árvore sobreviver. Todo vegetal precisa de luz solar, água, nutrientes no solo. Árvores plantadas em áreas urbanas estão mais submetidas a processo de estresse. Poluição, muita restrição física para o crescimento radicular”, fala Otton.

Segundo ele, podem diminuir o tempo de vida da planta o espaço inadequado para seu crescimento (por isso, é importante escolher a espécie certa para cada local), podas erradas que machucam e abrem as portas para pragas e queimadas, muito comuns nesta época do ano.

Em Rio Preto, antes de realizar qualquer extração de árvore o proprietário precisa ter autorização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. É importante que um técnico faça a avaliação, pois às vezes, por exemplo, um desfolhamento pode ser comum à espécie e não sinal de doença.

Benefícios

A produção de frutos, a sombra e o abrigo aos bichos que fazem seus ninhos são alguns dos benefícios trazidos pela árvore. “Ela filtra o ar. Nesse período seco, se nós tivéssemos uma cidade muito bem arborizada não estaríamos sofrendo com as partículas microscópicas que enchem de poeira nossas casas, cobrem nossos carros”, fala Arif. Ele se refere ao material particulado 2.5 e 10, poluente prejudicial à saúde produzido principalmente pelas queimadas e pela queima de combustíveis fósseis.

Se houvesse mais árvores seria possível, por exemplo, amenizar a ilha de calor existente no centro de Rio Preto pois elas absorvem calor, diminuindo a temperatura. “Se eu considerar o perímetro das avenidas Alberto Andaló, Bady Bassitt, Philadelpho Gouveia Neto e rodovia Washington Luís existe um imenso deserto de cimento armado”, fala Arif.

O professor ressalta que iniciativas como as de alguns grupos rio-pretenses, de plantar mudas e preservar a vegetação já existente, trazem benefício à coletividade. “É profundamente lamentável a postura da gestão anterior da cidade de ter destruído a Praça Cívica para transformá-la num abrigo de ônibus.” Na época, a equipe gestora justificou que a obra era um marco para a cidade e que árvores foram plantadas em outros pontos para compensar as retiradas, como determinava acordo com o Ministério Público.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso