Diário da Região

18/09/2017 - 21h19min

EU NO MUNDO

Protetor dos oceanos e das tartarugas

O rio-pretense José Francisco foi à Malásia para fazer mestrado sobre a conservação de tartarugas marinhas e outros animais migratórios. Agora vai apresentar o estudo em conferência da União Europeia

Arquivo pessoal O rio-pretense José Francisco Carminatti Wenceslau, 27 anos, com duas espécies de tartaruga
O rio-pretense José Francisco Carminatti Wenceslau, 27 anos, com duas espécies de tartaruga

Formado em biologia pela Unesp, o rio-pretense José Francisco Carminatti Wenceslau, 27 anos, foi à Malásia para fazer mestrado na Universidade de Terengganu, em Kuala Terengganu, no nordeste da península. Em meio a paisagens paradisíacas no litoral do país asiático, trabalhou com conservação de tartarugas-verdes e fez tese sobre ecologia tropical.

O trabalho foi um dos cem selecionados para participar do encontro Our Oceans, promovido pela União Europeia para discutir soluções para o uso sustentável dos oceanos. “Minha proposta foi baseada na pesquisa que fiz na Malásia, já que identifiquei pontos necessários para a conservação de tartarugas marinhas e outros animais migratórios.”

Mas para participar do evento, o biólogo rio-pretense precisa de ajuda para cobrir gastos com passagem e estadia. Por isso, lançou campanha de financiamento coletivo. É possível participar da vaquinha virtual por meio do site Kickante (https://www.kickante.com.br/campanhas/viagem-para-our-ocean-youth-summit).

Após finalizar o mestrado, José Francisco está há duas semanas na Europa, onde procura por emprego. Na Malásia, a maior parte do trabalho era realizado na ilha de Redang. “Passava pelo menos uma semana por mês no santuário de tartarugas na ilha de Redang, numa praia isolada, sem energia elétrica, internet ou recepção de telefone e lá passava o tempo com os voluntários e funcionários malaios ajudando na manutenção das atividades do santuário.”

O rio-pretense enaltece a preservação da natureza local. Nos momentos de lazer, gostava de fazer mergulho nas águas claras. “Kuala Terengganu é uma cidade litorânea e por isso a atmosfera é bem tranquila, as pessoas super simpáticas e prestativas. Além disso, por ser uma cidade relativamente pequena o custo de vida era muito baixo,” diz.

Devido aos estudos e estágios, o biólogo já morou na Holanda, Bélgica, Itália, Austrália e Guiné-Bissau. Mas diz que a Malásia foi um dos lugares que mais gostou de viver. “Devido à localização, a península recebeu influência de diferentes povos e culturas, o que torna esse país muito diverso e as pessoas muito tolerantes. A província é de maioria muçulmana, mas os malaios são muito tolerantes com pessoas de outras raças e religiões.”

Um ponto em comum entre a Malásia e o Brasil é a corrupção, segundo José Francisco. Isso, entretanto, não interfere na distribuição de renda. O rio-pretense diz que a qualidade de vida no país é alta. “O que importa não é quanto dinheiro um país tem, mas como ele é capaz de distribuir sua riqueza de maneira justa. O Brasil falha miseravelmente nisso.”

O biólogo aponta o clima e a natureza como outra semelhança entre Brasil e Malásia. O calor se compara ao de Rio Preto, com a diferença de que em Kuala Terengganu o mar está à disposição para um mergulho refrescante. Mais do que a temperatura, a falta de transporte público era o que mais incomodava o rio-pretense.

Culinária

A grande mistura de povos fez da Malásia um local com variedade imensa na gastronomia. “É muito diversa e a gama de temperos e ingredientes que eles usam é incontável. Você vai a um restaurante e lá encontra dez tipos de pratos de frango diferentes, dez tipos de sopa, 15 tipos de arroz. As possibilidades são inúmeras e todas muito saborosas, e picantes também!”

José gostou tanto do tempero que diz ter feito esforço para aprender a cozinhar o maior número de pratos possíveis. “Para poder continuar comendo comida malaia mesmo quando já não estivesse por lá.”

Hospitalidade

O rio-pretense diz que aprendeu valores do islã, como a necessidade de tratar os vizinhos e pessoas próximas como se fossem da família. Ele conta que foi muito bem recebido pelos malaios, que sempre eram simpáticos e curiosos em relação a ele. “Todos sempre adoravam conversar sobre diferenças culturais. Sempre prontos para te oferecer ajuda ou puxar uma conversa.”

Kuala Terengganu, Malásia

Continente: Ásia

Habitantes: 586 mil

Brasileiros no país: 418

Distância até Rio Preto: 16.300 km

Fuso horário: 11 horas na frente

Curiosidades:

  • O país é composto por malaios (nativos), chineses e indianos. As três culturas são vistas no dia a dia (os feriados das três são respeitados). Convivem entre si, mas não se misturam. Até mesmo a língua é uma barreira – o inglês é a conexão.
  • Semelhante à Indonésia, e alguns outros países asiáticos, o tráfico de drogas é punido com pena de morte.

Não deixe de...

… conhecer:

A ilha de Redang, uma das maiores e mais belas do país, com diversas atrações de lazer

… provar:

O nasi lemak, um arroz cozido no leite de coco servido com uma mistura de anchovas, amendoins torrado e uma pasta de pimenta e tomate

O teh tarik, chá típico que mistura chá preto com leite condensado e acompanha refeições

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