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26/04/2015 - 00h02min

Audiência em alta

Rio-pretenses fazem sucesso com vídeos de histórias de terror na internet

Audiência em alta

Dois Maracanãs lotados não seriam suficientes para comportar o número de seguidores do casal Mateus e Ana Fornazari na internet. O fascínio pelo sobrenatural, compartilhado pelo casal com seus milhares de fãs, é o responsável por tamanho sucesso. Os dois já ultrapassaram a audiência, pelo menos na internet, de ícones do terror como o famoso Zé do Caixão e ganharam até mesmo a atenção do cantor sertanejo Luan Santana, que disse em entrevista que assiste aos vídeos de Mateus e Ana. 

O primeiro vídeo do Canal Assombrado foi publicado no YouTube em 6 de junho de 2014. A partir daí, eles não pararam mais. São até quatro novos publicados a cada dia, de segunda a sexta-feira, e o sucesso, apesar de ter vindo rapidamente, é fruto de muita dedicação à pesquisa dos assuntos abordados. "Nos primeiros meses, tínhamos 20 novos inscritos por dia. Hoje a média é de mais de mil por dia", contou Mateus. Prova disso é que, em duas semanas, conforme o Diário acompanhou, o número de inscritos no canal aumentou em pelo menos 14 mil. 

Nos vídeos, Mateus e Ana contam relatos e notícias sobre fatos sobrenaturais, além dos especiais, que exigem uma pesquisa maior sobre assuntos específicos. "Muitos esperam terror e não é. São mais informativos do que para colocar medo nas pessoas. Damos preferência para assuntos que sejam reais, ou que tenham a possibilidade de ser", explica Ana. Antes de ganhar voz e imagens, o conteúdo é publicado em texto no blog do casal (assombrado.com.br), que já existe há três anos. "Eu produzo material para o Assombrado, faço os 'posts', e a partir destes eu desenvolvo os vídeos", conta Mateus. 

 

 

Site na internet

Foi justamente o amor pelo terror que uniu Mateus e Ana. Ele, com 19 anos em 2000, morando em Rio Preto, criou um site de terror, o Sobrenatural.org, que mais tarde daria origem ao Assombrado.com.br, que nada mais é que uma seleção dos melhores textos do primeiro site. Há 370 quilômetros de Rio Preto, na cidade de Laranjal Paulista, Ana era uma leitora fiel do site de Mateus, e tamanho foi seu interesse pelo mundo sobrenatural que começou a trocar mensagens pela internet com o homem que mais tarde viria a ser seu marido. 

Na época, Mateus era programador de computadores e estudante de biologia. Quando percebeu que estava ganhando mais na internet do que em seu trabalho, ele abandonou a profissão para se dedicar exclusivamente à produção de conteúdo para a web. "Eu estava dedicando meu tempo ao meu chefe, então decidi dedicar a mim mesmo. Isso foi há seis anos e deu certo. Agora estou conseguindo viver só de internet", conta Mateus.

Ana se formou em fisioterapia, mas assim como Mateus não chegou a exercer a profissão. "Quando eu ia montar meu consultório em Laranjal Paulista, o Mateus me trouxe para cá". Casaram-se em 2011 e continuam morando em Rio Preto. A renda da família, o casal garante, vem totalmente da internet. Eles não revelam o faturamento mensal, mas afirmam que a casa em que moram foi comprada e mobiliada com o dinheiro que ganharam produzindo conteúdo "sobrenatural" para a web. 

Fascínio por histórias macabras vem do inconsciente

O psicoterapeuta Renato Dias Martino acredita que o fascínio das pessoas por histórias de terror vem do próprio inconsciente e seria uma forma de lidar com mais leveza com situações aterrorizantes: "Essa construção que surge, normalmente manifestada pela arte, num filme ou num livro do folclore, expressa algo que se encontra em cada um de nós enquanto experiência íntima". Renato explica que os seres humanos têm o hábito de usar a cultura para expressar suas próprias experiências. 

"Experiências íntimas procuram se manifestar no âmbito da cultura como algo que seja comum em todos humanos. É antes de tudo uma chance de lidar ludicamente, ou seja, brincando com algo extremamente assustador e que causa pânico". Porém, para o especialista, quando essas histórias saem do campo da imaginação e passam a ser uma realidade na vida das pessoas, é preciso ficar atento. "Acreditar nesse tipo de representação como se fosse parte da realidade dos fatos é sinal de imaturidade ou mesmo de uma patologia mental. Assim como uma criança faz", diz o psicoterapeuta.

 

Vanderlei Hipólito O caseiro Vanderlei Hipólito cuida da área onde foi construída a clínica Egas Moniz, para tratamento de doentes mentais; no detalhe, inscrição na porta

Terreno fértil para histórias de terror

A região de Rio Preto é permeada de histórias misteriosas, desde abduções alienígenas até aparições fantasmagóricas em lugares "assombrados". Um desses lugares é o antigo hospital psiquiátrico Egas Moniz. O casarão ainda está de pé. Fica no conjunto habitacional Caic, zona leste de Rio Preto, mas passa despercebido aos olhos desavisados. Isso proque está escondido pelas casas e prédio construídos ao seu redor.

Antes de hospital, o prédio foi um cassino. Construída para este fim, em 1940, a casa de jogos funcionou no local até 1946, quando os jogos de azar foram proibidos no Brasil. Somente no final da década de 40, o prédio passou a abrigar o hospital psiquiátrico. O nome foi dado em homenagem ao neurologista português que desenvolveu a técnica de operação no cérebro, chamada lobotomia, que deixou de ser praticada na década de 60 após forte controvérsia devido à natureza invasiva da operação, que deixava sequelas irreparáveis nos pacientes.

Devido ao passado e às inúmeras lendas que rondam o local, quem visita o antigo hospital psiquiátrico atualmente afirma ouvir correntes se arrastando, ver vultos e até espíritos. O responsável pela área, Vanderlei Gandini Hipólito, afirma que nunca viu nem ouviu nada de estranho, a não ser os próprios visitantes do local. "Uma vez veio um caçafantasmas aqui com uma máquina. Ele apontou (a máquina) para a varanda e disse que o prédio estava cheio de fantasmas, mas não mostrou nada que me fizesse acreditar", conta. 

Hipólito mora há 17 anos em uma casa no mesmo terreno do hospital, desativado em 1999, um ano depois que ele começou a trabalhar lá. Ele é uma espécie de caseiro e trabalha para uma construtora, que segundo ele é dona do local. Apesar de nunca ter visto assombração alguma, o caseiro não nega a existência de possíveis fantasmas no local. "Não tenho nenhum problema em entrar lá. Seja durante o dia ou à noite. Mas não é porque eu nunca vi, que quer dizer que não existe". Embora o lugar seja rodeado de histórias de assombrações, quem coloca os visitantes para correr é alguém de carne e osso. "Sempre chegam curiosos, os arruaceiros, mas quase todo mundo que vem aqui eu coloco para correr", relata o próprio Vanderlei. 

Outras histórias A região abriga outras histórias aterrorizantes ou misteriosas como um dos casos mais emblemáticos de suposta abdução alienígena no Brasil, que aconteceu em 1973, protagonizado por um morador de Catanduva. O livreiro Onílson Pátero dizia ter sido abduzido duas vezes: a primeira, em 1973, perto de Catanduva, quando foi capturado por três "homens com peito de aço" e levado para uma nave. A segunda vez foi ainda mais intrigante. Em 1974, Pátero estava em uma de suas rotineiras viagens a trabalho quando, próximo a Guarantã (SP), foi novamente capturado pelos supostos seres extraterrestres. Diferentemente da primeira vez quando foi "devolvido" ao mesmo lugar da abdução, na segunda o livreiro foi encontrado, seis dias depois, em Colatina, no Estado do Espírito Santo, a mil quilômetros de distância do local da captura. 

A cidade de Palestina também tem suas histórias. Os moradores dizem que uma mata na cidade é bastante conhecida por ser assombrada. A lenda original diz que um casal jovem, morador da zona rural, ia se casar na cidade. O noivo, junto com sua família, teria ido à frente, chegando primeiro na igreja. A noiva, junto com seus pais, teria ido logo em seguida, porém o cavalo em que ela estava foi picado por uma cobra. Assustado, o cavalo saiu em disparada e a noiva teria caído, batendo a cabeça em uma pedra. Ela morreu, mas no momento da queda perdeu a aliança e até hoje passeia pela mata à procura da joia, aterrorizando quem passa pelo local.

 

arte números site assombrado Digite aqui a legenda

Os bastidores do 'casal assombrado'

O interesse pela vida pessoal do casal foi tanto que foi necessário criar outro canal no YouTube, o "Vida de Nozes", para mostrar o dia a dia da família. "As pessoas queriam nos conhecer de outra forma", disse Mateus. Para ele, ter criado esse segundo canal foi uma forma de se aproximar do público: "Você tem que fidelizar quem te assiste. Fazendo isso, é como se ele se sentisse seu amigo. Muita gente escreve pra nós dizendo que somos como amigos conversando com eles na sala".

Apesar de conhecido, o casal ainda não está acostumado com a fama. "É esquisito porque a gente fica falando em casa, para a câmera, não tem ninguém perto. Parece até bobo. Aí, a gente sai na rua e as pessoas nos param, querem conversar", conta Ana. Uma das marcas do casal é o sotaque do interior. Enquanto outras grandes personalidades do YouTube não possuem um sotaque tão demarcado, Mateus e Ana assumem suas origens e garantem "se mudar, perde toda a graça". 

Mas nem todo mundo aceita numa boa. Alguns criticam, não só o modo de falar, mas também o conteúdo dos vídeos, o que para Mateus não é um problema. "Na internet todo mundo é 'machão'. Vão xingar mesmo. Se a gente der bola pra esse povo, estamos ferrados". E quando os críticos aparecem, a fidelidade dos fãs também desponta. "Os fãs defendem a gente. Nós ficamos quietinhos e deixamos rolar", afirma Ana. 

'Pensam que somos caça-fantasmas'

Mateus e Ana já passaram por situações inusitadas desde que começaram a fazer vídeos para a internet. O casal diz que muita gente pensa que eles são caça-fantasmas, e acabam enviando objetos supostamente "possuídos" por algum mal. "O pessoal acaba confundindo. Somos pesquisadores e divulgadores de informações relacionadas ao mundo sobrenatural. Só isso", afirma Mateus. Mas Ana tem projetos para o futuro: "Se a gente crescer, pretendo ir a locais supostamente assombrados para fazer documentários sobre esses lugares". Por enquanto, o casal se autodenomina "divulgadores do desconhecido", e segue buscando, incansavelmente, o maior número de informações para seu público. "Pesquisamos e divulgamos, com seriedade e respeito, as informações que ainda não foram validadas pela ciência". 

O QUE TEM NO CANAL ASSOMBRADO

Relatos
:: Histórias enviadas por leitores ou experiências próprias que envolvem o sobrenatural
:: Duração - de 7 a 8 minutos

Notícias assombradas
:: Notícias que bombaram na internet e que intrigam por ter algum elemento sobrenatural
:: Duração - de 3 a 8 minutos

Especial
:: Assuntos mais elaborados que demandam mais pesquisas. De um a dois dias para produzir o vídeo
:: Duração - de 15 a 40 minutos


Dicas do assombrado para quem quer fazer sucesso na internet

:: Faça o que você gosta. Escolha um assunto que você tenha prazer e domine

:: Seja você mesmo. Não tente ser algo que você não é

:: Faça um conteúdo de qualidade. Pesquise bastante, escreva e evite copiar aquilo que encontra na internet

:: Fale sempre a verdade. Não tente enganar quem está te assistindo

:: Comece com o equipamento que você tem. A princípio, não se preocupe com equipamentos profissionais, mas com o conteúdo do que você pretende falar

:: Tenha perseverança. Não espere ter milhares de acessos já no primeiro vídeo

:: Faça parcerias com outros canais que tenham o mesmo número de inscritos que você. Não tente firmar parcerias com canais muito maiores. O negócio é crescer junto com os outros. Todos se ajudando

 

Top 5 dos vídeos do canal Assombrado

Especial - A verdadeira história do filme Annabelle = 498.604 visualizações

Relato - Annabelle: A boneca demoníaca = 462.199 visualizações

Especial - 10 mistérios do mundo = 295.593 visualizações

Especial - 10 filmes de terror baseados em histórias reais = 198.459 visualizações

Especial - O Exorcista: A história real e os eventos ocorridos na filmagem = 186.595 visualizações

Referências visuais:

www.youtube.com/user/AssombradoBlog
www.assombrado.com.br/

 

Colaborou:  Gabriel Vital

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