Mandetta e Caiado criticam BolsonaroÍcone de fechar Fechar

Descumpriu as orientações

Mandetta e Caiado criticam Bolsonaro

Bolsonaro voltou a provocar aglomeração de pessoas em Goiás neste sábado


    • São José do Rio Preto
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Após o presidente da República, Jair Bolsonaro, ir ao encontro de apoiadores durante visita ao hospital de campanha em Águas Lindas (GO), neste sábado, 11, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que acompanhou a vistoria, disse que a orientação de distanciamento social vale para todos os brasileiros. O ministro afirmou ainda que as pessoas que descumprem o isolamento serão as mesmas que se lamentarão pelo coronavírus.

"Eu posso recomendar (a não aglomeração), não posso viver a vida das pessoas. As pessoas que fazem uma atitude dessa, hoje, daqui a pouco serão as mesmas que estão lamentando", disse Mandetta.

Questionado sobre o fato de Bolsonaro ter ido ao encontro das pessoas e se a recomendação vale para ele também, o ministro da Saúde se limitou a responder: "Vale para todos os brasileiros."

Após visitar a construção do hospital de campanha, Bolsonaro foi ao encontro de apoiadores que gritavam por ele. O presidente cumprimentou eleitores e tirou fotos.

No início, ele estava usando máscara, mas, ao final, tirou a proteção e ficou com ela na mão esquerda.

Os ministros Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, e da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, acompanharam Bolsonaro, mas permaneceram de máscaras.

Ao ser indagado por que não acompanhou o presidente, Mandetta disse que segue as orientações de distanciamento social. "Eu procuro seguir uma lógica de não aglomeração", afirmou.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), voltou a criticar a postura do chefe do Executivo no enfrentamento ao coronavírus. O governador disse ainda que o presidente deveria se explicar por causar aglomeração ao ir ao encontro de apoiadores.

"Ele que deve explicar essa posição. Essa posição não foi a minha", diz Caiado, que não participou da caminhada ao lado de Bolsonaro.

Questionado se o chefe do Executivo não estava dando um mau exemplo à população, o governador reforçou que defende o isolamento social. "Ele é o presidente, eu sou o governador. A minha posição foi a que vocês acompanharam. Essa é a posição que manteremos até o dia 19. Já estamos elaborando um planejamento sobre que áreas e regiões poderemos abrir", disse.

No mês passado, Caiado, que é médico, rompeu com Bolsonaro após pronunciamento em que o presidente minimizou a covid-19, chamando de "gripezinha", e incentivando a população a voltar às suas rotinas para evitar um colapso da economia.

A visita em conjunto neste sábado foi uma tentativa de reaproximação por parte de Bolsonaro. "A discordância em relação às propostas de como se trata o coronavírus é uma decisão pessoal. Eu sigo a parte da ciência e as regras do ministério da Saúde. Essa é minha posição. As regras implantadas em Goiás são a do Ministério da Saúde. A minha posição é contra a liberação do isolamento", disse o governador.

O hospital de campanha, instalado em uma área de 10 mil metros quadrados, terá 200 leitos se semi-UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para atender pacientes de Goiás e do Distrito Federal A construção começou a há uma semana e a previsão é que esteja pronto em 15 dias.

O governo federal arcará com o custo de R$ 10 milhões para a construção e manutenção do hospital por quatro meses. Já os custos com equipe médica e materiais serão de responsabilidade do governo de Goiás.