SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 07 DE JULHO DE 2022
Rio Preto em Foco

Os córregos Borá, Canela e Aterradinho

Coluna mostra a importância dos rios na história de Rio Preto e como era a cidade antes da criação de três grandes avenidas: Bady Bassitt, Alberto Andaló e Murchid Homsi

Cesar Belisario
Publicado em 05/01/2020 às 00:30Atualizado em 08/06/2021 às 00:42
Avenida Alberto Andaló em 1966: terminava na rua Independência  (Jaime Colagiovanni)

Avenida Alberto Andaló em 1966: terminava na rua Independência (Jaime Colagiovanni)

Em 1842, o fazendeiro mineiro Luiz Antônio da Silveira comandou uma comitiva de desbravadores mineiros saídos de Nossa Senhora dos Tocos (atual Paraguaçu), em Minas Gerais, com seu irmão Antônio de Carvalho e Silva, além de escravos e agregados. Entraram no território de Rio Preto pelo Talhadão, no rio Turvo. Consta que tomaram posse da região banhada pelo rio Preto e pelos córregos Canela, Borá, Piedade e São Pedro.

Eles tinham de posse uma escritura de mão que constava apenas como referência para o reconhecimento o rio Preto e dois córregos que desaguavam nele: Borá e Canela. A comitiva teria encontrado um posseiro perto do córrego Aterradinho (onde hoje está a avenida Murchid Homsi) e tinha notícia de que já havia gente morando na região de Jatahy (Tanabi).

Luiz Antônio da Silveira foi também o protagonista da "Lenda do Pássaro Azul": ele, seu irmão Antônio de Carvalho e Silva e Vicente Ferreira Neto se perderam na mata e fizeram a promessa de cada um doar um pedaço de terra para o seu santo padroeiro caso achassem a picada de volta. Um pássaro azul os teria guiado de volta ao acampamento. Consta que Luiz Antônio da Silveira tinha como santo padroeiro São José e por isto a cidade chama-se São José do Rio Preto.

Segundo o engenheiro italiano Ugolino Ugolini, que viveu por aqui entre 1890 e a primeira década do século 20, a doação do patrimônio ocorreu em 19 de março de 1852. Todo este relato está descrito na página 563 do "Dicionário Rio-pretense", de Lelé Arantes. No livro "São José do Rio Preto - 1852 - 1894 - Roteiro Histórico do Distrito", do professor e historiador Agostinho Brandi, está descrito na página 27 que, pela escassez de documentos, ou por outro meio, referente às origens, é difícil precisar qual a verdade e a tradição oral desempenhou um relevante papel.

Publicamos anteriormente na nossa coluna a evolução do tratamento e da captação da água do rio Preto, a criação da Represa Municipal e do Palácio das Águas, em 1955. Até ali as avenidas Alberto Andaló, Bady Bassitt e Murchid Homsi ainda não tinham sido construídas. Somente no ano seguinte, em 1956, na gestão de Alberto Andaló, que possibilitou a construção e a canalização dos córregos Canela (que está embaixo da avenida Andaló) e o córrego Borá (que passa embaixo da avenida Bady Bassitt). Mas construção só de uns trechos das avenidas.

A avenida Andaló tinha por muito tempo a rua Independência como final e a Bady, próximo à rua Penita. Elas ainda receberam obras até o final da década de 1960, para alcançar a rodovia Washington Luís. A construção da avenida Murchid e a canalização do córrego Aterradinho só aconteceu no final da década de 1960, início da década de 1970, na primeira gestão do prefeito Adail Vettorazzo.

Andaló, na região próximo à rodovia Washington Luís, em 1964 (Fotos: Jaime Colagiovanni)

Vista aérea do córrego Borá antes da avenida Bady Bassitt; no fundo, a Represa Municipal (Fotos: Jaime Colagiovanni)

Região onde hoje é a avenida Alberto Andaló, durante a canalização do córrego Canela

Local onde fica a Bady Bassitt, no cruzamento com a Silva Jardim, onde existia a pontinha, em 1957

Captação de água no córrego Borá, na década de 1950

Ponte no cruzamento da rua Tiradentes com o córrego Borá

Pinguela do córrego Borá, atual avenida Bady Bassitt (Fotos: Antônio Aguillar)

Córrego Aterradinho, onde hoje é a avenida Murchid Homsi

 
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