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Rio Preto em Foco

Adolfo na tela

Surgido como uma vila entre meados de 1930 e início de 1940, Adolfo hoje é referência turística na região com sua prainha artificial e teve registro histórico captado pela Cometa

Cesar Belisario
Publicado em 29/12/2019 às 00:30Atualizado em 08/06/2021 às 01:01
Uma das imagens históricas de Adolfo captada pelas lentes da Cometa Filmes (Fotos: Arquivo Folha Caipira e Correio Adolfense)

Uma das imagens históricas de Adolfo captada pelas lentes da Cometa Filmes (Fotos: Arquivo Folha Caipira e Correio Adolfense)

Entre 1936 e 1941, Adolfo não se chamava Adolfo e não passava de uma pequena vila na gleba de terras de Vitorio Voltolini. Eram apenas três quadras entre as ruas Duque de Caxias e Santos Dumont. Em 1941, católicos pediram a Adolfo do Amaral Mendonça para construir uma capela em suas terras, perto da vila fundada por Voltolini e Esequiel Vieira. No dia 15 de agosto do mesmo ano, padre João Nolte celebrava a primeira missa, inaugurando a capela. Em outubro, protestantes também inauguravam seu templo Batista, erguido antes da igreja católica e que servia como escola primária. Os protestantes chamavam o vilarejo de "Vila Jericó". Os católicos, de "Maitinga". Para pôr fim à questão, surgiu então "Adolfo", em homenagem ao latifundiário. Em 1945 é instalado o distrito. Em 18 de fevereiro de 1959, é promulgada a lei 5.285, que criou o município de Adolfo.

A diversão entre 1949 a 1951 era o Cine São José, cujos filmes eram exibidos no salão do bar de mesmo nome, de João Chessa. Os anúncios eram feitos por um alto-falante em frente à praça matriz de São José, alimentado pelo motor da sorveteria. O bar era o único imóvel com luz que não fosse de lamparina. O "cinegrafista" era André Chessa, filho de João, auxiliado pelo irmão Hermenegildo. O bar-cinema foi vendido à família Pazzin, que deu continuidade às exibições, e à família de Luiz Roberto de Souza Lima, nos anos 1960.

O premiado jornalista Edmilson Zanetti, hoje radicado em Rio Preto, nasceu em Adolfo, em 1962. Ele lembra que o lugar, quase uma ilha no mapa, cercado por rios, um deles o Tietê, dependia da agricultura e de três cerâmicas de manilhas e telhas: Tedeschi e Saes, na área urbana, e Campo Verde, na fazenda de mesmo nome. Ele mantém frescas lembranças da infância de quando o cinema funcionava num salão onde, por anos, foi o Bar e Sorveteria Mantovan, até os anos 1970. O espaço era palco de exibição de filmes exibidos por Jordino Soares, como Tarzan, Mazzaroppi e westerns como "Django", com Franco Neto, dirigido por Sergio Corbucci.

"Às crianças, entre elas eu, descalças, era reservada a frente, praticamente debaixo da tela, todas deitadas no chão, olhos atentos para o clarão do filme que quebrava a escuridão", lembra o jornalista. "Nos anos 1960, o cinema funcionava no Clube da Lagoa, da Cerâmica Tedeschi, cujo acesso era franqueado ao público que ia se banhar durante o dia e se divertir em bailes no salão em finais de semana". O dono da cerâmica era Amilde Tedeschi, o segundo prefeito.

Em 1964, a histórica companhia de documentários de Rio Preto Cometa Filmes esteve em Adolfo e fez, em apenas 1 minuto, justamente imagens da Cerâmica Tedeschi e do Clube da Lagoa, quando o prefeito coroava a rainha e a princesa locais. Uma preciosidade e um privilégio. O documentário passou nas telas dos cinemas de Rio Preto na época.

Matriz de Adolfo, demolida nos anos de 1980 para dar lugar a uma nova igreja

Jordino Soares, último cinemista da cidade, que exibia filmes dos irmãos Curti, de Rio Preto

Foto aérea de Adolfo e que consta no documentário depois exibido nas telas de Rio Preto (arquivo Folha caipira e correio adolfense)

Edmilson Zanetti, aos 6 anos, na Cerâmica Tedeschi

Luiz Roberto de Souza, dono do bar-cinema de Adolfo

 
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