SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 07 DE JULHO DE 2022
Rio Preto em Foco

A histórica revista riopretana

Publicação lançada no fim da década de 1930 mesclava esportes, literatura, arte e sociedade

Cesar Belisario
Publicado em 13/10/2019 às 00:30Atualizado em 08/06/2021 às 05:56
Piscina do comerciante Bonfá Natale, que foi arrendada para o clube de natação, foi um dos destaques da 1ª edição da Revista Riopretana (Fotos: Arquivo Público)

Piscina do comerciante Bonfá Natale, que foi arrendada para o clube de natação, foi um dos destaques da 1ª edição da Revista Riopretana (Fotos: Arquivo Público)

Em agosto de 1939, era lançada a grande revista da cidade e de toda região: Riopretana, um órgão oficial do Clube de Natação de Rio Preto, que tinha sua sede na rua General Glicério. A direção-geral da revista ficava a cargo de Antônio Tavares de Almeida e a diretoria comercial com Carlos Vásques. A primeira diretoria do clube tinha o dr. Selman Nazaré, como presidente; dr. Rolemberg Sampaio, vice-presidente; professor Bento Abelaira Gomes, 1º secretário; José Nogueira de Carvalho, 2º secretário e dr. Zacarias Délbelian, tesoureiro.

Na abertura do nº 1, o editorial já mostrava a razão de ser da revista: "Estamos aqui. Não somos bandeirantes. O mesmo caminho áspero e cheio de obstáculos que pretendemos percorrer, outros já percorreram com mais denodo, ousadia e espírito de sacrifício", dizia o editorial da revista. O intuito era mostrar os desportos, literatura, arte e sociedade através da fotografia e do trabalho escrito. A propaganda e a vida social também seriam destaques da revista.

E já nas primeiras páginas são mostradas grandes propagandas, que vamos mostrar na nossa próxima Coluna. Também muita poesia, crônicas e fotografias da cidade, como a piscina do comerciante italiano Bonfá Natale, que foi arrendada por três anos para o clube de natação, ou a rua Bernardino depois da missa de domingo. Ainda na edição nº 1, o destaque para as belas fotos do craque da fotografia, o alemão Otto Wierman.

A edição nº 2 saiu em outubro de 1939, com destaque para o "Campeonato Aberto do Interior", em disputa com várias cidades do interior. Novamente foram produzidas fotos belíssimas da cidade, como a construção do novo prédio do Tiro de Guerra, na esquina da ruas Voluntários de São Paulo e Saldanha Marinho. Também muitas propagandas de comércios das cidades mais próximas.

A nº 3 saiu em dezembro de 1939 e foi bem editada, mesclando páginas brancas, amarelas, verdes e rosas. Uma bela reportagem sobre Mirassol, um resgate de um texto escrito pelo coronel Adolpho Guimarães Corrêa sobre o engenheiro italiano Ugolino Ugolini e uma página infantil mostrando a molecada da época são os destaques da edição.

A nº 4 saiu em fevereiro de 1940, e a nº 5 em maio. Em março de 1942, saiu a última edição da revista. Já se via a dificuldade para editá-la. Quase que em preto e branco e com papel de baixa qualidade, a revista já trazia bem menos propagandas e mais notícias da capital, como a reforma da Catedral da Sé. Destaque para a Coluna Rio Preto Social, com muitas fotos e rio-pretenses ilustres e reportagens sobre Mirassol, Ribeirão Claro (Guapiaçu), Cedral, Uchôa e Paulo de Faria. O Arquivo Público Municipal possui apenas sete edições da revista. São consideradas "mosca branca" hoje em dia. Nem o professor Agostinho Brandi tem todas. Pode?

Ao lado, algumas das capas da revista: Arquivo Público Municipal tem apenas sete edições

Acima, algumas das páginas da revista, que fez sucesso nas décadas de 1930 e 1940; ao lado, a rua Bernardino de Campos depois de uma missa de domingo: um dos destaques da 1ª edição da publicação

 
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