SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 07 DE JULHO DE 2022
Rio Preto em Foco

Anos de ouro, os primórdios do futebol de salão rio-pretense

Irmãos Anísio e Ronaldo Haddad trouxeram de São Paulo a primeira bola e um livro de regras

Núcleo Digital
Publicado em 23/09/2018 às 00:30Atualizado em 08/07/2021 às 01:37

No início da década de 1950, a cidade respirava futebol. O América e o Rio Preto eram um celeiro de jogadores, de meninos que vinham de vários bairros e até de cidades da região. Os "campinhos" proliferavam por todo canto e eram a principal diversão da meninada. Mas os mais abastados da cidade pouco frequentavam os campinhos e militavam em outros esportes, como o basquetebol (ou Bola ao Cesto). O voleibol e o tênis ainda eram esportes praticados por poucos.

Um dia, os meninos do basquetebol do Rio Preto Automóvel Clube chegaram cedo e viram duas traves espetadas na quadra. O Seu Antônio, que era o responsável pela praça de esportes, não permitia que os garotos chutassem bola na quadra de forma alguma, somente basquetebol ou voleibol.

Ao verem as traves com a rede, perguntaram o porquê. A resposta foi: "é um novo esporte chamado futebol de salão". Os irmãos Anísio e Ronaldo Haddad frequentavam um clube na capital do Estado e trouxeram de lá a primeira bola e um livro de regras. Primeiramente, os times tinham seis jogadores, o goleiro não podia sair da área de forma alguma e também não podia jogar a bola no campo adversário sem que ela tocasse primeiramente no seu campo. Também era proibido fazer gol dentro da área. Era permitido usar a tabela na lateral das quadras.

No mesmo ano, já foi disputado o primeiro torneio oficial com a participação do Palestra e do próprio Automóvel Clube. O Automóvel Clube venceu o torneio. Mas a Comissão Central de Esportes, que realizava o torneio, acabou dando o título para o Palestra, alegando que os jogadores Laerte Santana, Nonô, Glostora e Vínio eram profissionais de futebol de campo e não poderiam disputar o torneio. Nesta época, o clube cedeu títulos de sócio atleta para várias pessoas poderem disputar torneios pela agremiação. No ano seguinte, o esporte já era uma febre na cidade e região, e grandes times foram formados.

Até empresas, como a Retífica Grisi, por exemplo, tinham seu time de futebol de salão. O Rio Preto Automóvel Clube dominou os anos de 1950, tendo disputado o campeonato estadual. Mas as diretorias seguintes cortaram o benefício do sócio atleta, e o esporte perdeu força no clube. A história está registrada no documentário "Anos de Ouro", da Rio Preto em Foco Filmes.

Já no final de década de 1960 e início da década de 1970, o Clube Monte Líbano de Rio Preto passou a exercer o poder do esporte na cidade. Fez grandes times e torneios. Nas décadas de 1980 e 1990, foi a vez do Palestra e o time do Frango Sertanejo, de Guapiaçu, que chegou a brilhar no estadual. Em 1989, a Fifa assumiu a modalidade, a área ficou maior, o goleiro passou a jogar com os pés, liberou-se o gol dentro da área, entre tantas mudanças. Até o nome mudou: futsal. E o Brasil virou uma potência no esporte, sagrando-se campeão mundial, inúmeras vezes.

 
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