SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 07 DE JULHO DE 2022
Rio Preto em Foco

As raízes caipiras da nossa região

Conheça quem são as pessoas que mesmo morando na cidade contribuem para a cultura caipira ganhar vida por meio de eventos, livros, músicas, filmes e jornais

Fernando Marques
Publicado em 10/06/2018 às 00:30Atualizado em 08/07/2021 às 07:33
cena do documentário "Fio de Bigode" (Reprodução: Internet)

cena do documentário "Fio de Bigode" (Reprodução: Internet)

No mês de junho acontece uma das maiores tradições de toda nossa região e do país: a festa junina. Mas você sabe por que ela acontece?

Segundo o psicólogo rio-pretense Osvaldo Luís Barison, elas acontecem justamente no período de descanso do caboclo, chamado período da vaga, quando ele quase não trabalha e ficava em torno da casa, preparando a horta e fazendo pequenos consertos. É também nesse período que ele comemorava a venda da safra e aproveitava para noivar e casar. Por isso o casamento caipira nas festas juninas.

"O Terço Cantado", que acontece nas margens da Estrada Boiadeira, na propriedade da família Carvalho, já atravessou mais de um século e continua firme e forte. O comando da festa passa de geração por geração.

Há alguns anos, eu e o jornalista José Carlos Pontes fizemos o documentário "Fio de Bigode", contando um pouco dessa história. Além de Barison, convidamos o escritor e professor Romildo Sant'Anna pra falar um pouco sobre a tradição da música caipira na nossa região, afinal ele escreveu uma verdadeira "bíblia" sobre o assunto, o livro "A Moda é Viola - Ensaio do Cantar Caipira", que acabou virando filme do nosso cineasta "caipira" Reinaldo Volpato.

Sim! Ele faz questão de ser chamado assim. É um defensor ferrenho das tradições e do modus operandi do interior do estado de São Paulo. Aliás, os dois fizeram juntos um belo documentário caipira: "Canabraba - Uma necessidade de Expressão". O filme, gravado em 1987, mostra um dia de trabalho de um grupo de boias-frias de Sales Oliveira-SP, destacando os irmãos Toninho e Zequinha.

Solteiros, solitários e ingênuos, eles se expressam através da sua pintura primitivista. A narração do filme é de outro com muita tradição caipira: o jornalista José Hamilton Ribeiro. Autor de mais de 15 livros, entre eles o recente "Música Caipira - As 270 Modas", ele é, há décadas, repórter e editor do programa Globo Rural, da Rede Globo. Também trabalhou em Rio Preto nos anos de 1970, como editor do Jornal Dia e Noite.

Voltando ao "Fio de Bigode", o filme conta também com a participação do artista plástico e caipira declarado, Jocelino Soares. Ele nasceu no sítio e mesmo vivendo há muito tempo na cidade não perde sua característica caipira. Outra participação especial no filme é do médico neurologista Moacir Alves Borges, que chega sempre em seu consultório e nos hospitais com o seu inseparável chapéu. Ele é um dos fundadores do "Centro de Tradição Caipira" de Rio Preto.

Precisa dizer mais? Ah! Antes que me esqueça, a nossa região tem há mais de 15 anos um jornal que é caipira até no nome: "Folha Caipira", capitaneada pelo jornalista Edmilson Zanetti, que atinge inúmeras pequenas cidades da região noroeste do estado. Um luxo. Salve nossos intelectuais caipiras. Bão filme pro cêis.

Cartaz do filme "A moda é viola" (Reprodução)

Jocelino Soares e Romildo Sant'Anna (Divulgação)

FIO DE BIGODE - REEDITADO (Reprodução: Internet)

FIO DE BIGODE - REEDITADO (Fotos: Reprodução/internet)

FIO DE BIGODE - REEDITADO (Reprodução: Internet)

 
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