SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 07 DE JULHO DE 2022
Rio Preto em Foco

A Trama de Sangue. Um bangue-bangue à rio-pretense

Primeiro filme produzido em Rio Preto, em 1968, tem falhas de sincronização entre som e imagem, mas se tornou cult

Fernando Marques
Publicado em 20/05/2018 às 00:30Atualizado em 08/07/2021 às 08:38

Em 1968, foi produzido o primeiro filme de ficção em Rio Preto: "A Trama de Sangue", do advogado Vicente Amêndola Neto, com direção do jornalista João Albano e a cinegrafia de Arlindo Massi. Nenhum deles tinha a mínima experiência com cinema. A película, em 16mm, foi filmada em fazendas de Mirassolândia e Bady Bassitt. Participaram como atores Roberto Toledo, Antônio Carlos Botas, Fernando Ziroldo, Mário Cesar F. De Monte, Margareth Botelho e os figurantes José Miguel, Dema e Papa.

A ideia do filme surgiu numa conversa de João Albano com o advogado Paulo Nimer, que era advogado do fazendeiro que foi o pivô da história. Ele descobriu que a sua mulher estava andando com um capataz. Então armou uma trama e envolveu um escrivão de polícia, que acabou sendo morto pelo capataz. Depois, o próprio fazendeiro acaba matando o capataz, o verdadeiro amante de sua mulher.

No final, o fazendeiro também é morto pela polícia. Fernando Ziroldo fez o papel do fazendeiro, Margareth Botelho, a esposa, Roberto Toledo, o Capataz e "galã" do filme, Mário César, o soldado, e Antônio Carlos Bottas, o escrivão de polícia. Roberto Toledo, posteriormente, revelou que a cena que ele foi amarrado e arrastado por um cavalo foi real e que teve até algumas costelas fraturadas. Depois de filmado, João Albano e Vicente Amêndola foram para São Paulo sonorizar o filme no Laboratório Líder. Amêndola chegou a vender seu carro, um DKV Fissore, para bancar os custos de finalização.

O filme foi lançado numa sessão, às 14 horas, no Cine São Paulo, só para convidados especiais. Nem eles sabiam do resultado final. A sessão começou e a tensão foi geral. O filme tinha uma falha de sincronização da imagem com o som em 3 segundos, que é uma eternidade, cinematograficamente falando. Numa das cenas, dentro do bar, Roberto Toledo bate a mão na mesa, mas o som só chega muito depois. O mesmo acontece com um figurante colocando o copo. Uma gargalhada geral. Em outra cena, Margareth Botelho vai à igrejinha de calça e sai de saia.

Outra gargalhada geral. Um vexame. Mas a culpa não foi deles. Foi uma falha na montagem da Líder Cinematográfica. O filme, depois do seu lançamento, teve somente mais uma semana de exibições, sempre às 19h40. A família de Arlindo Massi, posteriormente, entregou a lata para a nossa produtora Rio Preto em Foco.

Há alguns anos, a Secretaria de Cultura bancou a telecinagem do filme no Laboratório Hélicon, em São Paulo. Fiquei incumbido de reeditar e sincronizar as cenas. Mas não tive coragem. O filme se tornou "cult" justamente por isso e eu não podia modificar a história do primeiro filme de ficção produzido na cidade. Seria como mudar o fim de "E o vento levou". Não dá.

 
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