SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 07 DE JULHO DE 2022
Rio Preto em Foco

Rio Preto E.C. 99 anos: uma paixão eterna

Primeira "peleja" do time foi com o Clube Atlético Imperial, da cidade de Taquaritinga

Fernando Marques
Publicado em 12/05/2018 às 18:40Atualizado em 08/07/2021 às 09:05
Construção do Anísio Haddad (Divulgação)

Construção do Anísio Haddad (Divulgação)

O Rio Preto Esporte Clube está completando 99 anos de existência. Uma paixão, que passa de geração para geração. Na época da sua fundação, em 21 de abril de 1919, só existia na cidade uma agremiação conhecida por "Esporte Clube", ligada ao pessoal do comércio. Uma fusão foi proposta e aceita pelos dois clubes e assim passou a chamar-se Rio Preto Esporte Clube.

A primeira "peleja" foi com o Clube Atlético Imperial, da cidade de Taquaritinga. Logo depois, choveram convites para novos confrontos. Um campo era a próxima meta e aí surge na história o poderoso Coronel Victor Brito Bastos. Farmacêutico, advogado, cartorário e prefeito da cidade por várias vezes, entre 1917 a 1938, ele cedeu uma área no bairro da Redentora e seu nome foi dado ao primeiro estádio do clube.

Posteriormente, seu neto, Reinaldo Navarro da Cruz, chegou à presidência do clube. No Estádio Victor Brito Bastos, aconteceram jogos amistosos memoráveis. Entre eles, contra o poderoso São Paulo de 1949, de Leônidas da Silva, que parou a cidade e virou documentário: "Um dia com o Diamante Negro", da Rio Preto em Foco Filmes.

Outro que marcou época foi em 1955, contra o Botafogo do Rio de Janeiro. "O menino Garrincha fez miséria. Deixou seus marcadores tontos, fez gol e o seu time ganhou de 3 x 0", lembra o professor e historiador Agostinho Brandi. O mais badalado foi em 1963, entre Rio Preto x Palmeiras, na entrega das faixas dos campeões paulistas da 1ª e 2ª divisões. Foi o recordista de público no estádio. O Rio Preto jogou muito e quase complicou a vida do Palmeiras, que venceu por apenas 1 x 0, gol do divino Ademir da Guia. Para nosso deleite, temos as imagens do jogo, registradas em 16mm. O presidente na época era Ulisses Jamil Cury.

No final dos anos de 1960, o "Fortim da Vila", como era carinhosamente chamado, ficou pequeno e um novo estádio começou a ser construído, ao lado do Consórcio de menores. O comerciante Farid Abrão Faluf e os irmãos Anísio e Waldemar Haddad foram imprescindíveis no empreendimento.

O nome do presidente Anísio Haddad foi escolhido para o novo estádio. Até hoje, descendentes de ex-presidentes continuam a colaborar com a agremiação, como Márcio, filho de Anísio Haddad, e Ulisses, filho de Ulisses Jamil Cury, entre outros. Mas o mais incrível é a história do torcedor apaixonado Márcio Luiz Mendonça. "Eu era gandula do time em 1974 e colava cartazes dos jogos. Hoje tenho o maior orgulho de ser vice-presidente do clube". Ele trabalhava com os Haddad, no velho casarão da família, na rua Marechal Deodoro, onde hoje é o estacionamento do Bradesco. Ali foi a sede do clube até 1979, quando o prédio foi derrubado. Parabéns ao Jacaré do couro duro. Parabéns a seus torcedores apaixonados. Até um americano de berço, como eu, reconhece a força dessa enorme paixão.

Torcedor Márcio Luiz Mendonça com o jogador Zico (Divulgação)

Cartaz da inauguração (Divulgação)

Estádio Victor Brito Bastos (Arquivo Público Municipal)

Anísio Haddad, presidente que deu nome ao estádio (Divulgação)

 
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