SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 07 DE JULHO DE 2022
Rio Preto em Foco

A Catedral de São José

As polêmicas da antiga Igreja Matriz e a construção da nova Catedral que foi inaugurada mesmo inacabada. Até hoje os rio-pretenses não se conformam com a demolição do prédio tradicional

Fernando Marques
Publicado em 22/04/2018 às 00:30Atualizado em 08/07/2021 às 10:07

A primeira Capela de Rio Preto foi construída em 1855, a mando dos irmãos Luiz Antônio da Silveira e Antônio Carvalho e Silva, doadores do patrimônio que deu origem à cidade. Em 1890, foi construído um templo maior no local onde estava a Capela. Em 1911, uma comissão, liderada pelo engenheiro Ugolino Ugolini, nomeada pelo prefeito Adolpho Guimarães Corrêa, condenou o prédio à demolição. Com o relatório da comissão, o padre Joaquim Antônio de Canto consultou o arcebispo de São Carlos, D. José Marcondes, que ordenou a demolição em 15/04/1912.

Um mês depois o padre Canto fez o lançamento da pedra fundamental para a construção da nova igreja Matriz. Impossibilitada de construir sobre os alicerces da antiga Capela, a Igreja Católica entrou em negociação com a Câmara Municipal para fazer a permuta com um terreno em frente, recebendo ainda uma indenização de cinco mil contos de réis. As obras foram iniciadas em fevereiro de 1913 e em dezembro do mesmo ano as paredes já estavam de pé. Em setembro de 1914, o arcebispo D. José Marcondes abençoou a construção.

Dez anos depois, em 1924, o padre Mauro Deutschmann reuniu um grupo de católicos e formou uma comissão para continuar as obras da nova Matriz, agora já com status para ser Catedral, uma vez que a instalação do Bispado já estava anunciado (o Bispado foi criado pelo Papa Pio XI, no dia 25/01/1929). Mas as obras só foram retomadas pra valer em agosto de 1926, com a chegada do padre engenheiro Anselmo Werner. As obras só foram concluídas por volta de 1932, pelo monsenhor Gregório Nafria. Com estilo renascentista, a Catedral de São José ficou de pé por apenas 40 anos, sendo anunciada a sua demolição em 1973, quando o padre Santo Marini já apresentava aos fiéis a maquete da nova Catedral. A notícia da demolição provocou uma onda de protestos, mas no final prevaleceu a autoridade do bispo D. José de Aquino Pereira. O prefeito Wilson Romano Calil ainda tentou de todas as formas envolver entidades no embate, como a Sociedade dos Engenheiros. Mas como o patrimônio pertencia a cúria, não havia mais o que fazer. Por muito tempo os rio-pretenses conviveram com a demolição e a construção da nova Catedral. O saudoso fotógrafo Edson Baffi fez fotos sensacionais da demolição.

A Cometa Filmes estava encerrando as suas atividades justamente nesta época e não captou imagens. Mas para a nossa sorte, o documentarista Aparecido Santana estava lá com a sua câmera em 16mm e fez imagens incríveis. O Dr. Victor Bastos Navarro da Cruz e Jorge Terzian também produziram imagens em Super 8. Elas aparecem no documentário "Rio Preto em Super 8". A nova Catedral foi inaugurada mesmo inacabada, mas até hoje os rio-pretenses não se conformam com a demolição da velha Igreja Matriz.

(Fotos: Arquivo Público Municipal)

Demolição da velha Matriz foi feita aos poucos, a partir de 1973, para dar lugar à Catedral atual (Arquivo/Edson Baffi)

Nas imagens, os diferentes momentos da antiga catedral, inclusive durante a demolição, e ângulos do novo prédio no centro de Rio Preto

 
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