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Foi nos bailes da vida...

Aniversário de Rio Preto reuniu no mesmo palco família de músicos da cidade, em noite histórica

Fernando Marques
Publicado em 24/03/2018 às 18:19Atualizado em 08/07/2021 às 11:32

Na última segunda-feira, aniversário de Rio Preto, a cidade ganhou um presente maravilhoso. Aconteceu, no palco do Sesc, um dos encontros mais emocionantes de nossa história: a reunião de família de músicos locais.

Estavam ali, dividindo o mesmo palco com seus filhos, o nosso maestro soberano e pianista Luiz Carlos Ribeiro, o percussionista e humorista Mestre Boca, o trombonista Amaro Zacharias, o guitarrista e líder da Banda Apocalipse Marquinhos Angelotte, o ex-baixista e vocalista também da Banda Apocalipse, Rui Boares, o violonista e líder do Grupo Trem das Onze Luiz Papini, o cavaquinista Djalma, o baixista Zé Minto, o pistonista e compositor Fernando Calase, a cantora Thyone Salinas, os irmãos Jânio e João Flávio Freitas, mais a presença do baterista Baruffi, do tecladista Paulo Lakimé, entre tantos Foi sensacional.

Principalmente fora do palco. Muitos se conhecem desde criança e pegaram o gosto dos pais pela música. O mais badalado, é claro, foi o maestro Luiz Carlos Ribeiro. Uma unanimidade. Parabéns ao Sesc e a Mauro Zacarias pela organização.

O evento me fez lembrar um momento mágico de nossa música que aconteceu em 1996, no Teatro Municipal. Fui convidado pela secretária de Cultura da gestão do prefeito Manoel Antunes, Carmen Soler Accorsi, para produzir um show juntando a velha guarda musical de nossa cidade.

Foi uma emoção indescritível. O público foi ao delírio ao ver os nossos maiores músicos, que não se apresentavam há muito tempo, tocando juntos. Pra começar, Roberto Farath, ao piano, arrancou suspiros tocando versão inusitada de "Carinhoso", de Pixinguinha. Na sequência, Farath acompanha Renato Perez, no saxofone, arrasando "Summertime", de Gershwin e "Rosa", também de Pixinguinha. O teatro quase veio abaixo.

Tinha mais! Farath cede o piano a Luiz Carlos Ribeiro, que não tocava há 10 anos e estava se reabilitando de problemas de saúde. Luiz toca um Chopin de cair o queixo. Balthazar, que não estava no programa (tinha se apresentado com a Orquestra Sinfônica na abertura) aparece do nada e, com Luiz Carlos, fazem a plateia chorar com "Folha Morta", de Ary Barroso. Mas tinha mais. E Luiz acompanha Antonio Netto (Nico), numa emocionante "Nossos Momentos", de Haroldo Barbosa e Luis Reis. Nesse momento a plateia já estava de pé e extasiada pelo momento mágico da noite.

Pra fechar, José Rastelli, ao violão, mostrou por que é até hoje um dos monstros sagrados da nossa música. Um arraso. Foi uma das maiores lotações da história do Teatro Municipal. Ao final, promovemos uma homenagem ao mecenas da nossa música, Florindo Mani, com a presença da sua família. Ele merecia. Carregou nossa Orquestra Sinfônica nas costas por décadas. Um paizão. Evoé nossos artistas.

 
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