SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 06 DE JULHO DE 2022
Rio Preto em Foco

O sonho de adulto do Grupo Realejo

"Grupo mudou panorama musical de Rio Preto. Formado pelos estudantes de engenharia Benê e Lory Ferreira e por Cesar Meneguethe, eles foram os primeiros a gravar LP com composições próprias

Fernando Marques
Publicado em 02/12/2017 às 18:51Atualizado em 17/01/2022 às 08:17
Chegada da Jovem Guarda permitiu a "invasão" de músicos amadores na noite rio-pretense, como destacava rreportagem da época (Fotos: Arquivo Fernando Marques)

Chegada da Jovem Guarda permitiu a "invasão" de músicos amadores na noite rio-pretense, como destacava rreportagem da época (Fotos: Arquivo Fernando Marques)

Até no meio da década de 1960, somente profissionais trabalhavam com música. Era obrigatório ter a carteira da Ordem dos Músicos. Com a chegada do movimento Jovem Guarda e seus acordes minimalistas, muitos amadores puderam atuar na noite. Até a Ordem cedeu e expediu uma carteira provisória. Com o naufrágio do movimento, no final da década de 1960, muitos não aprenderam a ler música e nunca mais trabalharam profissionalmente. Participavam eventualmente dos festivais amadores de música, como o FAMUS, do Rio Preto Automóvel Clube, que iniciou em 1971 e fez a sua última versão em 1985. E até ali pouquíssimas músicas de compositores de Rio Preto e da região tinham sido gravadas em discos.

No início da década de 1960, as músicas "Mocidade Legal", de Benedito Balthazar, "Meu Samba de Bossa" e "Cadê Meu Amor", ambas de Raimundo Batista, foram incluídas no segundo disco da Orquestra "Os Modernistas", liderada pelo maestro Luiz Carlos Ribeiro. Ainda na década de 1960, o conjunto "The Five Kings" gravou um compacto com a música "Não Consigo Acreditar", de autoria de Wagner e Peeter, membros do conjunto. Em 1977, as músicas "Cantança da Canção Cantada", de Roberto Correa e "Caruaru", de Roberto Correa e Mário Gíglio foram gravadas do LP "Coral do Teatro Municipal de São José do Rio Preto".

Em 1982, Vicente Serroni lança o compacto "Moleque da mãe", música de sua autoria no lado A e "Heróis e Vilões", no lado B, composição de Altino Bessa Marques Filho. Após o fim do FAMUS, um novo festival surgiu graças ao esforço do então vereador Eduardo Nicolau. Muitos compositores foram revelados ali. Entre eles o "Grupo Realejo", que chegou para mudar definitivamente o panorama musical da cidade. Formado pelos estudantes de engenharia Benê e Lory Ferreira (sem parentesco) e por Cesar Meneguethe, eles foram os primeiros a gravar LP com composições próprias.

O primeiro foi "Sonho de Adulto", de 1984 e o segundo ""Anjo", de 1985. Ambos contam com a participação de muitos músicos da cidade, como Luiz Jardim, João Pazzini, Érico Ferreira, Zé Luiz, Ricardo Vendramini, Osvaldir Castro, Andréa Ribeiro, Fernanda Maia, Sérgio Carvalho e Zé do Rancho. Parcerias com poetas da região, como Mauro Rueda, Romildo Sant'Anna, Sidnei Olívio e o carioca Pedro Jônathas. Os discos foram gravados no Estúdio CVE Produções, montado dentro de uma usina de cana de Penápolis, pelo empresário Celso Viana Egreja, um apaixonado pelas artes.

Após a gravação dos discos, seus membros começam a tocar na noite rio-pretense, inaugurando uma nova era. Até então compositores eram tratados como amadores pelos músicos profissionais. Eles abriram o caminho. Estas e outras histórias foram contadas recentemente no documentário "Realejo", produzido pelos documentaristas Hélio Ricardo e Renato Lima, da RZ2 Produções.

O RIO PRETO AUTOMÓVEL CLUBE

Fundado em 13/05/1920, é o primeiro clube social da cidade. Sua primeira sede própria funcionava na esquina da Rua Silva Jardim com rua Voluntários de São Paulo. Em 1962, inaugurou sua nova sede na Avenida Andaló, esquina com a Avenida da Saudade. Ali foram realizados os primeiros grandes festivais de música de Rio Preto, o FAMUS.

Apresentação do Coral do Teatro Municipal de Rio Preto (Lory Ferreira, um dos integrantes do Realejo)

Muitos músicos e compositores foram revelados durante o FAMUS (Benê Ferreira, entre aulas na faculdade e a música)

 
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