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Sexta-feira, 14.07.17 às 00:23 / Atualizado em 14.07.17 às 00:23

Lisboa, ontem e hoje

Agência O Globo
Agência O Globo Aqueduto, Lisboa - 14072017
Aqueduto: estrutura que saiu ilesa do terremoto de 1755 pode ser visitada

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Agência O Globo Aqueduto, Lisboa - 14072017
Aqueduto: estrutura que saiu ilesa do terremoto de 1755 pode ser visitada

As charmosas ladeiras que conduzem a destinos como Bairro Alto e Alfama, indispensáveis ao turista de primeira viagem e reveladores sobre a alma da cidade, continuam a marcar a paisagem lisboeta. Na região alta ficam os sete miradouros de onde os visitantes se empenham - e se espremem - para registrar as imagens da capital portuguesa para o mundo. Mas quem está em busca de novidades sequer precisa se esforçar pelas subidas históricas: elas estão na área plana da capital portuguesa, repaginada após as intensas obras de revitalização que anteciparam as eleições autárquicas (que correspondem às nossas municipais), marcadas para outubro.

Belém é a Zona Monumental de Lisboa. O bairro histórico não tem metrô, mas é acessível pelos bondes, outra assinatura da cidade. Lá, estão cartões-postais como a Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos, o Mosteiro dos Jerônimos, onde surgiu a receita do Pastel de Belém, e a Pastelaria Belém, onde multidões se reúnem para degustar o melhor da doçaria conventual portuguesa.

Enquanto os frades se dedicam a alimentar o mais saboroso dos pecados, às margens do Tejo, a contemporaneidade divide espaço com a tradição desde a inauguração do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia de Lisboa (Maat), em junho de 2016. Ainda pouco conhecido, o espaço aproxima discussões sobre os três temas que fazem parte dos desafios enfrentados pelas grandes cidades hoje.

Bem perto dali, o Museu Nacional dos Coches está de casa nova: passou para o lado par da Avenida da Índia. O prédio antigo, localizado em frente, abriga agora a reserva técnica. O equipamento, dedicado à coleção de carruagens pertencentes à família real portuguesa e peças raras, está agora em um prédio com pé-direito especialmente alto, erguido especificamente para este fim.

O projeto é do arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, em parceria com o português Nuno Sampaio. Três dos maiores orgulhos do acervo são os veículos utilizados para transportar o Papa Clemente XI, recebido por Dom João V em 1716: o Coche do Embaixador, o Coche dos Oceanos e o Coche da Coroação de Lisboa. A riqueza de detalhes das esculturas que o veículo transportava, como se fosse altar sobre rodas, impressiona pela beleza, mas os tornava mais pesados e exigia mais cavalos para tração.

Principal área boêmia da cidade, repleta de bares descolados, restaurantes concorridos e opções musicais de procedência sortida, o Cais do Sodré acolhe o fim da noite lisboeta, quando jovens descem do Bairro Alto em busca da adiada saideira. A área foi reinaugurada em março, após um ano e meio de obras de revitalização.

Restaurantes

As intervenções tornaram o local mais agradável, com novas áreas verdes e espaços mais amplos para os pedestres, e devolveram à paisagem da cidade um cartão-postal que estava escondido por tapumes: o Mercado da Ribeira. Lá, desde 2014, os produtos frescos, tão próprios dos mercados municipais, perderam protagonismo. Eles continuam por ali, mas os restaurantes internacionais e seus chefs são hoje a principal atração do local, que fica aberto o dia todo.

Lisboa é reconhecida por preservar o passado sem deixar de reverenciar o presente. Acostumou-se a isso na marra quando, em 1755, um sismo de intensidade estimada em nove pontos, seguido de um maremoto, devastou a área plana da cidade e deixou pelo menos dez mil mortos.

Se a natureza obrigou Lisboa a se renovar, poupou aquilo que se tornaria uma marca de sua paisagem: o Aqueduto das Águas Livres, com 58km de extensão, construído anos antes, no reinado de Dom João V. A estrutura ainda funciona, abastece a cidade com águas do Vale da Ribeira do Carenque, e é aberta a visitação. Há quem leve garrafinha para guardar as águas de lá como lembrança.

Onipresente na vida, paisagem, a História e literatura portuguesas, o Tejo, de onde as caravelas lusitanas partiram para formar um dos maiores impérios já vistos, não tem águas apropriadas para consumo. Devido à proximidade com o Atlântico, apresentam salinidade em excesso.

Viagem no tempo até Sintra

Se a área da Baixa e do Chiado, que abriga um pujante centro comercial, repleto de grifes internacionais, precisou ser completamente reconstruída, aos poucos, Lisboa começa a crescer em direção à Zona Leste. A área - onde fica o Parque das Nações, que foi desenvolvido para sediar a Exposição Internacional de Lisboa de 1998, evento preparado para celebrar os 500 anos dos descobrimentos portugueses - abriga atrações diversas, entre elas o Oceanário.

O espaço tem cinco ambientes que reproduzem os ecossistemas das faunas marinhas. Visitá-lo sem câmera é um pecado imperdoável: não permitirá fazer fotos das performances de Micas e Maré, as lontras símbolo da cidade, abrigadas no habitat Pacífico, ou dos pinguins que cativam as crianças no refrigerado ambiente Antárctico.

Na mesma calçada do Oceanário fica o acesso para a Telecabine Lisboa (teleférico) que corre sobre o Parque das Nações. Do alto, essa é uma das partes mais surpreendentes da histórica Lisboa, onde se vê também despontar a arquitetura contemporânea, com arranha-céus, vidros e metais.

A região é atendida pela Gare do Oriente, de onde partem trens para todo o país e o exterior. O projeto da obra conta com a assinatura do espanhol Santiago Calatrava, responsável pelo Museu do Amanhã, no Rio, pela Ponte da Mulher, em Buenos Aires, e pela estação Oculus (novo centro de conexões de transporte urbano do World Trade Center em Nova York), entre outros ícones da arquitetura contemporânea.

Se, nessa área da capital, uma nova cidade florescer, bem perto dali, em outro centro urbano, o empenho é para preservar tudo rigorosamente igual através dos séculos. Em 1995, parte da pequena cidade de Sintra, no distrito de Lisboa, foi reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. O feito impulsionou o lugarejo como destino turístico, hoje consolidado como um dos mais importantes do país e refúgio até para os portugueses, pelo clima mais ameno em relação ao da capital, a apenas 40 minutos dali.

O casario antigo, os azulejos e os palácios são a marca da cidade, como o Palácio Nacional de Sintra (ou Palácio da Vila), com arquitetura de inspiração árabe, e o Palácio da Pena, com traços românticos, próprios do estilo neomanuelino.

A Quinta da Regaleira é outro ponto de visita. Seu conjunto arquitetônico e os jardins com lagos, estátuas, túneis, grutas e cachoeira compõem um cenário de beleza cinematográfica. Não perca duas das principais atrações do local: o Poço Imperfeito e o Poço Iniciático, parte da galeria de túneis.

Entre uma atração e outra, a fábrica das Queijadas da Sapa, merece uma parada. É a casa mais procurada para degustar a queijadinha, representante da local doçaria conventual portuguesa.

Para quem quiser levar uma lembrança de viagem, a cortiça é boa opção. Mas não garrafas de vinho verde ou do Porto, que levam rolhas produzidas com esse material. Produto mais exportado por Portugal, a cortiça é matéria-prima para presentes criativos, como bolsas, chapéus, cordões e até mesmo gravatas, que exigem perícia especial para o nó.

Descontos e mimos em Lisboa e Porto

Principal companhia aérea de Portugal, a TAP percebeu que um número significativo de seus passageiros passava por Portugal apenas para fazer conexão a caminho de outros destinos. Para aproveitar esse fluxo que, naturalmente, já chegava ao Porto e a Lisboa, a companhia criou o Stopover TAP, um programa que permite aos passageiros desfrutarem, de acordo com a escolha, de um a três dias, na ida ou na volta, em seu primeiro ponto de entrada na Europa - Lisboa ou Porto, para quem vai do Brasil - antes de chegar a seu destino final, que pode ser na Europa ou na África, sem custos extra com passagens, e com direito a descontos e benefícios oferecidos por empresas parceiras.

O Stopover da TAP inclui uma rede de 150 empresas associadas, que oferecem benefícios como a oferta de uma garrafa de vinho gratuita em restaurantes associados (entre eles o Eleven, que tem uma estrela no Guia Michelin, e a Tasca da Esquina, no Campo de Ourique), descontos sobre os preços mais baixos na rede hoteleira credenciada e passeios gratuitos, como os feitos por tuk-tuks pelas ruas em bairros de Lisboa como a Baixa e o Chiado, ou de micro-ônibus para até 15 pessoas por Sintra.

Em março, o programa incluiu como destinos finais o arquipélago de Açores, o Algarve e a Ilha da Madeira, que recentemente teve o aeroporto de Funchal rebatizado de Cristiano Ronaldo, com direito a uma estátua em tamanho real do astro do Real Madrid, revelado pelo madeirense Nacional, que despontou no Sporting. A expectativa da TAP é que 150 mil passageiros sejam beneficiados pelo programa até o fim do ano. Anualmente, o país recebe 11 milhões de visitantes. O Brasil é o terceiro maior emissor. À frente, no ranking de procedência, estão Espanha e França.

 

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