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Terça-feira, 26.05.15 às 00:38

A língua dos anjos

Gisele Bortoleto
Johnny Torres Fiéis oram em línguas na Igreja Santa Terezinha
Fiéis oram em línguas na Igreja Santa Terezinha, em Rio Preto. Prática secular ficou esquecida durante muito tempo, e hoje está presente em diferentes denominações da filosofia cristã: difícil de explicar, forte de sentir

Você possivelmente já viu as demonstrações de fervor que ocorrem em igrejas católicas e templos evangélicos. O que nem todos viram são católicos e evangélicos rezando em línguas estranhas. Que língua é essa que, aparentemente, para muitas pessoas, não tem sentido ou nenhum significado, parece mera repetição de sílabas? 

Saiba que, aos olhos da fé, essa estranha oração tem, sim, um sentido, tem uma história, que vem de 2 mil anos atrás. É a oração da qual fala São Paulo na primeira carta aos Coríntios, no capítulo 13, um dos textos de amor mais belos e mais lidos de todos os tempos: "Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine...". É o que muitos fiéis chamam de "a língua dos anjos".

Linguagem não pode ser traduzida

Os católicos carismáticos acreditam que, nesse tipo de celebração, recebem os dons do espírito santo. É o que chamam de orar em línguas estranhas. Eles ficam horas rezando. Esse tipo de linguagem não tem tradução ou interpretação. Não se trata de uma linguagem identificável. Em termos de linguística, não tem uma estrutura que possa ser analisada ou traduzida. Isso é a oração em línguas, um fenômeno de transbordamento, de ultrapassar a barreira da linguagem. 

"Isso é um dom. São sons incompreensíveis para os ouvidos humanos, mas é uma forma de louvar a Deus", explica o padre Silvio Roberto dos Santos, da paróquia Menino Jesus de Praga, que já orou em línguas. E complementa: "É um dom, e os frutos vão depender da fé e da intenção de Deus em curar as pessoas." Um grupo de oração onde os fiéis da paróquia falam em línguas se reúne toda terça-feira.

PROMESSA DE CRISTO

Conta a Bíblia que, antes de subir ao céu, Jesus Cristo prometeu enviar a seus apóstolos o espírito santo. Na celebração de pentecostes, 50 dias depois da páscoa judaica, em Jerusalém, o espírito santo desceu sobre os discípulos de Cristo, inclusive a Virgem Maria, na forma de línguas de fogo. Então ocorreu o fenômeno das línguas. 

Os apóstolos falavam em sua própria língua, o aramaico, e, ainda assim, muitas testemunhas que não conheciam o aramaico, porque eram de outras regiões, entendiam o que os apóstolos diziam. Depois disso, ouve muitas vezes esse fenômeno de falar em línguas, e aquele fenômeno anterior não ficou restrito. Essa promessa iria se repetir em outras ocasiões.

Era moderna

As orações em línguas ficaram esquecidas por muito tempo, mas um pastor norte-americano negro, quase cego, Willian Seymour, inaugurou a era moderna do movimento pentecostal. No início do século 20, ele promovia cultos com cantos, danças, gritos e línguas estranhas. Era uma espécie de êxtase espiritual dentro de um templo, em uma rua que se tornou célebre, a Azusa Street, em Los Angeles. Em abril de 1906, repórteres do Los Angeles Daily Times assistiram à celebração do pastor e publicaram na primeira página do jornal. "Espantosa babel de línguas" e "cenas impressionantes em templo da rua Azusa". 

Foi assim que, há quase 100 anos, o movimento pentecostal voltou. Primeiro nas igrejas evangélicas e, mais recentemente, nos anos 1960, na Igreja Católica. "Há 30 anos frequento o grupo e não consigo explicar o que acontece. Há muitas curas, muita libertação e muita transformação neste momento", explica o músico Paulinho Ribeiro, pregador e coordenador do grupo de Oração da Igreja Santa Terezinha, um dos grupos de oração da renovação carismática em Rio Preto.

Mais próximo de Deus

Na igreja do Nazareno, em Rio Preto, um templo evangélico em Rio Preto, os fiéis também oram em línguas estranhas. "A oração em línguas é uma linguagem do ser humano para se comunicar com Deus", afirma o pastor Reginaldo Guerra. É o espírito santo, segundo ele, quem capacita as pessoas a falar em outras línguas e fortalecer essas pessoas para que tenham uma conduta de não se submeterem a tudo que o mundo oferece e conversar com Deus. 

"As pessoas que estão ali, reunidas, ficam sem entender, a não ser que tenham outro dom, que é o da interpretação das línguas", complementa. O resultado, diz Guerra, é uma vida mais próxima de Deus, mais feliz e mais alegre. 


Dom pode ser conquistado, diz pastor

Mesmo que você não tenha esse dom, ele pode ser conquistado, segundo o pastor Reginaldo Guerra. Como? Estando em contato com Deus e com a palavra (o que consta na Bíblia). Existem reuniões e pessoas que auxiliam nesse processo. "O espírito santo está em todas as reuniões e o importante é saber que ele existe e buscar seu dom", diz o pastor.

"Falar a língua dos anjos sempre foi um desejo do meu coração e sempre pedi a Deus para ter esse dom e sentir o que era isso, na verdade. Quando estou orando, não tenho consciência do que estou falando. Você se conecta com Deus e de repente você já está falando aquela língua, como se Deus estivesse te ouvindo claramente", diz. Trata-se de um sentimento, segundo ele, muito difícil de explicar. "Parece que você está em outra dimensão, voando, você se desconecta do mundo", conta. 

Mas apenas orar em línguas não é suficiente para mudar a vida de ninguém. "A partir do momento que entreguei minha vida a Deus e mudei, isso fez sentido para mim, como se agora Deus me ouvisse de verdade", conta o administrador Luís Henrique Rodrigues, que faz parte da igreja Renascer em Cristo Mirassol.

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