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Sexta-feira, 19.05.17 às 00:00 / Atualizado em 18.05.17 às 23:50

STF afasta Aécio; irmã dele é presa

Vinícius Marques e Rodrigo Lima
Marcelo Camargo/Agência Brasil Aécio Neves - 19052017
Aécio: ‘Única prioridade será preparar minha defesa’

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi afastado nesta quinta-feira, 18, de suas funções parlamentares por decisão do ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também foi alvo de um pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, negado posteriormente por Fachin. As medidas contra o senador ocorreram no âmbito da Operação Patmos, da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. A irmã de Aécio, Andrea Neves, e o primo, Frederico Pacheco de Medeiros, foram presos preventivamente.

Os pedidos de prisão e de busca e apreensão foram feitos com base na delação premiada do empresário Joesley Batista, da JBS, e de outros empresários do grupo. Joesley gravou um diálogo em que o presidente Michel Temer (PMDB-SP) deu aval a uma operação para comprar o silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba na Operação Lava Jato. O empresário também gravou Aécio pedindo R$ 2 milhões. O valor teria sido entregue em espécie ao primo do tucano, que teria tratado de entregá-lo a uma empresa do filho do senador Zezé Perrella (PMDB-MG) em Belo Horizonte.

Segundo as investigações, Andrea, que também é assessora de Aécio, foi quem articulou o encontro entre o irmão e Joesley. A Operação Patmos cumpriu 41 mandados de busca e apreensão e 8 de prisão preventiva em 5 estados e no Distrito Federal. Segundo a PF, resultou também na apreensão de R$ 2 milhões. O nome da operação é uma referência a ilha grega onde o apóstolo João teria recebido mensagens do apocalipse. Entre os detidos estão o assessor de Perrella, Mendherson Souza Lima, encarregado de entregar o dinheiro em Minas Gerais, o deputado Rocha Loures (PMDB-PR), que destinou o dinheiro a Cunha, e o procurador da República Ângelo Goulart Villela.

 

Dinheiro apreendido - 19052017 Dinheiro apreendido em operação envolvendo Aécio

Cunha e Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB, que já estão presos, também foram alvo. Rocha Loures e o ex-deputado estadual Gustavo Perrella (SD) tiveram buscas e apreensões em seus endereços. Andrea foi presa em um condomínio em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. O apartamento dela, em Copacabana, também foi alvo de busca e apreensão, bem como o apartamento de Aécio, em Ipanema, de onde policiais e funcionários do Ministério Público Federal saíram com um malote e uma mochila. O gabinete e a casa do tucano em Brasília também passaram por buscas.

Tucano escolhe sucessor no PSDB

Mesmo afastado do Senado, Aécio Neves atuou nos bastidores do PSDB para escolher seu sucessor na presidência da sigla, que será interinamente comandada pelo também senador Tasso Jereissati. Como se afastou em vez de renunciar, ele deixou aberta a possibilidade de voltar ao cargo. “Em razão das ações promovidas no dia de hoje contra mim e minha família, quero afirmar que, a partir de agora, minha única prioridade será preparar minha defesa e provar o absurdo dessas acusações e o equívoco dessas medidas”, afirmou o tucano em nota.

Aécio comandava com mão de ferro a máquina partidária e as bancadas no Congresso, além de ser o principal interlocutor do partido com o Palácio do Planalto. A partir de agora, dizem tucanos, o PSDB vai ter que reinventar sua dinâmica. Aliados do governador Geraldo Alckmin, por exemplo, já cobram mais “democracia interna” e falam abertamente que chegou a hora do paulista, que tenta se viabilizar como candidato à Presidência em 2018, ampliar seu espaço. 

(com Agência Estado)

 

Aloysio, Edinho e Temer - 19052017 Edinho fala com Temer na visita dele a Rio Preto em março

Edinho recebeu ajuda da JBS via Temer

O grupo JBS/SA, cujo dono Josley Batista afirmou em delação premiada à Procuradoria Geral da República que o presidente Michel Temer (PMDB) deu aval à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), preso na Operação Lava Jato, doou R$ 50 mil para a campanha do prefeito de Rio Preto, Edinho (PMDB), em 2014. Na época, ele foi candidato a deputado federal também pelo PMDB e foi eleito.

Sistema de prestação de contas, divulgado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na internet, aponta que a doação foi feita pela campanha de vice-presidente da República, ou seja, de Michel Temer. O nome do doador consta com JBS/SA. O depósito foi em cheque. A JBS aparece como “doador originário” do repasse computado a Temer, que também se elegeu com vice na chapa da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), substituída por ele no ano passado após o impeachment. 

Edinho declarou à Justiça Eleitoral ter recebido R$ 790.367,38 em doações na campanha de 2014, quando eram permitidas doações de empresas, o que passou a ser vetado no pleito de 2016. Edinho chegou de em Brasília nesta quinta, 18, à noite. Ao desembarcar em Rio Preto, ele falou com exclusividade com o Diário sobre o assunto. “Esse é um assunto vencido e superado. Nas eleições de 2014, quando recebi aqueles recursos para a campanha da iniciativa privada, isso era permitido. Portando são legais.

Estou absolutamente tranquilo com relação a esta prestação de contas que foi aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE)”, afirmou. O prefeito disse ainda que não pediu o recurso à JBS e que não tinha conhecimento de apurações da empresa com relação à Java Jato. “Nunca pedimos recurso algum à JBS e repelimos quaisquer ilações.” O prefeito recebeu Temer em Rio Preto no dia 24 de março para entrega de casas populares. A gravação do empresário da JBS que compromete a situação de Temer foi feita no dia 7 do mesmo mês. 

 

Andrea Neves - 19052017 Andrea Neves, irmã de Aécio, foi fotografada com roupa laranja, padrão nas prisões mineiras

Constituição não prevê eleição direta

A Constituição Federal não prevê a convocação de eleições diretas para escolha do sucessor do presidente Michel Temer (PMDB), conforme já defende o PT e outros partidos de oposição ao governo. De acordo com a legislação em vigor, se o peemedebista tivesse confirmado a renúncia do cargo nesta quinta-feira, 18, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), assumiria a presidência da República. Ele teria 90 dias para convocar uma eleição indireta. 

Neste caso, a eleição teria a participação exclusiva dos 513 deputados federais e 81 senadores. E, desde que as exigências da legislação eleitoral fossem observadas, qualquer cidadão acima de 35 anos - mesmo alguém que não fosse membro do Congresso Nacional - poderia participar da disputa. Pela eleição indireta, o eleito iria governar o País até janeiro de 2019, quando assumiria o presidente eleito pelo voto popular. O processo de votação indireta, no entanto, sofre resistência de partidos e parlamentares. 

A antecipação da eleição do próximo ano para 2017 só ocorreria se fosse aprovada uma emenda constitucional pelo Congresso. Essa é a proposta que tem ganhado musculatura entre os partidos, principalmente, de oposição ao governo Temer. Esse grupo, porém, é minoria em Brasília. Para aprovar uma emenda constitucional, são necessários 2/3 dos votos dos senadores e deputados.

 

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