Política

  • Quarta-feira, 24 de Maio
  • A tarefa de viver é dura, mas fascinante
Política

Matéria

Sábado, 20.05.17 às 00:00 / Atualizado em 19.05.17 às 22:57

Delator cita US$ 150 milhões a Lula e Dilma

Agência Estado
Reprodução Joesley Batista - 20052017
O empresário Joesley Batista, dono do frigorífico JBS (no centro) durante delação premiada

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do
Diario da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 15,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Reprodução Joesley Batista - 20052017
O empresário Joesley Batista, dono do frigorífico JBS (no centro) durante delação premiada

O empresário Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, disse que abasteceu duas contas para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente cassada Dilma Rousseff na Suíça. O saldo chegou a US$ 150 milhões em 2014. Em sua delação à Procuradoria-Geral da República (PGR), Joesley afirmou que o ex-ministro da Fazenda dos governos do PT Guido Mantega determinava as movimentações financeiras com o conhecimento dos ex-presidentes. O dinheiro na Suíça teria sido usado, segundo o delator, em campanhas eleitorais pelo Brasil, apoiando aliados de Dilma e Lula. Procurado, o Ministério Público da Suíça se recusou a comentar.

“Os saldos das contas vinculadas a Lula e Dilma eram formados pelos ajustes sucessivos de propina do esquema BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do esquema gêmeo, que funcionava no âmbito dos fundos Petros e Funcef”, apontou um dos anexos da delação.

Joesley contou que, em dezembro de 2009, o banco estatal adquiriu debêntures da JBS, convertidas em ações, no valor de US$ 2 bilhões, “para apoio do plano de expansão”. “O depoente escriturou em favor de Guido Mantega, por conta desse negócio, crédito de US$ 50 milhões e abriu conta no exterior, em nome de offshore que controlava, na qual depositou o valor”, constou da delação.

O empresário disse também que foi feito um financiamento de R$ 2 bilhões, em maio de 2011, para a construção da planta de celulose da Eldorado. O delator contou que o ex-ministro “interveio” junto ao BNDES para que “o negócio saísse”. “A pedido de Mantega”, Joesley afirmou que depositou mais US$ 30 milhões. A primeira das contas ficou com um saldo positivo de US$ 70 milhões no fim do governo Lula. Em 2011, quando começou o governo Dilma, Joesley disse ter sido orientado a abrir uma nova conta.

Outro lado

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou as declarações feitas em delação pelo empresário Joesley Batista sobre as supostas contas mantidas no exterior em favor dele e da ex-presidente Dilma Rousseff. Por meio de seus advogados, Lula disse que as acusações não decorreram de contato direto com ele e carecem de comprovação.

A nota, assinada por Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, diz que, nos trechos vazados à imprensa “verifica-se que as afirmações de Joesley Batista em relação a Lula não decorrem de qualquer contato com o ex-presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros, que sequer foram comprovados’’.

A assessoria de imprensa de Dilma Rousseff também refutou as acusações contidas na delação do empresário da JBS. Definiu-as como “improcedentes e inverídicas’’, sustentando que a ex-presidente “jamais tratou ou solicitou de qualquer empresário, nem de terceiros, doações, pagamentos ou financiamentos ilegais para as campanhas eleitorais, tanto em 2010 quanto em 2014, fosse para si ou quaisquer outros candidatos’’.

Propina irrigou 1.829 candidaturas 

O diretor da JBS Ricardo Saud contou em sua delação premiada que a empresa distribuiu propinas por atacado no meio político brasileiro, detalhando os nomes de centenas beneficiários. Em depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República (PGR), ele revelou que 1.829 candidatos, de 28 partidos das mais variadas colorações, receberam dinheiro do grupo controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. As doações ilícitas foram de quase R$ 600 milhões. 

O grosso dos recursos, segundo ao delator, foi destinado aos candidatos em troca de contrapartidas no setor público. "Tirando esses R$ 10, R$ 15 milhões aqui, o resto tudo é propina. Tudo tem ato de ofício, tudo tem promessa, tudo tem alguma coisa", relatou. Saud disse que o “estudo” foi feito por sua própria iniciativa. Em vídeo do depoimento, divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ele entrega aos investigadores uma pilha de papéis com a relação de subornados, agora potenciais alvos de novos inquéritos de corrupção.

Os números têm a escala da chamada “delação do fim do mundo”, recém-acordada por 78 executivos da Odebrecht. “Eleitos foram 179 deputados estaduais, de 23 Estados; 167 deputados federais, de 19 partidos. Demos propina para 28 senadores da República, sendo que alguns disputaram e perderam eleição para governador e alguns disputaram reeleição ou eleição para o Senado. E demos propina para 16 governadores eleitos, sendo quatro do PMDB, quatro do PSDB, três do PT, dois do PSB, um do PP, um do PSD”, contou. O diretor disse achar que, no futuro, o seu “estudo” vai servir. “Aqui estão todas as pessoas que receberam propina diretamente ou indiretamente da gente”, entregou. 

‘Aécio recebeu R$ 80 milhões’

Em delação à Procuradoria-Geral da República, o diretor de Relações Institucionais e de Governo da JBS, Ricardo Saud, relatou, no último dia 7, que o grupo pagou R$ 80 milhões para a campanha do então candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. Principal braço direito de Joesley Batista, dono da JBS, nas negociações com políticos do governo ou da oposição, Saud não deu detalhes sobre a forma do repasse ao senador afastado, mas disse que as “questões” eram na maioria das vezes “ilícitas”. O delator contou que Joesley sempre “correu” do candidato. 

“Ele (Aécio) continuou pedindo mais dinheiro após a campanha”, relatou. Diante da insistência, ainda segundo Saud, o dono da JBS aceitou pagar R$ 2 milhões que o senador havia solicitado alegando que precisava pagar dois advogados. Saud ainda contou que um homem chamado Fred era o indicado por Aécio para receber o dinheiro. As notas eram guardados em uma mochila preta. Ele relatou que, em uma das vezes, o enviado do senador voltou para Minas Gerais em um táxi. “Entregamos R$ 500 mil para o Fred, tudo em dinheiro vivo, em notas de R$ 100. Ele pegou o táxi e voltou para Belo Horizonte”, afirmou Saud.

 

Edson Fachin - 20052017 O ministro do STF Edson Fachin, que autorizou a investigação

Temer será investigado por três crimes

O presidente Michel Temer será investigado no Supremo Tribunal Federal por suspeita de crimes de corrupção passiva, participação em organização criminosa e obstrução de Justiça. A Procuradoria-Geral da República afirmou, com base nas delações de executivos da JBS, que Temer e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) - os dois são alvo do mesmo inquérito - têm atuado para impedir o avanço da Lava Jato

A íntegra do pedido da Procuradoria-Geral da República e da decisão do ministro do STF Edson Fachin autorizando a investigação contra Temer, Aécio e o deputado afastado Rodrigo da Rocha Loures (PMDB-PR) foi tornada pública nesta sexta-feira, 19. Fachin destacou, entre os fatos que podem configurar como crimes descritos pela Procuradoria, a conversa entre o empresário Joesley Batista, dono da JBS, e Temer sobre o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está preso.

Na conversa, o delator diz que tem procurado manter boa relação com Cunha mesmo após sua prisão e, segundo a Procuradoria, “Temer confirma a necessidade dessa boa relação”. “Tem que manter isso, viu”, afirma o presidente em áudio gravado por Joesley. “Joesley fala de propina paga todo mês, também ao Eduardo Cunha, acerca da qual há a anuência do presidente”, disse o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao pedir a abertura de inquérito ao STF.

Janot ainda atribuiu a Temer, a Aécio e ao ministro do STF Alexandre de Moraes tentativa de “organizar uma forma de impedir que as investigações avançassem por meio da escolha dos delegados federais que conduziriam os inquéritos, direcionando as distribuições.” Em depoimento à Procuradoria, Joesley disse que “continua pagando ao (Lúcio) Funaro R$ 400 mil para garantir o silêncio dele e de Cunha” e “que sempre recebeu sinais claros que era importante manter financeiramente ambos e as famílias, inicialmente por Geddel Vieira Lima e depois por Michel Temer”.

Fachin chegou a devolver a Janot o pedido sobre Temer para “manifestação por parte da Procuradoria-Geral da República” sobre se a regra da imunidade temporária à persecução penal se aplicaria a Temer neste caso. Janot afirmou que não valeria. “Os fatos estão diretamente relacionados ao exercício da função. Nesse sentido, importante registrar que um dos delitos em tese cometidos é o de corrupção passiva, o qual pressupõe justamente o exercício de cargo, emprego ou função pública por parte do agente”, disse o procurador-geral.

Partidos articulam saída negociada

Partidos aliados de primeira hora do presidente Michel Temer articulam uma saída negociada com o Planalto que seja uma continuidade do que, para eles, vem dando certo no atual governo. Diante da perspectiva de agravamento da crise deflagrada pelas delações da JBS, líderes de siglas como PSDB, PMDB e DEM pretendem bloquear qualquer iniciativa de realizar eleições diretas por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e buscam um nome consenso para uma eventual disputa indireta no Congresso. 

Nas últimas horas, ganhou força o nome de Henrique Meirelles, ministro da Fazenda de Temer, como uma alternativa viável para manter a base unida e a bandeira das reformas hasteada. Se Temer renunciar, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), terá 30 dias para convocar o pleito, que terá apenas senadores e deputados no colégio eleitoral. Principal aliado do governo, o PSDB ensaiou uma debandada após a divulgação do áudio da conversa entre o Joesley Batista, da JBS, e Michel Temer, mas recuou após um pedido de tempo para a construção de um consenso que evitasse a implosão da base e comprometesse as reformas.

Meirelles é filiado ao PSD, partido liderado por Gilberto Kassab, ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicação. Ele tem sido assediado por políticos para aceitar a missão. Os outros nomes ventilados nos bastidores da Congresso são o próprio Rodrigo Maia e o senador tucano Tasso Jereissati (CE). Meirelles tem a seu favor a condução da política econômica, que começa apresentar os primeiros resultados, e também um bom trânsito com setores da oposição. 

 

Comentários

Recomendadas

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 15,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Facilite seu acesso agregando uma
conta de rede social ao seu perfil
Sexo
Confirme seu cadastro

Para acessar nossos conteúdos especiais é necessario que você ative seu cadastro.

Acesse seu e-mail e clique no link que lhe enviamos. Caso não tenha recebebido, digite abaixo seu e-mail.