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Editorial
 
São José do Rio Preto, 2 de Fevereiro, 2012 - 1:55
O drama de Karolyne


A vendedora Karolyne Laila Soares, 19 anos, que sobreviveu a três longos dias à espera de socorro dentro de um buraco de três metros de profundidade na margem da rodovia Elyeser Montenegro Magalhães, em Populina, tem muita história para contar depois que receber alta da Santa Casa de Fernandópolis. A jovem trafegava sozinha pela rodovia, quando capotou com seu Uno e caiu com o carro no penhasco. No acidente, ela sofreu fraturas múltiplas no fêmur, tornozelo e bacia esquerda. Segundo os pais, a filha saiu do carro escorregando pelo porta-malas na esperança de conseguir se arrastar até a rodovia. Devido à dor que sentia, tudo o que Karolyne conseguiu foi ficar com metade do corpo dentro do córrego. Ansiosa por socorro, começou a gritar, mas ninguém a ouvia. Com o avançar da noite, segundo a menina, os sapos foram lhe fazer companhia e aí o medo aumentou. Seguindo a lógica da cadeia alimentar, ela imaginava: onde há sapo, há cobra. Enfrentou sol, chuva e frio e teve de beber água da chuva para se alimentar. Desesperada com o passar do tempo sem conseguir se locomover, passou as 72 horas praticamente em claro. Dava pequenos cochilos apenas quando era vencida pelo cansaço. A cada ruído de veículo próximo, ela enchia os pulmões e gritava por socorro.

Além de muita coisa para contar, Karolyne também tem muito a agradecer. O mesmo “anjo” que a livrou das cobras se encarregou de colocar em seu caminho as pessoas que a salvaram. Coincidência ou providência divina, como ela acredita, dois carros pararam perto do despenhadeiro para que os passageiros trocassem de veículo. As pessoas ouviram o berros da jovem, que já apresentava batimentos cardíacos fracos e chamaram o Samu. No hospital, salva e ao lado dos pais, a menina disse estar arrependida por ter enganado a mãe e prometeu que isso não mais se repetirá. Na quinta-feira, quando saiu de casa em Iturama, no Triângulo Mineiro, ela havia dito à mãe que ia para a casa da avó, no distrito de Alexandria. Foi naquela região, onde disse que estaria, que a polícia deflagrou buscas após seu desaparecimento. O drama de Karolyne serve de grande lição para os jovens que mentem para os pais ou saem de casa sem dizer para onde vão. Se os pais soubessem o itinerário da filha, com certeza, ela não teria ficado tanto tempo sem resgate. Quis o destino que Carolyne tivesse um final feliz, mas vale acreditar que isso nem sempre acontece. Uma pequena mentira não vale uma vida.

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