A nova revelação de que dados do genro de José Serra (PSDB) foram acessados irregularmente em uma agência do fisco transforma a Receita Federal em Mauá em uma autêntica filial do lamaçal. Na semana passada, já havia sido confirmado que o cadastro de Veronica Serra, filha do candidato tucano, também tinha sido acessado na mesma agência. Além disso, uma procuração falsa obteve os dados fiscais de Veronica em uma agência de Santo André. A indústria de violações não ficou restrita à família de Serra. Ainda em Mauá, milhares de dados cadastrais foram consultados por uma servidora, entre eles o do vice-presidente nacional do PSDB, Eduardo Jorge, do ex-ministro de FHC Mendonça de Barros e do ex-arrecadador de campanha de Serra em 1994 Ricardo Sérgio.
Ainda não está claro quem ordenou as quebras de sigilo, feitas no ano passado, mas é certo que um “grupo de inteligência” formado para assessorar a então pré-candidata petista Dilma Rousseff teve acesso a informações do Imposto de Renda de Eduardo Jorge. O grupo foi extinto em junho, logo após a atividade sorrateira dos integrantes vazar para a imprensa. O episódio, que ganha novos contornos e novos detalhes sórdidos a cada dia, revela o que de pior há na política. A violação dos sigilos fere mortalmente a Constituição Federal e mostra que qualquer um, a qualquer momento, corre o risco de ter seus dados fiscais bisbilhotados por terceiros.
É leviano afirmar, ao menos até a conclusão das investigações, que a candidata Dilma ou o alto escalão da sua campanha ordenaram a quebra de sigilo de pessoas ligadas ao PSDB. Sequer é seguro afirmar que eles conheciam a natureza das informações coletadas pelo “grupo de inteligência”. Mas não há dúvida alguma que o lamaçal no fisco de Mauá e Santo André tinha como objetivo final engrossar o jogo sujo da política. É questão de honra para Polícia, Ministério Público e Receita Federal ir além dos “peixinhos” - no caso, as servidoras que foram apontadas como responsáveis por repassar os dados - e revelar os “tubarões” inescrupulosos por trás desta ardileza. Que questões políticas ou eleitorais não atrasem ou atrapalhem a necessária resposta a essa agressão ao estado de direito.
Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital