O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última semana, veio inserido em um contexto positivo e projeta um crescimento expressivo para este ano. Portanto, há um cenário profícuo, embora ainda suscetível a reveses. O PIB brasileiro encerrou o segundo trimestre deste ano cravando uma evolução positiva de 1,2% em relação ao trimestre anterior, desempenho mais modesto que o registrado entre janeiro de março deste ano, quando o resultado foi de expressivos 2,7%. A trajetória positiva da produção nacional nos dois primeiros períodos do ano leva a projeções bastante benignas. Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o Brasil deve crescer algo em torno de 7% este ano. Mas há previsões mais otimistas no mercado. O relatório Focus desta semana, divulgado ontem pelo Banco Central, traz a avaliação dos agentes financeiros consultados projetando um desempenho positivo de 7,34%. O ambiente positivo para este desempenho inclui pelo menos dois indicadores importantes. No primeiro, a forte expansão do emprego formal. Em julho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho registrou a geração de 181.769 postos de trabalho, o terceiro melhor para meses de julho desde o início da série história, em 1992. De janeiro a julho, o saldo entre contratações e demissões registrado pelo Caged é de 1.655.116 empregos.
Apesar do aumento da massa salarial provocada pelo crescimento do emprego, a inflação continua comportada. Depois de zerar em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variou 0,01% em julho, acumulando 3,10% no ano. Em 12 meses, o índice ficou em 4,60%, próximo ao centro da meta para este ano (4,50%). Outros indicadores poderiam ser citados neste cenário, como o da arrecadação federal, da ocupação industrial e o da atividade comercial. O Brasil, portanto, consegue crescer sem provocar pressão demasiada sobre os preços. Mas não dá para baixar a guarda. É preciso cuidado ao administrar os juros básicos porque seu excesso pode minar o esforço da produção. Além disso, o câmbio desfavorável continua prejudicando o saldo da balança comercial, estimulando as importações, em detrimento da indústria nacional. Em tempo de troca de governo, é fundamental ter cuidado com declarações e atos impensados. É preciso muita calma nesta hora.
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