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São José do Rio Preto, 31 de Julho, 2010 - 1:52
Prefeitura versus Prefeitura


A capa do caderno Cidades de ontem, no Diário, espelha um episódio burlesco envolvendo as secretarias de Serviços Gerais e Meio Ambiente. Ao menos 100 árvores dos bairros São Francisco, Jardim Vivendas e Jardim Urano sofreram a chamada poda drástica, caracterizada pelo corte de toda a copa. A mutilação, que pode até matar a árvore, é considerada crime ambiental, passível de detenção e multa de R$ 50. O caso, por si só, já é de causar indignação em uma cidade de concreto como Rio Preto, com pouquíssimos espaços verdes. Torna-se ainda mais inacreditável ao constatar que a poda drástica foi realizada pela própria Prefeitura, por intermédio da Secretaria de Serviços Gerais. O “arrastão” da mutilação provocou atritos entre o Serviços Gerais e o secretário de Meio Ambiente, Lima Bueno. “Isso é um absurdo. A poda não precisaria ter sido desta forma”, reclamou Lima Bueno. Posição diferente tem o encarregado do setor de tapa-buracos, Newton César Pinto. Ex-vereador de Mirassol, foi Newton César que determinou os cortes que, segundo ele, eram necessários para dar espaço à máquina de recapeamento de asfalto. “Existe uma máquina menor para realizar esse tipo de serviço (sem cortar as árvores), mas não teria o mesmo efeito”, disse. Detalhe: a poda irregular foi feita por funcionários terceirizados contratados pelo Serviços Gerais, sendo que nenhum deles tinha capacitação para cortar as árvores.

Só para se ter ideia de quão surreal é a situação, se a Secretaria de Serviços Gerais fosse multada pela Prefeitura por crime ambiental, teria de desembolsar R$ 5 mil pelas 100 árvores. Em 2008 e 2009 inteiro, foram aplicados R$ 34,8 mil em multas na cidade toda devido à mutilação de árvores. Há, no episódio, dois graves problemas: um ambiental e outro administrativo. Não é à toa que existe legislação coibindo a poda drástica: o corte sem critérios, além de matar as árvores, coloca em risco a saúde de terceiros, já que um vento um pouco mais forte pode derrubá-las. Já o desentendimento administrativo é tão ou mais prejudicial, uma vez que expõe a falta de comunicação entre os departamentos da Prefeitura. Seria natural que, antes de fazer qualquer poda, a Secretaria de Serviços Gerais entrasse em contato com o Meio Ambiente, que é quem possui os conhecimentos técnicos e legais para efetuar o corte. Seria o normal a se esperar, mas não foi o que ocorreu. O entrevero entre as duas pastas é de uma infantilidade incrível. Após um ano e meio na administração da cidade, o prefeito Valdomiro Lopes (PSB) já deveria ter podado drasticamente o amadorismo do seu governo.



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