É inacreditável que numa cidade como Rio Preto, apontada como referência em saúde no País, mortes como a do bebê Pedro Lucas Barbieri Alves, de dois anos e seis meses, ainda ocorra. A criança morreu na manhã de terça-feira no Hospital de Base (HB), com suspeita de gripe suína, cinco dias após dar entrada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica. Mas a piora do estado de saúde do bebê não aconteceu de uma hora para outra. A morte ocorreu após três meses de idas e vindas a postos de saúde, Santa Casa e 27 dias de internação no Hospital de Base. Segundo seu pai, o técnico Francis Alves, 33, o bebê ficou doente em 26 de abril, quando começou a apresentar febre, manchas na pele, dores no corpo e falta de apetite. Foi levado à Unidade de Prontoatendimento da Zona Norte, onde suspeitou-se que a criança poderia estar com dengue. Três dias depois, como a criança não melhorava, os pais levaram o menino à Santa Casa, onde a criança deu entrada no hospital com diarreia, recebeu hidratação e ficou internada até se restabelecer. Entre o início de maio e final de junho, o pai disse que peregrinou pelos postos de saúde do Jardim Americano, Jaguaré e Santo Antônio em busca de tratamento médico para a criança. Só quando foi à UBSs do Santo Antônio, já na segunda quinzena de junho, é que teria recebido encaminhamento para o Hospital de Base.
O menino ficou internado 22 dias no HB com suspeita de leishmaniose. Melhorou e recebeu alta no dia 17 de julho. Cinco dias depois, o bebê foi internado novamente, com nova recaída. Dessa vez, os médicos levantaram a suspeita de pneumonia e gripe suína. Às 8h30 da última terça-feira, Pedro morreu antes que seus pais conhecessem a causa de seu mal-estar. Inconformado com a morte abrupta do filho, Francis Alves desabafou: “Não moro em Tocantins ou em Roraima. Estou em Rio Preto, onde a medicina é tão avançada que é possível fazer até transplante de coração. Não dá para aceitar que meu filho tenha morrido sem nenhum médico saber o que ele tinha.” O pai tem razão. É inaceitável que a doença de Pedro não tenha sido descoberta em três meses de investigação, nem mesmo após 27 dias de internação no HB, um dos mais completos hospitais do País. Importante que a sindicância da Saúde apure se houve algum tipo de falha no atendimento básico do paciente, mas também cabe ao HB investigar se ocorreu alguma negligência médica ou funcional que impediu a apuração do diagnóstico do bebê. E que as autoridades divulguem, tão logo saibam, qual foi a causa da morte do bebê.
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