Acordo firmado entre o governo do Estado e a Associação Paulista de Supermercados (Apas), que começou a valer há uma semana (dia 25/1) prevê o fim do uso das sacolinhas plásticas descartáveis derivadas de petróleo e o estímulo para que as pessoas usem alternativas ambientalmente sustentáveis, reduzindo assim o descarte de plástico no meio ambiente. As sacolas descartáveis são fruto de uma necessidade da sociedade moderna consumidora, que demandava um meio prático e cômodo de transportar suas compras. Porém, os resultados da busca dessa comodidade são os causadores dos diversos impactos ambientais que nos afligem atualmente. A gestão incorreta do seu descarte causa entupimentos de galerias e bueiros, a poluição das águas, prejuízo à vida de animais marinhos e poluição do solo, pois as sacolas demoram em média 100 anos para se desfazer. Somados a isso, o plástico é um derivado do petróleo, que é uma fonte de energia não renovável, e para sua produção é utilizado um grande volume de água e são gerados resíduos industriais. Muita discussão gira em torno do assunto: quem realmente sairá ganhando com isso, o meio ambiente ou os donos de supermercados? Acredito que todos estarão ganhando, pois o governo espera com a medida diminuir os impactos ambientais causados pelo uso dessas, tanto pelo seu processo de produção quanto no seu descarte, que afetam pessoas, sociedades e ecossistemas.
Hoje, no Estado de São Paulo, o consumo mensal está na casa dos 2,4 bilhões, o que corresponderia, em uma conta simplificada, a 59 unidades por pessoa. O País já produz mais de 500 mil toneladas anuais de plástico filme (matéria-prima das sacolinhas plásticas derivadas de petróleo), produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD), resultando na produção de 135 bilhões de sacolas. Calcula-se que cerca de 90% desse material, com degradação indefinida, acabam servindo de lixeiras ou viram lixo. As sacolas retornáveis são a melhor opção, pois podem ser reutilizadas diversas vezes, diminuindo a necessidade de mais produção e, consequentemente, causando menos impactos ambientais. A produção de lixo também diminui, já que a quantidade descartada é menor. Na falta destas, caixas de madeira, papelão e até sacolas feitas de amido são biodegradáveis, e gerariam menor poluição sólida, já que, em pouco tempo, se decompõem e se misturam ao solo. Quanto ao descarte do lixo, use os sacos de lixo, são recicláveis e são fabricados especificamente para essa finalidade. Talvez ao custo de uma certa praticidade, mas com a mesma funcionalidade, e com o comprometimento com o ecossistema e gerações futuras.
A ideia não é banir o plástico, pois geraria um impacto grande à vida urbana a curto prazo. O aspecto aqui é tentar diminuir ao máximo o impacto ambiental na natureza, sem atrapalhar a vida do cidadão. Adaptações definitivamente serão necessárias, mas acreditamos que as sacolinhas descartáveis derivadas de petróleo não oferecem benefício suficiente que justifique o prejuízo que causam ao meio ambiente. O mundo todo pensa em soluções para o lixo. Com o aumento da população e do consumo, aumenta a produção de resíduos sólidos. Este é um grande desafio enfrentado por governantes de todos os países e não há uma medida única para solucionar o problema. Há sim ações que podem minimizar seu volume. O governo do Estado trabalha com projetos de Educação Ambiental para conscientizar principalmente os jovens sobre a importância de uso e consumo sustentáveis e coleta seletiva. O projeto Município Verde Azul, que apoia os municípios com medidas sustentáveis. De uma maneira geral, a Secretaria de Meio Ambiente está sempre pensando em soluções viáveis para tornar o Estado de São Paulo sustentável e fazer sua parte pra salvar o planeta. Com estes dados justifico, portanto, o objetivo da erradicação das sacolas descartáveis derivadas de petróleo. Faça você também sua parte!
MARCOS BERNARDINO
Biólogo
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