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São José do Rio Preto, 18 de Dezembro, 2009 - 1:25
Dengue hemorrágica mata aposentado

Giseli Marchiote

Sérgio Menezes
O coordenador Augusto Azevedo da Silva: ‘morte preocupante’
A Secretaria de Saúde de Rio Preto confirmou ontem a primeira morte por dengue hemorrágica deste ano no município. O aposentado I.V., 81 anos, morreu no último dia 9, depois de ficar 12 dias hospitalizado com febre, dores no corpo e perda de apetite. É o segundo caso de dengue hemorrágica registrado na cidade este ano. A outra vítima é uma menina de 3 anos, moradora do bairro Boa Vista, que se recuperou após nove dias de internação.

O resultado do exame que confirmou a doença no aposentado saiu na última sexta-feira, mas só foi divulgado ontem. A última morte por dengue hemorrágica na cidade havia sido registrada em 2007. Foi o único caso de dengue hemorrágica daquele ano. No ano passado, três pessoas contraíram a doença. Nenhuma morreu.

“A confirmação da morte por dengue hemorrágica é preocupante. Indica a agressividade do vírus da dengue que está circulando na cidade”, afirma Augusto Azevedo da Silva, coordenador da Vigilância Ambiental Epidemiológica em Rio Preto. Desde o início do ano, foram registrados 975 casos de dengue comum na cidade. Em todo o ano passado foram contabilizados 279 casos.

Uma das filhas do aposentado não quis falar sobre a morte do pai. Ela informou apenas que a família não foi informada de que a causa da morte do aposentado foi dengue hemorrágica. “Prefiro não falar nada sobre isso, mas ninguém nos falou sobre dengue hemorrágica.”

De acordo com um genro do aposentado, a presença dos sintomas da dengue agravou o estado de saúde de I.V., que sofria com outras doenças, não informadas. Ele ficou internado na Beneficência Portuguesa.

O coordenador da Vigilância Ambiental afirma que pessoas que contraíram dengue tem maior probabilidade de serem atingidas pelo caso mais grave da doença, mas há possibilidade de a hemorrágica se manifestar em quem nunca foi picado pelo mosquito Aedes aegypt. “Crianças menores de 1 ano, idosos, mulheres grávidas, hipertensos e diabéticos correm mais risco de contrair dengue hemorrágica”, diz.

Bloqueio

Equipes da secretaria estiveram ontem no Jardim Seixas, onde vivia o aposentado, para nebulizar casas próximas à da família e vistoriar imóveis em busca de criadouros do mosquito Aedes aegypt, transmissor da dengue. Hoje pela manhã as esquipes retornam ao bairro para finalizar o bloqueio.

“Temos encontrado dificuldades em combater a doença no bairro. Alguns moradores resistem em permitir a entrada dos agentes nas casas. Outros não são encontrados nos imóveis”, afirma Silva. De acordo com o coordenador, não está prevista a contratação de novos agentes para atuar contra a dengue no município. O combate à doença, que pode aumentar nos meses de janeiro e fevereiro devido à grande incidência de chuvas, será feito com o apoio de empresas e entidades.

“Eles serão nossos multiplicadores, vão repassar os cuidados com a doença para os funcionários. A população precisa contribuir”, diz. O secretário de Saúde de Rio Preto, José Victor Maniglia, foi procurado ontem à tarde pela reportagem, mas informou que não poderia falar sobre o assunto, pois estava em reunião.

Infestação supera a média

A região do Jardim Seixas, onde vivia o aposentado I.V., tem índice Breteau, que mede o grau de infestação do inseto nas casas, de 2,7. O que significa que a cada 100 residências, 2,7 possuem larvas do mosquito. O índice é superior à média registrada na cidade, 2,2. A infestação foi verificada no último mês de outubro pela Secretaria de Saúde de Rio Preto.

O bairro que concentra a maior quantidade de larvas por casa é o Gonzaga Campos, 17,62 de cada 100 residências tinham focos de dengue. Em segundo lugar está o distrito de Engenheiro Schmitt, na zona leste, seguido do bairro Maria Lúcia, na zona norte.

“Se as pessoas não cuidarem dos quintais, não evitarem o acúmulo de água, os casos podem aumentar”, afirma Augusto Azevedo da Silva, coordenador da Vigilância Ambiental de Rio Preto. Dos 13.563 imóveis de Rio Preto vistoriados em outubro pelos agentes de saúde, 6.636 estavam fechados e outros 19 impediram a visita.

Transmissão

A dengue é transmitida por meio do mosquito Aedes aegypti, que, ao picar o homem, transmite o vírus da doença. Os sintomas se manifestam normalmente do 3º ao 15º dia após a picada do mosquito. O tempo médio de duração da doença é de cinco a seis dias. O doente sente febre, dores no corpo e aparecem manchas vermelhas na pele. Ao surgimento do primeiro sintoma é preciso procurar um médico.



 
     
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