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Levantamento do Diário
São José do Rio Preto, 25 de Agosto, 2010 - 1:50
60 dias à espera de um médico

Bruno Xavier

Sérgio Menezes
Além da demora para agendamento, munícipes também reclamam da fila de espera na Unidade de Pronto-atendimento (UPA) Santo Antônio
Agendar uma consulta médica ou odontológica na rede municipal de saúde de Rio Preto pode demorar até 80 dias. É o que revela levantamento do Diário com base em dados da Secretaria de Saúde do município sobre a agenda das 13 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e 11 Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs) da cidade.

Conseguir atendimento odontológico é a situação mais difícil. Quem procurou a UBS do Solo Sagrado nesta semana só conseguiu vaga para 11 de novembro. Na UBS do Santo Antônio e na UBSF do Rio Preto 1, passar pelo dentista também leva bastante tempo: só há espaço na agenda para o mês de outubro. Nas unidades de saúde do Jaguaré e do São Francisco, o prazo de espera é de um mês. No Centro de Saúde Escola do Parque Estoril, passar por um geriatra demora dois meses.

As mulheres que procuram atendimento ginecológico nas unidades não precisam esperar tanto, mas em nove dos 24 postos o contato com o especialista só acontece depois de 15 dias. A agenda mais extensa pertence à UBSF do Jardim Gabriela, onde a espera é de um mês.

Trinta dias também é o tempo que o cidadão precisa aguardar para ser atendido por um clínico geral na UBS do Santo Antônio. Nas unidades dos bairros Jardim Americano, Renascer, Jardim Vetorazzo, Jardim Gabriela e Rio Preto 1, a espera pelo médico clínico geral leva mais que duas semanas. Quem procura por um pediatra, no entanto, não precisa ter tanta paciência. A espera não passa de uma semana, com exceção da UBSF do Residencial Rio Preto 1, onde as próximas consultas são marcadas para daqui a um mês.

Sem espera

Se em algumas UBSs e UBSFs de Rio Preto agendar consulta pode representar um grande desafio, a oferta de serviços médicos é superior à procura dos moradores em algumas unidades. É o caso, por exemplo, da pediatria no Eldorado, Vila Elvira e Jardim Vetorazzo. Nestas situações, a procura é tão tranquila que a consulta pode ser realizada no mesmo dia. Quem precisa de um ginecologista no Caic e no Cidade Jardim também encontra atendimento imediato, segundo a Secretaria de Saúde.

Suficiente

Apesar do prazo de até 80 dias de espera para uma consulta médica na rede municipal de Rio Preto, o diretor de Atenção Básica da Secretaria de Saúde, Luiz Fernando Gonçalves Borges afirma que o número de médicos nas UBSs e UBSFs é suficiente. “As unidades que apresentam maior prazo para agendamento geralmente estão sem um profissional, seja por férias, licença prêmio ou afastamento por problema de saúde”, afirma. “São problemas pontuais, que tentamos resolver com o remanejamento de médicos de outras unidades.”

Ainda de acordo com Borges, as consultas de clínicos geral, pediatras e ginecologistas na rede municipal cresceram 47% em um ano, passando de 221 mil, no primeiro semestre de 2009, para 327 mil, no mesmo período deste ano. O aumento, de acordo com o diretor, se deve principalmente à gratificação de até R$ 1,2 mil aos profissionais que cumprem metas predeterminadas. A política de bonificação foi implantada em setembro do ano passado.

Usuário critica atendimento

Em visita a quatro unidades de saúde de Rio Preto, ontem de manhã, o Diário constatou que, além da dificuldade para agendar consultas, os moradores também estão insatisfeitos com a falta de preparo dos funcionários dos postos e com a demora no setor de urgência das Unidades de Pronto-atendimento (UPAs). “As recepcionistas podiam ser mais educadas, principalmente com os idosos”, reclama a costureira Wilma Pereira, 58 anos, que frequenta a UBS do Jaguaré. “Às vezes o paciente fica perdido dentro da UBS porque não recebe orientação.” Cansada de aguardar por atendimento à filha, a doméstica Andréia Alves, 34, já chegou a abandonar a emergência da UPA do Santo Antônio e voltar para casa. “Minha filha estava com problemas nas mãos e precisava ser avaliada por um médico, mas não aguentei esperar”, diz.

Segundo Hélio Pontes Daltos, coordenador-clínico de urgência e emergência da Secretaria de Saúde, o grande movimento nas UPAs é constante porque muitas pessoas procuram o serviço sem necessidade. “O atendimento é preferencial para os casos graves”, diz. “Muita gente que não corre riscos e devia agendar uma consulta, também procura a emergência para tentar resolver seu problema no momento, o que é desnecessário.”





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