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São José do Rio Preto, 11 de Agosto, 2010 - 1:50
Casos de catapora sobem 226% em Rio Preto

Allan de Abreu

Guilherme Baffi
Marcas no corpo de Rosângela Maria Cassim típicas da varicela
Os casos de catapora explodiram neste ano em Rio Preto. Foram 463 ocorrências da doença no intervalo de janeiro a julho deste ano, contra 142 no mesmo período de 2009 - um aumento de 226%. Para o infectologista da USP Benedito Fonseca, a cidade vive um “provável surto” da doença, também conhecida como varicela. “Um aumento tão grande de um ano para o outro é algo atípico”, diz.

Os casos da doença na cidade podem ser ainda maiores, uma vez que, ao contrário da dengue, por exemplo, a varicela não é de notificação compulsória. “É comum o doente ser tratado em casa pela família”, diz a infectologista do Hospital de Base (HB) Márcia Wakai. A coordenadora de doenças técnicas em agravos transmissíveis da Secretaria de Saúde do município, Andréia Francesli Negri Reis, se negou a conceder entrevista por telefone ou pessoalmente ao Diário ontem.

Por e-mail, encaminhado via assessoria, Andréia atribuiu o aumento ao inverno e ao tempo seco, mais intensos neste ano do que nos primeiros sete meses de 2009. “Nessa época do ano, devido ao frio, as pessoas tendem a ficar mais aglomeradas, em ambientes com pouca circulação do ar, o que favorece a transmissão do vírus. O tempo seco também contribui porque tende a ressecar as mucosas nasais, o que também facilita a entrada do vírus no organismo do indivíduo”, afirma a coordenadora.

Outro motivo para o aumento, segundo Andréia, é que no ano passado a atenção com a higiene foi redobrada devido ao surgimento do vírus da gripe A, o que, conforme a coordenadora, já não ocorre neste ano. A assessoria da pasta negou que haja surto na cidade, apenas “pequenos surtos isolados” - não foram informados quantos. Nesses casos, a secretaria informou que faz um bloqueio no local e solicita as vacinas necessárias à Secretaria de Estado da Saúde.

A varicela é causada por um vírus transmissível pelo ar, e causa vesículas pela pele, além de febre e mal-estar (veja quadro nesta página). Apesar de ser mais comuns em crianças, é mais letal entre os adultos - desde 2008, foram 14 óbitos na região, todos de pessoas acima de 30 anos. Já entre crianças, a única morte em 15 anos ocorreu na última semana, em Fernandópolis. “Nos adultos, não é raro a catapora evoluir para outras doenças, como pneumonia ou sinusite”, explica a infectologista Márcia.

A empregada doméstica Rosângela Maria Cassim, 32 anos, começou a sentir os primeiros sintomas da varicela no sábado, durante pescaria no rio Grande. “Me deu febre e comecei a me sentir mal. No dia seguinte, surgiram as primeiras manchas pelo corpo.” Na segunda-feira, Rosângela diz ter acordado com o corpo cheio de vesículas e uma coceira “insuportável”. Ela procurou o Pronto-Socorro (PS) Central, foi medicada e liberada. Ontem o quadro melhorou, mas ela terá de ficar a semana toda afastada do serviço. “O que mais incomoda é a coceira que dá pelo corpo, e sei que não posso coçar para não ficar cicatrizes.”

Região

Além de Rio Preto, Votuporanga também vive um surto de catapora neste ano. Foram 320 casos de janeiro a julho, contra apenas 14 no mesmo período do ano passado. Em nota, a assessoria da prefeitura não informou os motivos do aumento. Em Fernandópolis, foram 45 casos registrados neste ano. Já em Catanduva a Secretaria de Saúde do município notificou apenas 37 casos neste ano. Em relação às internações via SUS de vítimas da varicela, foram 20 neste ano na região, quatro delas em Barretos, três em Jales e três em Olímpia.

Rede pública não fornece vacina

Apesar de ser altamente contagiosa, não há vacina disponível na rede pública de saúde do País contra a catapora. A vacina é fornecida pelo Ministério da Saúde apenas em casos de surto em um local restrito, como escolas e creches. A imunização também está disponível no SUS para pacientes imunodeprimidos, como portadores de leucemia, tumores, doadores de órgãos, candidatos a transplantes e portadores do HIV. Em Rio Preto, a Secretaria de Saúde fornece a vacina para funcionários dos hospitais do município.

Quem quiser se precaver contra a varicela precisa pagar pela vacina. Na Unimed em Rio Preto são R$ 95 para aqueles que têm o plano de saúde da empresa e R$ 110 para quem não tem. Podem ser vacinadas crianças acima de um ano de idade - dos nove aos 12 meses, é necessário prescrição médica. O reforço vem aos 5 anos de idade, caso a criança não tenha tido a doença antes.





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