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Flagrante do Diário
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São José do Rio Preto, 23 de Julho, 2010 - 1:50
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Clínicas mantêm câmaras de bronzear proibidas pela Anvisa
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Edvaldo Santos
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Sessão é oferecida no piso superior de loja na avenida Andaló
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Clínicas de Rio Preto continuam oferecendo sessões de bronzeamento artificial para fins estéticos - serviço proibido por uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em novembro de 2009, devido a indícios de que a prática elevaria o risco do câncer de pele. Ontem à tarde, a reportagem do Diário se passou por um cliente e conseguiu orçamentos de duas clínicas, localizadas no Centro e no bairro Boa Vista. O valor cobrado por dez sessões de 20 minutos cada foi de R$ 79,90 e R$ 150. Os estabelecimentos já estão sendo investigados pela Vigilância Sanitária do município.
Na primeira clínica visitada, no Boa Vista, a proprietária das câmaras, que se identificou como Regina, se mostra preocupada em atender um cliente desconhecido, devido a proibição da prática. O repórter informa que soube da clínica por meio de uma cunhada, que frequenta um salão de beleza no mesmo bairro. O argumento convence Regina. No interior do imóvel, onde também trabalha uma manicure e pedicure, uma cabeleireira e uma fisioterapeuta, ela mostra o quarto onde fica uma das duas câmaras. “Quando a vigilância lacrou os equipamentos na cidade, estava viajando. Eles não passaram aqui”, explica a proprietária.
O segundo flagrante ocorreu em uma clínica na avenida Alberto Andaló. A dona, identificada como Cláudia, informa que possui uma máquina, que foi lacrada. Porém, fala ao repórter que pode indicá-lo para uma amiga, e fornece os preços das sessões: uma custa R$ 9,90, cinco saem por R$ 44,90 e dez, por R$ 79,90. Com comerciantes da região, no entanto, a reportagem apura que as sessões são realizadas no próprio local, apenas com indicação de outros clientes. Mais tarde, o repórter telefonou para os dois estabelecimentos, se identificou e revelou o que havia apurado pessoalmente. Regina desligou o telefone imediatamente, enquanto Cláudia negou todas as informações levantadas em sua clínica.
Riscos
Segundo o dermatologista João Roberto Antonio, que também é professor emérito da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), o efeito cumulativo da radiação emitida pelas câmaras de bronzeamento pode provocar lesões na pele a longo prazo. “A situação é a mesma de uma exposição contínua e indiscriminada à luz solar”, afirma. “O único efeito imediato é o bronzeamento. Os problemas aparecem depois de anos, devido a falta de critérios e falta de avaliação médica durante o processo.”
Segundo o especialista, no tratamento de doenças por intermédio da luz (vitiligo e psoríese, por exemplo), conhecido como fototerapia, os médicos controlam a duração e a dosagem de luz nos pacientes. “É um procedimento muito seguro, mas que também é interrompido diante de qualquer efeito colateral”, afirma Antonio.
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Ferdinando Ramos
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Vigilância foi impedida de entrar em clínica do bairro Boa Vista, sob alegação que local é residência
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Vigilância investiga clínicas
Após as denúncias do Diário, fiscais da Vigilância Sanitária visitaram as duas clínicas que oferecem o serviço de bronzeamento artificial, no final da tarde de ontem. No entanto, em nenhum dos endereços foi permitida a entrada dos funcionários da Saúde. Na primeira vistoria, na clínica da avenida Alberto Andaló, a proprietária informou aos fiscais que não estava com a chave do estabelecimento, localizado no piso superior de uma loja de biquínis. A vigilância, então, lacrou a porta da clínica e marcou uma nova vistoria no local hoje pela manhã.
Na clínica da Boa Vista, os fiscais foram impedidos de passar pelo portão. O homem que os recebeu informou que ali é uma residência e negou que profissionais de beleza trabalham no prédio. O imóvel não possui fachada comercial. A Secretaria de Saúde de Rio Preto informou, por meio de sua assessoria, que os fiscais retornarão ao endereço hoje, munidos de um mandado de segurança.
De acordo com a coordenadora da Vigilância Sanitária, Daniele Dantas, se as denúncias forem comprovadas pela fiscalização, as clínicas serão interditadas e suas proprietárias responderão a processo administrativo. O valor da multa, que pode variar de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão, será definido por uma comissão do órgão. Ainda de acordo com Daniele, a clínica na Andaló teve sua câmara de bronzeamento lacrada em novembro do ano passado. O estabelecimento da Boa Vista é clandestino.
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