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Fiscalização
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São José do Rio Preto, 17 de Novembro, 2009 - 0:30
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Vigilância Sanitária interdita 6 máquinas de bronzeamento
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Rubens Cardia
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Empresária Clicia Andréia Martins,que teve três máquinas interditadas, diz que ateará fogo em uma delas como protesto
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A Vigilância Sanitária de Rio Preto interditou ontem seis máquinas de bronzeamento artificial num total de 15 clínicas fiscalizadas. A proibição de funcionamento das clínicas foi determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na semana passada, sob alegação de que a prática é prejudicial à saúde.
De acordo com o coordenador da Vigilância Sanitária Izalco Nuremberg Penha dos Santos, as clínicas terão dez dias para retirar as máquinas de seu espaço físico, mas podem recorrer da decisão. “Ninguém foi multado inicialmente. Fizemos um auto de infração e, dentro de dez dias, voltaremos para verificar se estão cumprindo a determinação. Caso contrário, serão punidos.”
Má-fé
Para determinar a punição, caso seja necessário, serão avaliados os riscos das câmaras à saúde e se o proprietário é réu primário ou agiu de má-fé. A multa pode variar de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão.
“Vamos continuar com a fiscalização. Pretendemos ir em todos os estabelecimentos, inclusive clandestinos, e garantir que não trabalhem mais com equipamentos para fins estéticos”, disse Santos. Segundo ele, algumas das clínicas visitadas já haviam vendido as câmaras de bronzeamento, enquanto outras simplesmente pararam de usá-las.
“Mas mesmo que as máquinas estejam paradas, elas não podem continuar na clínica. Precisam ser retiradas.” A determinação da Anvisa foi implementada após comprovação pela Agência Nacional para Pesquisa do Câncer (Iarc) do aumento de riscos de câncer de pele por causa da utilização do equipamento. Segundo estudos do Iarc, o uso das máquinas passou de causa provável para causa concreta de tumores de pele. Especialistas internacionais concluíram que o risco é elevado em 75% quando se utiliza a câmara de bronzeamento antes dos 30 anos.
O governo federal, para banir o bronzeamento artificial, apoiou sua decisão na pesquisa da Iarc e também numa resolução de abril deste ano que diz que, quando uma determinada tecnologia oferece riscos à saúde, ela deve ser proibida.
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia em São Paulo, João Roberto Antônio, existe um alerta para o uso indiscriminado das máquinas desde 2002, quando se determinou que o bronzeamento artificial poderia ser feito apenas com recomendação médica.
“Mas ninguém obedece e não há como controlar isso. A única alternativa para a prevenção do câncer de pele foi proibir a exposição indiscriminada à radiação ultravioleta para fins estéticos.”
Liminar
Segundo o médico, a exposição só é permitida em casos de tratamento de doenças, como a psoríase e o vitiligo e, mesmo assim, em pequena escala. “Recomendamos sessões de 15 minutos duas vezes por semana, no máximo. As pessoas, porém, exageram. Tem gente que faz cinco, ou até mais, sessões na semana.”
Uma das clínicas autuadas ontem pela Anvisa já havia informado à reportagem do Diário, na semana passada, que entraria com pedido de liminar contra a resolução da agência. Segundo a proprietária, Daniela Cordeiro Vianna, o encaminhamento foi dado, os advogados acionados, mas ainda não há novidades a respeito.
Dona diz que vai incendiar máquina
A proprietária de uma das clínicas de estética autuadas, Clicia Andréia Martins, disse que fará protesto hoje, às 20h, por causa da determinação da Anvisa. Clicia pretende atear fogo em uma das máquinas. Das seis câmaras interditadas, três ficam no estabelecimento da empresária.
“Quem vai ressarcir os danos causados aos proprietários? Minha renda com o bronzeamento é de R$ 26 mil mensais”, afirmou. Segundo ela, as pessoas perderam um direito. “Cada um faz o que quer. Já que é assim, eles deveriam proibir a pessoa de fumar, em vez de restringir o fumo em determinados locais, porque também causa câncer.”
A empresária Daniela Cordeiro Vianna, proprietária de outra clínica também autuada, disse que vive apenas da renda do bronzeamento artificial. “Tenho dois filhos novos, quem vai sustentá-los? Estou completamente sem chão.”
Daniela afirma que investiu no bronzeamento artificial porque havia autorização do Ministério da Saúde. As máquinas compradas por ela, e também as de Clicia, foram vistoriadas e tiveram o uso permitido. “Se não fosse assim, eu não trabalharia. Não faço nada ilegal. Por que eles não proíbem o álcool e o fumo, que fazem muito mais mal à saúde”, afirma.
Curiosidade
A corretora de seguros Bruna Franciela David, 24 anos, fez o bronzeamento por curiosidade. “Fiz dez sessões até hoje. Mas, prefiro o sol mesmo, que deixa a cor da pele mais bonita.”
Perguntada se pretende fazer mais sessões, Bruna hesita: “Por enquanto, não faço mais. Não sei se voltaria a fazer, até porque minha família não gosta”.
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