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São José do Rio Preto, 2 de Julho, 2010 - 1:50
Hipertensão mata uma pessoa a cada 17 horas

Michelle Berti e Helen Ventura

Ferdinando Ramos
Wamberto Carneiro é portador de diabetes e hipertensão há 25 anos
Doenças isquêmicas do coração e cérebro-vasculares, que têm como base a hipertensão, provocaram a morte de uma pessoa a cada 17 horas em Rio Preto no ano passado. Segundo dados da Secretaria de Saúde, 513 pacientes que sofriam de pressão alta foram a óbito em 2009. Ao lado da diabetes, a hipertensão é a principal doença que provoca complicações graves de saúde. As duas patologias também estão por trás de 1.912 internações em 2009. “As doenças são as principais causas de óbitos e internações hospitalares na cidade”, diz Rita Vilela, coordenadora do setor de agravos não-transmissíveis da secretaria.

Levantamento inédito realizado pela pasta traçou o perfil dos diabéticos e hipertensos tratados no Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo faz parte de um monitoramento integral que a secretaria pretende realizar para melhorar o atendimento e a prevenção às doenças. Em 2009, foram atendidos no Hiperdia (programa de assistência aos hipertensos e diabéticos) 9.578 portadores de diabetes e 30.921 portadores de hipertensão. Pelo menos 50% deles estão acima do peso e são sedentários. O principal risco das duas doenças é que elas são consideradas portas de entrada para outros problemas, como infarto, AVC e insuficiência renal.

“As complicações podem ser evitadas quando a doença é controlada. Mas não adianta apenas tomar os medicamentos. Tanto no caso da diabetes quanto no da hipertensão, o paciente precisa mudar de hábitos. Uma alimentação correta e exercícios físicos são essenciais”, diz o médico Antonio Caldeira, coordenador do núcleo de promoção de saúde da secretaria. “Vamos monitorar as doenças crônicas assim como monitoramos as doenças transmissíveis. As informações vão nos ajudar a definir a melhor maneira de trabalhar em cada unidade ou distrito de saúde”, diz a coordenadora.

Nesse primeiro estudo, a pasta monitorou o número de pacientes atendidos em cada unidade, a taxa de internações e os óbitos. “Cada bairro tem uma característica diferente do outro. Alguns têm maior dependência do SUS que outros”, explica Rita. O Parque Industrial, por exemplo, tem a maior população cadastrada no Hiperdia, devido à grande presença de idosos. Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF) inauguradas no final do ano passado ou neste ano ainda têm poucos cadastrados. Por isso, é preciso investir em estratégias para acompanhar a população doente.

Complicações

O monitoramento vai permitir acompanhar de perto situações como a do fotógrafo aposentado Wamberto Carneiro, 71 anos, portador de diabetes e hipertensão há 25 anos. Ele desenvolveu problema de vista por causa da diabetes e enfrenta as primeiras complicações no rim. “Tomo os medicamentos e procuro controlar a alimentação, mas nem sempre é fácil. Da cervejinha, por exemplo, não abro mão no final de semana.”

Para evitar o sobrepeso, ele caminha três vezes por semana, mas apenas quando tem tempo. “A doença é muito dura e nos restringe muito. É importante que as pessoas jovens fiquem atentas a isso.” A ideia da pasta é realizar levantamentos trimestrais para otimizar o trabalho em cada unidade. “É uma maneira de ajudar no controle e na prevenção”, afirma Rita.

Atualmente, quando chega à unidade, o paciente que tem fatores de risco (obesidade e hereditariedade, por exemplo), fazem exames. Se uma das doenças for comprovada, ele é encaminhado para o programa Hiperdia. O serviço conta com assistência de nutricionistas, médicos e farmacêuticos.

Guilherme Baffi
Nefrologista Mário Abud Filho coordena pesquisa na Famerp
Estudos buscam minimizar efeitos da diabetes

Um estudo inédito coordenado pelo nefrologista Mário Abud Filho, da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) pode oferecer melhorias a pacientes diabéticos. A ideia, que por enquanto está só no papel, é produzir insulina a partir de células-tronco, com o uso de biomaterial (pericárpio bovino) e ilhotas do pâncreas.

Segundo o médico, as ilhotas (responsáveis pela produção de insulina) seriam colocadas nas células-tronco e coladas sob a pele do animal em estudo. O “band-aid”, maneira como foi apelidada a fórmula, pode reduzir ou banir totalmente o uso de insulina. O objetivo de Abud Filho, com o estudo é controlar a diabetes. “Minha expectativa é de que até o final do ano consiga fazer com que essa ideia saia do papel. Daí, podemos fazer os testes nos ratos.”

Uma pesquisa parecida já é realizada pelo Laboratório de Imunologia e Transplante Experimental (Litex) da Famerp. O trabalho é realizado com ratos com insuficiência renal. O biomaterial é colado às células-tronco sobre o rim do animal doente. “Primeiro a gente deixa a célula crescer em cima do pericárpio bovino, depois colamos no rim. Acredito que a célula-tronco tem capacidade de recuperar lesões em vários órgãos.”

A diabetes é uma das principais causas da insuficiência renal, ao lado da hipertensão. Em Rio Preto, segundo dados da Secretaria de Saúde, 1.205 hipertensos tiveram falência renal em 2009. Já entre os diabéticos, 191 sofreram a complicação. A insuficiência renal pode ser tratada por meio da hemodiálise (filtragem do sangue por uma máquina), mas a cura só é possível por meio de um transplante de órgão.





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